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Lunda-Norte almeja prosperidade agrícola

LundaNorte

As bases para transformar a LundaNorte numa terra de prosperidade no domínio da agropecuária estão lançadas, com a implementação do projecto agrícola da Cacanda, que visa a longo prazo suprir toda deficiência na dieta alimentar da região leste do país.

Este projecto de grande impacto económico e social de iniciativa do Executivo central, resulta de um investimento de 29 milhões de dólares, que está a ser implementado numa área de mais de 5 mil hectares na região de Cacanda, arredores da cidade do Dundo.

O projecto enquadra-se também na estratégia da diversificação da economia, visa essencialmente revolucionar a produção agrícola naquela província, bem como reduzir a excessiva dependência da actividade extractiva do diamante que perdura desde o tempo colonial, explicou o director provincial da Lunda-Norte, engenheiro agrónomo José Mendes. Aliás, as características do território são favoráveis para uma implementação exitosa das pretensões do Executivo, tendo em conta que a província detém solos férteis, contando ainda com 60 por cento das reservas hídricas de Angola. O espaço em referência contempla áreas destinadas à bovinicultura, avicultura e introduz, pela primeira vez, a prática da horticultura em estufa.

Segundo as perspectivas dos gestores do projecto, quando em pleno funcionamento, produzirá anualmente 5 milhões de ovos para atender às necessidades de consumo interno do país, bem como para exportação para os mercados dos países limítrofes com particular destaque para a RDC.

Assim, de forma a dar suporte à criação de aves, foi instalada uma fábrica de ração que diariamente pode produzir 2,5 toneladas de alimento para os animais com matéria prima produzida a nível local.

Na vertente da horticultura em estufas, foi dito que a produção estará sob alçada de 50 famílias seleccionadas maioritariamente entre os deficientes físicos e antigos combatentes residentes no território, que já beneficiaram de formação para o efeito, mas que vão contar também com o contínuo acompanhamento dos gestores do projecto.

Está, de igual modo, assegurada a construção de uma escola de formação para os agricultores no local que já começou a ministrar cursos de curta duração em vários domínios agrícolas, destinados a médios e grandes agricultores.

O engenheiro José Mendes preconiza que o arranque em pleno do projecto vai resultar em respostas efectivas para o desafio das carências nutritivas na província da Lunda Norte.

A gestão da fazenda está, presentemente, sob a responsabilidade de um grupo israelita contratado para o efeito, cujo entendimento expira em 2012, passando posteriormente a gerência a ser assumida por técnicos angolanos.

Nessa fase de implementação, o projecto conta com 90 por cento de execução, faltando apenas a vedação periférica das estufas, matadouros, armazéns de verduras e pavimentação, operações que determinarão o arranque do empreendimento.

Até ao momento, o projecto gerou acima de 60 postos de trabalho para quadros nacionais, aumentando para 150 empregos directos, enquanto o número de indirectos será maior tendo em conta a amplitude da cadeia de escoamento dos produtos.

Aliás, o projecto está dimensionado para servir todo o país, mas poderá, segundo o seu director, encontrar constrangimentos na rede viária que está em “péssimas” condições.

O director provincial da Agricultura disse também que o projecto tem como foco a vizinha República Democrática do Congo, potencial consumidor dos produtos a saírem de Cacanda.

O desafio do projecto passa ainda por elevar a fasquia de 50 por cento da população da Lunda-Norte envolvida na prática da agricultura, embora as aspirações do Executivo local almejem a conversão da agricultura como actividade principal alternativa à extracção de diamantes.

“A actividade extractiva de diamantes tem albergado muita gente e estou recordado que no tempo da Diamang essa companhia empregava 108 mil trabalhadores”, disse José Mendes que aponta este facto como causa do desvio da força produtiva da agricultura para o garimpo de diamantes.
Defendida colheita de receitas fiscais da actividade mineira ao nível local

O Governo da Província da Lunda-Norte defende que a colheita das receitas fiscais das empresas mineiras que operam naquele território passe a ser depositada localmente, uma intenção que visa acelerar o desenvolvimento sustentado da província.

O vice-governador para a área política e social, Moisés Chingongo, que avançou a ideia quando apresentava o quadro económico da província, acrescentou que o governo local está a diligenciar junto do Executivo central para que esta pretensão se torne realidade. A extracção de diamantes continua a ser a actividade dominante na província da Lunda-Norte, constituindo-se no segundo maior empregador, depois da função pública, gerando acima de dez mil empregos directos num passado muito recente.

A crise económica mundial provocou o despedimento de 5 a 6 mil trabalhadores do sector mineiro.

A região do leste de Angola beneficia de um total de 10% de imposto à boca da mina, repartidos em 4% para a Lunda-Norte, 3% para a Lunda-Sul e igual percentagem para o Moxico, perfazendo 2 milhões de dólares que consideram irrisórios para a solução dos problemas que afligem a população.
Aposta na diversificação em curso

Moisés Chingongo assegura que a preocupação do executivo local em relação à diversificação da economia já está em marcha e aponta a realização de feiras agro-pecuárias, fóruns de empreendedorismo para incentivar o investimento ao nível local como um dos caminhos a seguir. Moisés Chingongo destaca que as características da província são favoráveis, por si só, e apresentam um grande potencial agrícola, devido ao clima, para a prática da agricultura e pecuária que podem potenciar a economia da província.

A agricultura praticada na província é ainda do tipo rudimentar e de subsistência, situação que poderá ser revertida com o projecto Cacanda que deverá estimular a prática da agricultura mecanizada e industrial.

No entanto, o maior constrangimento enfrentado pela província é a questão das vias de comunicação que necessitam de reabilitação urgente, sobretudo a estrada nacional número 180 principal eixo de comunicação rodoviário da província, cujo traçado atravessa os grandes assentamento populacionais da província, que fazem a ligação entre Saurimo, Dundo, Zage e Cambulo.

O atraso das obras de reabilitação das pistas de aviação da província, designadamente Kamakenzo, na cidade do Dundo, Lucapa, bem como a do Nzage também aportam constragimentos em termos de comunicações.

A inoperância deste último aeródromo afirma-se como um factor inibidor da mobilidade das pessoas, o que afecta sobremaneira os investidores, comprometendo as metas de desenvolvimento.

Ao nível local, constata-se que o programa mais importante já implementado pelo governo da província é o “programa Integrado Municipal de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza”. Ao todo, os nove municípios da província beneficiaram em média mais de 435 milhões de Kwanzas, 70 por cento dos quais já foram aplicados no ano em curso.

Os efeitos positivos gerados pelo programa já se fazem sentir tendo em conta o nível de melhoria das condições de vida da população nos domínios da energia, água, saneamento básico, saúde e outros constantes do

Valdimiro Dias
Fonte: O País
Foto: O País

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