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Incidente no Príncipe ilustra descontentamento na ilha

Bandeira de São Tomé e Príncipe
Na Ilha do Príncipe o descontentamento está a crescer. Nesta quinta-feira, populares chegaram ao ponto de queimar a bandeira nacional de São Tomé e Príncipe.

“As pessoas pensam que em primeiro é São Tomé, e depois é Príncipe”, comentou Rodrigo Cassandra, Assessor dos Assuntos Económicos e Financeiros do Governo da Região Autónoma do Príncipe.

Rodrigo Cassandra realçou no entanto que o acto de queimar a bandeira nacional é “condenável”. Pedindo no entanto às pessoas para “compreenderem” a situação dos habitantes do Príncipe.

“Tudo aqui é mais caro do que em São Tomé. Porquê ? Por exemplo, um saco de cimento é 4 euros mais caro. Não se entende esta diferença”, acrescentou.

Segundo as informações recolhidas no Príncipe, os habitantes que queimaram a bandeira nacional, fizeram-no de forma a protestar para a ilha de Príncipe poder obter melhores condições de vida.

“As pessoas que vivem em São Tomé gastam menos do que as pessoas no Príncipe. Somos um único país, formado por duas ilhas, deveríamos ser iguais. Há muitas coisas para mudar. Por exemplo só temos uma ligação semanal para Portugal. É muito pouco”, realçou Rodrigo Cassandra.

Os projectos para melhorias na ilha de São Tomé são vários mas nunca têm eco no Príncipe. Como por exemplo a chegada da fibra óptica em São Tomé, enquanto no Príncipe, os cortes de energia ainda não foram resolvidos.

Aliás um projecto sul-africano queria investir no Príncipe para construir uma nova pista no aeroporto, mas as autoridades de São Tomé querem que essa empresa também invista em São Tomé. O problema é que a empresa só quer investir no Príncipe e, aliás, já tem mais de 200 trabalhadores no Príncipe. Se o acordo não for alcançado até o dia 21 de Dezembro, nada será realizado em 2012, e talvez o investimento no Príncipe da empresa sul-africana termine com esse acordo falhado.

“Todo o governo da Região Autónoma do Príncipe quer trabalhar em conjunto com São Tomé para chegar a acordos e resolver os problemas, porque é um único país e temos de avançar juntos”, concluíu Rodrigo Cassandra.

 

Fonte: RFI

Foto: DR

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