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Kabangu promete levar Dino Matross a Tribunal

O anúncio foi feito por Ngola Kabangu quando discursava na abertura da reunião extraordinário da Comissão Política Permanente(CPP) da ala que encabeça, esta semana em Luanda, que apreciou a conclusão do processo assembleário do terceiro Congresso ordinário marcado para os dias 20, 21 e 22 de Dezembro.

Contra Julião Mateus Paulo (Dino Matrosse), secretário geral do MPLA, pendem acusações de “atentar contra as aspirações mais profundas de milhões de angolanos, de Cabinda ao Cunene, representados pela indivisível FNLA”, afirmou.

Ngola Kabangu considera Dino Matrosse de “ reincidente em matéria de conspiração” contra esta força histórica, acusando-o de ter patrocinado um Congresso ilegal realizado por Lucas Ngonda, em 2006, nas instalações do MPLA, no Futungo II, mas ilegalizado pelo Tribunal.

Apelou-o a cessar, imediatamente, com todo o tipo de ingerências nos assuntos internos deste partido fundado por Holden Roberto. Segundo Kabangu, a direcção que chefia não permitirá que “o partido seja subalternizado ou extinto, pura e simplesmente”.

Segundo o político, a FNLA tem sido vítima de uma vasta conspiração político-jurídica e extorsão financeira, arquitectada pelo actual secretário-geral do MPLA.

Ngola Kabangu reportava denúncias feitas pela Comissão de Reunificação e Reconciliação Interna (CRRI), vulgo catalisadores, que alegam a existência de um eventual pacto entre a direcção da FNLA (de Lucas Ngonda) com a do MPLA, firmado num encontro realizado em Setembro e Novembro deste ano no Hotel Trópico, em que Dino Matrosse representou o MPLA.

Para Ngola Kabangu, embora não reconheça legitimidade alguma no grupo dos catalisadores, liderado por Carlinhos Zassala, a denúncia feita por este núcleo de dissidentes de Ngonda prova o suposto envolvimento de Dino Matrosse em assuntos internos da FNLA. “A prova do que afirmamos está aí, ao alcance de todos que ainda não querem ver nem ouvir a verdade”, frisou, acrescentando que as denúncias associam-se ao velho adágio popular, segundo o qual “ matar a cobra, mostrar a cabeça e o pau”.

A fonte avançou que Dino Matrosse há muito que era conhecido como mentor da intromissão nos assuntos internos deste partido, com o objectivo de destrui-lo e extingui-lo do xadrez político, em consonância com o “dissidente Lucas Ngonda”. Segundo ainda Kabangu, “para nós, o conspiradormor sempre teve um nome bem visível e legível, que se encontra na carta”, cujo conteúdo foi tornado público e noticiado nos jornais do último fimde-semana. Kabangu não avançou a data em que apresentará queixa contra o acusado.
Como tudo surgiu

A denúncia do suposto envolvimento de Dino Matrosse na vida interna da FNLA foi feita por Nsanda Wa Makumbu, coordenador da Comissão de Reunificação e Reconciliação Interna(CRRI), durante uma conferência de imprensa realizada no dia 7, em reacção à expulsão de dez membros do bureau político e do comité central, por parte de Lucas Ngonda, numa reunião de alto nível ocorrida no dia 27 de Novembro, na capital do país.

Para além do denunciante, Carlinhos Zassala, Ana Maria Fernandes, Bernardo António, Artur Salvador , Pedro Andrade, Manuel Correia, Pedro Nsumbo, Suzana da Graça e Diogo Ferreira foram acusados de violarem gravemente os estatutos do partido, daí o seu afastamento compulsivo.

A sanção foi extensiva aos demais membros da CRRI que residem fora da capital e lutam pela unidade do partido fragmentado desde 1997.

Na ocasião, Nsanda Wa Makumbu informou aos jornalistas que Lucas Ngonda e seus pares terão tomado esta decisão com base numa suposta orientação do secretário-geral, Julião Mateus Paulo com quem Ngonda terá assinado um “pacto”, transformando a FNLA num apêndice do MPLA.

A fonte, sem exibir qualquer cópia deste documento, que disse apenas conter 25 páginas, prometeu distribuílo à imprensa, mas até ao fecho desta edição de O PAÍS (madrugada de quarta-feira, 14) nada transpirou.

