Terça-feira, Fevereiro 7, 2023
10.8 C
Lisboa

Elogios do bastónario ao ensino da Medicina

O bastonário da Ordem dos Médicos (à esquerda) ao lado do decano da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto

O bastonário da Ordem dos Médicos de Angola, Carlos Alberto Pinto de Sousa, considerou ontem, em Luanda, que os médicos formados em Angola estão à altura de enfrentar os desafios do país e podem contribuir para o desenvolvimento do sector da saúde.
“Os médicos formados em Angola são de nível comparado ao de qualquer formado no exterior”, disse.
Pinto de Sousa falava ao Jornal de Angola, à margem das Primeiras Jornadas Científicas da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, que estão a ser realizadas desde ontem, sob o tema “Desafios da Faculdade de Medicina na solução dos problemas da sociedade angolana”.
Pinto de Sousa enalteceu a iniciativa da Faculdade de Medicina. “Serve de contributo para o desenvolvimento e solução de alguns problemas da sociedade angolana. O tema das jornadas é bastante sugestivo, já que a investigação aparece como motor em áreas como a saúde pública e a medicina hospitalar”, afirmou.
Pinto de Sousa referiu que como instituição de ensino e investigação, a Faculdade de Medicina deve estar na vanguarda para apontar soluções aos problemas que a sociedade enfrenta. “A investigação científica nesta faculdade debruça-se sobre as questões de Angola”, disse.
O decano da Faculdade de Medicina, Miguel Bettencourt Mateus, afirmou que um dos principais objectivos das Primeiras Jornadas Científicas é divulgar as investigações feitas pela instituição nos últimos anos e impulsionar as soluções para os problemas da sociedade angolana no sector da saúde.
Miguel Mateus apresentou os resultados de uma investigação realizada na província da Lunda-Norte, intitulada “Responsabilidade científica da Faculdade de Medicina na resposta aos problemas sociais: a propósito da paraparésia espástica tropical de Caungula”.

“Detectámos a existência de uma doença com nome de paraparésia espástica, que incapacita os membros inferiores da pessoa. Este diagnóstico foi realizado num laboratório da África do Sul, onde vimos, na mandioca amarga, uma relação estreita com a concentração de cianeto, uma substância tóxica que tem efeitos negativos no ser humano”, disse.
O decano acrescentou que a investigação serve de exemplo da contribuição que a Faculdade de Medicina pode dar para a resolução dos problemas de saúde. “Pretendemos, de forma científica, dar resposta aos responsáveis da Saúde, de modo a tomarem as decisões necessárias para resolver os problemas das comunidades.”
A professora universitária Antónia Castelo, ao fazer a apresentação da pesquisa “Avaliação dos conhecimentos, atitudes e práticas dos alunos da Escola 301, da cidade de Caxito, província do Bengo”, referiu que a Schistossomíase existe em todas as províncias do país, mas no Bengo tem o nível mais alto de prevalência. Causada pelo Schistossoma hematobium, a doença é contraída através de banhos nos rios, nas valas ou em águas contaminadas.
“Este estudo foi feito com base no conhecimento dos alunos sobre a doença Schistossomíase, que é endémica na província do Bengo. Procurámos saber que informação as pessoas tinham sobre a doença, relativamente aos sintomas, a forma de transmissão e as medidas de prevenção que devem ser tomadas para evitar a sua propagação.”A docente referiu que a doença existe em todas as províncias do país, mas a província do Bengo tem o nível de prevalência mais alto. “Quando ela é detectada, pode ser curada de forma rápida. Só que na maioria dos casos ela surge de forma discreta e quando se manifesta os sintomas são mais complicados, trazendo problemas hepáticos, cancros na bexiga e insuficiência renal”, disse.
Antónia Castelo apontou as medidas de prevenção da Schistossomíase: “as pessoas devem usar água tratada e evitar tomar banho nos rios ou valas. Em geral, são medidas simples de saneamento básico e da própria educação da população.” Apelou para uma maior divulgação da doença.
No programa das Primeiras Jornadas Científicas da Faculdade de Medicina, que encerram hoje, consta a apresentação de temas sobre saúde comunitária e materna e patologia cirúrgica, ortopédica e médica.

Edivaldo Cristóvão

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Maria Augusta



 

POSTAR COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

- Publicidade -spot_img

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Casa do estilista Paco Rabanne sofre assalto após sua morte

Ladrões invadiram a casa do estilista espanhol Paco Rabanne, que morreu na sexta-feira (3) aos 88 anos em sua...

Artigos Relacionados

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
  • https://spaudio.servers.pt/8004/stream
  • Radio Calema
  • Radio Calema