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Produtos do campo aguardam por compradores

Alguns produtos do campo acabam por ficar deteriorados por falta de fregueses

Apoiada numa bengala, bacia à cabeça com a enxada, catana, cabaça de água e sementes, Lemba Bernardo, 80 anos, caminha em direcção à lavra situada nas margens do rio Kwanza. A idade não a de continuar a cultivar a terra.
Os camponeses têm boas colheitas mas de pouco lhes servem porque os produtos acabam por se estragar nas lavras por falta de transportes. “Temos muita vontade de trabalhar a terra mas o que ganhamos é quase nada”, diz avó Lemba.
“Os produtos estragam-se no campo por falta de escoamento para os grandes mercados de Luanda”, disse. Esta opinião é compartilhada por Domingas Sebastião Jaime.
Os camponeses que conseguem transporte, levam os seus produtos para os principais mercados de Luanda, como Asa Branca, Kicolo e Quilómetro 30.
Inácio Bartolomeu Manuel, soba da região de Kaquengue, reconheceu o progresso que o sector da saúde está a alcançar no atendimento as populações. Mas o posto médico necessita de uma ambulância para transportar os doentes em estado grave.
“Quando uma pessoa está doente, os familiares são obrigados a alugar motorizadas até Maria Teresa onde apanham táxi até à Vila de Catete”, disse.
O soba da região sublinhou que a população de Kaquengue precisa de mais crédito de campanha para o fomento da actividade agrícola. “Os camponeses que ainda não estão organizados em associação precisam de se organizar para beneficiarem de apoios dos bancos comerciais”, disse.

Inácio Bartolomeu Manuel pediu ao Governo Provincial de Luanda, para reabilitar a estrada de Kakulo Kahango por servir uma grande zona agrícola. Acrescentou que as estradas estão péssimas e necessitam de intervenção urgente para facilitar o escoamento dos produtos. “Precisamos de autocarros para o transporte da população e das mercadorias”, disse.

As grandes preocupações

O administrador comunal de Kakulo Kahango, Armando Costa, disse ao Jornal de Angola que os grandes problemas da população são a falta de água canalizada, energia eléctrica e a má qualidade da estrada.
Acrescentou que a reabilitação da estrada secundária que liga a sede da comuna à Estrada Nacional 230 é uma obra de âmbito nacional.
As autoridades da comuna elaboraram um projecto que entregaram à Administração Municipal do Icolo Bengo que por sua vez o encaminhou para as estruturas provinciais. “Estamos a aguardar pela execução das obras de reabilitação da estrada que liga a sede comunal a Maria Teresa, numa extensão de 28 quilómetros”, disse Armando Costa.
Agricultura e pesca são as duas principais actividades da população da comuna.
Armando Costa que os agricultores estão preocupados com o escoamento da batata-doce, milho, quiabo, feijão e tomate.
Reconheceu que muitos produtos acabam por se estragar no campo por falta de transportes e devido à má qualidade da estrada. “O troço que liga Kaquengue a Maria Teresa tem uma extensão de 28 quilómetros em terra batida e os taxistas só aparecem às terças e sextas-feiras por isso muitos produtos apodrecem nas lavras”, disse Armando Costa.
O administrador comunal referiu que agricultura desenvolvida na zona é de subsistência mas neste ano agrícola os camponeses duplicaram a produção, porque receberam enxadas, catanas, limas e sementes de qualidade. “Com os meios recebidos, a produção de alimentos duplicou na região”, disse Armando Costa, que pediu às unidades hospitalares, militares, instituições com refeitórios, creches e lares de estudantes para comprarem a produção dos camponeses da região.
Armando Costa encorajou os produtores a aumentarem as suas  áreas de cultivo para fortalecer e desenvolver a produção.
Quanto à pesca, o administrador comunal de Kakulo Kahango disse que os pescadores estão organizados em associações para beneficiarem num futuro breve de materiais para a pesca artesanal.
Acrescentou que a pesca é feita nas lagoas ao longo dos rios Kwanza e Lwei. “Os pescadores da região necessitam de canoas a motor, anzóis, redes, sal e combustíveis para o seu normal funcionamento”, disse Armando Costa. O cacusso e o bagre são as espécies mais capturados. O sector da saúde na comuna está a melhorar e recentemente a Liga Africana faz a oferta de lotes de medicamentos pela. Kakulo Kahango dispõe de um posto médico e um posto de socorros.
Quanto ao sector da educação a comuna tem três escolas com seis salas cada e seis professores. A falta de energia eléctrica e de um sistema de captação e tratamento de água preocupa as autoridades e a população  de Kakulo Kahango,  que clamam por uma solução das autoridades competentes.

Fula Martins |Kakulo Kahango

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: João Augusto

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