Revelou no entanto que foram subscritores pela FNLA, o seu líder, Lucas Ngonda, João Nascimento, Adão Boaventura e Paulo Jacinto. Dino Matross, Afonso Van Dunem , João Martins e Artur da Silva Júlio terão assinado pelo MPLA.

Nsanda Wa Makumbu reforçou que a suposta assinatura deste pacto, minimizado já pelas partes acusadas na voz dos seus porta-vozes, nomeadamente Miguel Pinto e Rui Falcão, pela FNLA e MPLA, respectivamente, demonstrava a “intromissão do MPLA nos assuntos internos do nosso partido, sendo que outros conteúdos devem ser revelados pelos assinantes do documento de ambas as partes”.

A fonte referiu que há muito se suspeitava que Lucas Ngonda, reconhecido recentemente pelo Tribunal Constitucional (TC) como líder da FNLA, pretendia “vender” o partido ao MPLA.
Filhas de Holden, o maior trunfo

As acusações da fonte subiram de tom quando exibiu cópias de uma carta (nota de agradecimento) escrita por Lucas Ngonda e dirigida a Julião Mateus Paulo, datada de 26 de Novembro, na qual agradecia as duas audiências que lhes foram concedidas entre Setembro e Novembro.

No primeiro encontro, Dino Matrosse esteve acompanhada da directora do seu gabinete e nele foram estabelecidos “caminhos seguros que a seu passo vão sendo cumpridos paulatinamente, fortalecendo assim as relações políticas e estratégias entre os nossos dois partidos políticos”, lê-se na carta.

Segundo ainda a missiva, Lucas Ngonda mostrou-se satisfeito com uma outra audiência que lhe foi concedida pelo presidente da Assembleia Nacional (AN), António Paulo Kassoma, com quem terá abordado a situação dos três deputados da FNLA, tendo recebido garantias de que as precocupações “ serão a seu tempo atendidas”.

Mais adiante, Ngonda escreveu que a grande vitória neste combate cerrado na disputa de liderança contra a outra parte, era a presença ao seu lado das filhas do presidente fundador, Holden Roberto, tendo elas participado recentemente numa reunião do comité central.

“ Excelência secretário-geral, como podeis acompanhar, tudo fizemos para que as filhas do malogrado líder histórico se fizessem presentes na reunião do comité central, o que ocorreu”, apontava.

Na parte final da missiva, Lucas Ngonda pedia ao secretário-geral do MPLA para “cumprir com a outra parte, para que tenhamos essas militantes nos próximo eventos(…), pois elas representam o maior trunfo alcançado desde o início do nosso combate político”. Quanto ao projecto de coligação entre os dois partidos “que está estipulado no acordo do Hotel Trópico, é um processo em estudo pelas nossas estruturas”, afirmou. Ngonda prometeu a Dino Matrosse que em tempo oportuno “ informaremos vossa excelência do cumprimento, desta forma, dos prazos estabelecidos pelo acordo” .

Congresso sai dia 20

O esperado terceiro Congresso ordinário da ala de Ngola Kabangu realiza-se de 20 a 22 de Dezembro, em Luanda, tendo sido já feitas as conferências provinciais. Participarão no evento 1404 delegados idos de todas as províncias, sendo a do Zaire a que apresentou o maior número de delegados com um total de 98.

Quanto a candidaturas, o antigo deputado à Assembleia Nacional (AN) entre 1992 e 2008, André Paulo Nelembe é um dos militantes que já anunciou a intenção de disputar a liderança da ala apeada pelo Tribunal Constitucional, enfrentando nessa empreitada Ngola Kabangu, que entretanto já se sabe concorrerá à sua própria sucessão. Aliás, Ndonda Nzinga, apresentado como porta-voz de Kabangu, confirmou-o publicamente.

O político anunciou ainda que a formação partidária precisa de 110 mil dólares para cobrir as despesas de alojamento, alimentação, transporte e outras adicionais.

Sem um lema escolhido ainda, neste conclave não participarão delegados que vivem na diáspora, por dificuldades financeiras, segundo ainda o porta-voz.

“Como sabeis, a nossa conta foi abusivamente congelada a mando dos inimigos do partido.

pouco disponível com que vamos realizar a nossa actividade vem das quotizações dos militantes, de amigos e empresários do partido”, afirmou, garantindo que o evento realizarse-á na data marcada.

Ireneu Mujoco
Fonte: O País
Foto: O País

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