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Ngonda acusado de’ alta traição ao partido’

Lucas Ngonda

A denúncia é de Nsanda wa Makumbu, coordenador da Comissão de Reunificação e Reconciliação Interna (CRRI), em conferência de imprensa realizada esta semana em Luanda, que serviu para reagir à expulsão de dez membros do bureau político e do comité central da FNLA dia 27 de Novembro passado.

Para além do denunciante, Carlinhos Zassala, Ana Maria Fernandes, Bernardo António, Artur Salvador, Pedro Andrade, Manuel Correia, Pedro Nsumbo, Suzana da Graça e Diogo Ferreira foram acusados de violarem gravemente os estatutos do partido, daí o seu afastamento compulsivo. A sanção foi extensiva aos demais membros da CRRI que residem fora da capital do país, organizados para, segundo proclamam, lutar pela unidade do partido fortemente abalada desde 1998.

Nsanda Wa Makumbu informou aos jornalistas que Lucas Ngonda e pares terão tomado esta decisão com base numa suposta orientação do secretário-geral do MPLA, Julião Mateus Paulo (Dino Matrosse), com quem Ngonda terá assinado um “pacto” para transformar a FNLA num apêndice político do MPLA, em encontros mantidos nos dias 22 de Setembro e 10 de Novembro do ano em curso, no Hotel Trópico, nos quais terão estado também presentes outros membros dos dois partidos.

A fonte, que não exibiu qualquer cópia do suposto acordo, disse que ele contém 25 páginas e prometeu apresentá-lo nos próximos tempos.

Revelou entretanto que foram subscritores pela FNLA, o seu líder, Lucas Ngonda, mais três outras pessoas, a saber: João Nascimento, Adão Boaventura e Paulo Jacinto. Dino Matross, Afonso Van Dunem , João Martins e Artur da Silva Júlio assinaram pelo MPLA, segundo o protagonista da concorrida conferência de imprensa, que qualificou a alegada atitude de Lucas Ngonda como um acto de “alta traição ao partido”.

Nsanda Wa Makumbu reforçou que a suposta assinatura deste pacto “demonstra a intromissão do MPLA nos assuntos internos do nosso partido, sendo que outros conteúdos devem ser revelados pelos assinantes do documento de ambas partes”.

Segundo ele, havia indícios de que Lucas Ngonda, reconduzido na liderança da FNLA por intermédio de um acórdão do Tribunal Constitucional (TC) ”pretendia vender o partido ao MPLA”, como vaticinara o então medianeiro Ntoni Nzinga.

Acusações sobem de tom

Para reforçar as acusações, o político exibiu cópias de uma carta (nota de agradecimento) escrita por Lucas Ngonda e dirigida a Julião Mateus Paulo, datada de 26 de Novembro, na qual agradecia as duas audiências que lhe foram concedidas entre Setembro e Novembro.

No primeiro encontro, Dino Matrosse esteve acompanhado da directora do seu gabinete, afirmando que esta reunião “estabeleceu caminhos seguros que a seu passo vão sendo cumpridos paulatinamente, fortalecendo assim as relações políticas e estratégias entre os nossos dois partidos políticos”.

Segundo ainda a carta, Lucas Ngonda mostrou-se satisfeito com uma outra audiência que lhe foi concedida pelo presidente da Assembleia Nacional (AN), António Paulo Kassoma. Nela são reveladas algumas preocupações apresentadas a Kassoma que se presume estivessem relacionadas com os três deputado no Parlamento, tendo Ngonda se convencido que “serão a seu tempo atendidas”.

Mais adiante, Ngonda teria escrito que a grande vitória neste combate cerrado na disputa da liderança contra a outra parte, foi a presença, ao seu lado, das filhas do presidente fundador, Holden Roberto, tendo elas participado recentemente na reunião do comité central.

“Excelência secretário-geral, como podeis acompanhar, tudo fizemos para que as filhas do malogrado líder histórico se fizessem presentes na reunião do comité central, o que ocorreu”, aponta.

Na parte final da coorrespondência, Lucas Ngonda pede ao secretário-geral do MPLA para “cumprir com a outra parte, para que tenhamos essas militantes nos próximos eventos(…), pois elas representam o maior trunfo alcançado desde o início do nosso combate político”, lê-se ainda na mesma carta.

Quanto ao projecto de coligação entre os dois partidos “que está estipulado no acordo do Hotel Trópico, é um processo em estudo pelas nossas estruturas”, afirmou, prometendo que em tempo oportuno “informaremos vossa excelência, cumprindo desta forma os prazos estabelecidos pelo acordo”, remata.

Reacções

À margem da conferência de imprensa, Carlinhos Zassala, um dos mentores da CRRI, em declarações a este jornal, mostrou-se constrangido com “a posição assumida” por Lucas Ngonda, considerando-o de um militante com “ambição desmedida” para atingir a liderança do partido e tirar dividendos políticos.

Para Carlinhos Zassala, Ngonda agiu como se tratasse de um indivíduo megalómano, “pois ele não cumpre o que faz”, resumiu.

Zassala disse mesmo que Lucas Ngonda é um indivíduo cujo comportamento deixa muito a desejar a qualquer mortal, realçando que falta muitas vezes à verdade.

“Quem mente conscientemente é mentiroso, e que o faz inconscientemente é uma pessoa que tem alguma perturbação mental”, afirmou.

O também conhecido professor de psicologia no Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda (ISCED), reforçou que tem conhecimento, através do pacto, que se Lucas Ngonda cumprir com o acordo firmado entre a FNLA e o MPLA fornecer-lhe-ão deputados “razão pela qual o professor Lucas não vai ao encontro das massas, na qualidade de presidente do partido”, denunciou.

Na visão do político, Ngonda embora tenha sido reconhecido pelo Tribunal Constitucional, o mais importante a ser feito por ele seria a reunificação do partido e prepará-lo para as próximas eleições gerais que devem ser realizadas entre finais de Agosto e princípio de Setembro, conforme define a Constituição.

“Infelizmente, não é o que está a acontecer no partido”, deplorou Carlinhos Zassala.

Porta-voz reconhece assinatura

Entretanto, o secretário para a Informação e Mobilização de Lucas Ngonda, Miguel Pinto, reagiu já ao conteúdo da  carta posta a circular pela comissão de reunificação, minimizando-a com a afirmaç ao de que ela “foi forjada” e que os seus mentores “serão responsabilizados criminalmente”.

Prosseguiu que  em momento algum o seu presidente tenha escrito  uma carta para Dino Matross, embora diga  haver uma boa relação entre as duas formações políticas.

Ante a insistência do jornalista sobre a veracidade da missiva, Miguel Pinto reconheceu que a assinatura é de Lucas Ngonda, mas não foi ele quem escreveu por conter nela alguns erros ortográficos.

“A assinatura é do presidente, mas a carta está desfasada. A assinatura não diz nada, posso ir a uma fotocopiadora e fazer o mesmo”, defendeu Miguel Pinto que prometeu para breve uma outra conferência de imprensa nos próximos dias para dar mais esclarecimentos à volta do assunto.

Ireneu Mujoco
Fonte: O País
Foto: O País

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