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Coreia do Norte: Uma transição perigosa

Na Coreia do Norte, a morte de Kim Jong Il e a ascensão ao poder do seu filho Kim Jong Un  semeou de incertezas o futuro daquele isolado país comunista.

Em questão as reformas domésticas e o relacionamento com os outros países da região.

Kim Jong Un pode ser o novo líder da Coreia do Norte, mas para já não é claro o grau de influência que exerce na élite que governa o país.

O seu pai nomeou-o, apenas no ano passado, para vários altos cargos  no aparelho de estado incluindo general de 4 estrelas. De acordo com o analista australiano Benjamin Habib, Kim Jong Un não teve assim muito tempo para granjear a confiança dos militares  e do partido dos trabalhadores.

“Será que ele dispõe de apoios suficientes para que sua sucessão decorra sem percalços? O seu pai, Kim Jong Il, teve 20 anos de aprendizagem para solidificar as  suas bases de apoio antes de assumir o poder em 1994”, afirmou Habib.

Duas destacadas personalidades cujo apoio poderia sustentar Kim Jong Un são a irmã do seu pai Kim Jong Hui e o seu poderoso marido Jang Song Thaek.
Aquele último alargou a sua influência como conselheiro de Kim  Jong Il depois dele ter sofrido sérios problemas cardíacos em 2008.

Alguns peritos afirmam que os parentes mais velhos de Kim Jong Un podem considerá-lo, pelo menos inicialmente, demasiadamente novo e inexperiente para tomar as rédeas do poder. Uma alternativa seria a de assumir um papel de figura de proa de uma ditadura militar.

Contudo outros analistas dizem que é pouco provável que os líderes militares norte-coreanos desencadeiem  no futuro próximo um golpe contra o jovem Kim. Essa é a opinião de John Swensen Wright da Chatam House de Londres.

“Penso, disse ele, que  vamos assitir a uma tentativa para consolidar o poder e  para assegurar junto do povo norte-coreano a legitimidade de Kim Jong Un. Mas, isso demorará algum tempo.”

À medida em que o processo de transição decorrer outra incerteza diz respeito às timidas reformas económicas encetadas naquele isolado país comunista.

Nos últimos anos jovens politicos norte-coreanos da geração de Kim Jong Un abriram as portas ao investimento estrangeiro e permitiram igualmente serviços limitados de telemóveis e  de Internet.
Segundo Habib, a questão agora é a de se saber se a nova liderança norte-coreana vai abrir mais a economia nacional.

“Caso positivo, disse ele, a comunidade internacional terá uma oportunidade de lidar com o novo governo. Caso negativo, então isso abrirá a porta a um possivel falhanço do estado e a um colapso do sistema.”

Desde há muito que os países vizinhos temem que uma situação de caos na Coreia do Norte poderia fazer com que milhões de coreanos atravessassem as fronteiras. De facto, nos últimos anos dezenas de milhar de norte-coreanos procuraram refúgio na China fugindo à fome no seu país.

De acordo com muitos analistas a possibilidade da Coreia do Norte se transformar num estado falhado será um bom incentivo para as potências regionais recomeçarem as conversações com Pyongyang para tentar impedir uma crise.

 

Por Eduardo Ferro | Washington

Fonte: VOA

Foto: AP

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