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Destruição dos mangais prejudica o Ambiente

O abate indiscriminado de mangais e a exploração desmedida de inertes por algumas empresas para os estaleiros e construção civil, coloca em risco o Ambiente e a biodiversidade na região.
As consequências resultantes do derrube de mangais no município do Soyo são imprevisíveis no presente, mas no futuro vão ter um impacto negativo na vida dos seres humanos, caso não se ponha termo à fúria destruidora.
No Soyo há registo de elevadas temperaturas fora de época e as chuvas são irregulares. Os especialistas dizem que estas alterações podem ser consequência do derrube dos mangais. O Soyo está rodeado pelo mar e pelo rio Zaire e os seus inúmeros afluentes.
As alterações climáticas podem provocar cheias porque a cidade é uma autêntica Ilha. Na ausência de mangais os riscos de inundações aumentam, uma vez que a vegetação serve de barreira às águas.
As áreas onde as águas do rio Zaire deviam repousar nas marés altas e na estação das chuvas, estão a ser entulhadas por habitações e estabelecimentos comerciais.

O especialista em educação ambiental do Ministério do Ambiente, Nascimento Soares, disse à nossa reportagem que a emissão de gases de efeito estufa, a destruição dos mangais e a caça furtiva são problemas nacionais, pelo que urge disciplinar a população para garantir o futuro do planeta Terra.
O abate de  mangais para dar lugar a habitações é um grave problema ambiental, porque a vegetação desempenha um papel indispensável na renovação do oxigénio.
“Os mangais jogam um papel muito importante, ajudam na manutenção do oxigénio e servem de zonas de desova de muitas espécies.  Em segundo lugar, a vegetação desempenham um papel muito importante na manutenção do clima, permitindo a purificação do ar que respiramos.

O negócios dos inertes

A sua destruição afecta o clima e o ecossistema marinho, porque os mangais são locais habitados por várias espécies, o que pode a dada altura causar a extinção da biodiversidade”, disse Nascimento Soares .
A exploração descontrolada de inertes  no Soyo, argila, terra vermelha, burgau e areia da praia é outro fenómeno alarmante, cujas consequências também se reflectem no Ambiente. Colinas e planícies ficam com grandes crateras devido à exploração sem regras nem limites.
O rápido desenvolvimento do município do Soyo fez explodir o negócio de inertes para a construção civil. Muitos construtores usam burgau e areia como entulho nas zonas ribeirinhas onde foram destruídos os mangais.
A exploração de inertes no Soyo, por falta de controlo da Administração Municipal, até é feita por estrangeiros. Todos os dias vemos camiões basculantes, pás carregadoras e bulldozeres a extrair toneladas de areia, burgau, argila e terra vermelha.
Um camião de 15 ou 20 metros cúbicos de argila usado para o entulho custa entre dez e 12 mil kwanzas. A carrada de areia da praia, custa entre 200 e 250 dólares.
Paulo José Laurinda, 33 anos, disse que vender inertes dá para sustentar a família, uma fez que o negócio tem saída devido ao elevado índice de construções: “a venda de inertes dá para aguentar a vida, uma vez que ganhamos dez por cento por cada carrada vendida”.
Fwankuingui Pedro, 37 anos, anda há cinco anos no negócio e garante que “a exploração de inertes é rentável”.

Abate de árvores

A desflorestação de grandes extensões do município do Soyo, para o fabrico de carvão e lenha, é igualmente uma preocupação de todos.
O fabrico de carvão é feito na área do Lumueno, Nfinda ye Nkunku, e Cabeça da Cobra e está a pôr em risco o habitat de várias espécies de animais da região.
A chefe interina de secção do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), Esperança Pedro, disse que o processo de desmatação sem controlo é ilegal, mas há madeireiros licenciados para fabricar carvão.
“A maior parte dos carvoeiros exerce a actividade ilegalmente, mas o Instituto de Desenvolvimento Florestal não está à altura de travar a fúria dos infractores por falta de meios de trabalho”, acrescentou.A falta de viaturas e de fiscais impedem um controlo eficaz das florestas da região.
“Não temos carros para nos deslocarmos para aquelas áreas em que a população destrói as matas para o fabrico de carvão. O efectivo de fiscalizadores é escasso e andam desarmados, por isso não podem enfrentar os carvoeiros que têm catanas e machados”, acrescentou.

Caça furtiva

Outro grande problema ambiental tem a ver com a caça furtiva. Os caçadores abatem de forma descontrolada os animais, estejam ou não em estado de gestação, sem ter em conta o ciclo de reprodução de várias espécies, o que pode levar aà extinção de muitas. A pesca também é feita sem regras.
“A título de exemplo, a pesca desordenada, levou o carapau a escassear, pelo que o Estado teve que impor restrições da actividade pesqueira para a sua manutenção”, acrescentou Nascimento Soares.
O Ministério do Ambiente está empenhado em informar os infractores e levá-los a uma conduta responsável e dentro das leis.
O responsável do Departamento Provincial do Ambiente no Zaire, Manuel Salvador, disse à nossa reportagem que o Executivo do Zaire tem vários projectos de combate aos problemas ligados ao Ambiente, com destaque para, prevenção à queimadas, biodiversidade e poluição sonora e atmosférica.
Problemas como a caça furtiva, destruição de mangais para dar lugar a construções e a deposição de resíduos sólidos em zonas costeiras e não só, segundo ele, constituem as principais preocupações do executivo do Zaire, pelo que trabalha para sua prevenção.

Jaquelino Figueiredo | Soyo

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Jaquelino Figueiredo

 

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