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Angola dispõe de sete meses para inscrever projecto Mbanza Kongo na UNESCO

oordenadora do projecto ?Mbanza Kongo, cidade a desenterrar para preservar?, Sónia da Silva António

Mbanza Kongo – O Executivo angolano, através do Ministério da Cultura, tem até Julho de 2012, o prazo limite para a apresentação da candidatura do dossier  “Mbanza Kongo, cidade a desenterrar para preservar”, à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), para elevar esta cidade a património mundial.

Este facto foi reafirmado hoje (quarta-feira), em Mbanza Kongo, pela coordenadora do referido projecto, Sónia da Silva António, para quem o centro do património mundial aceita as candidaturas até Janeiro de cada ano para que sejam analisadas na sessão que decorre anualmente no centro do património mundial.

Sónia da Silva António, que coordena o projecto desde 2009, explicou que neste momento decorrem os trabalhos de escavação na área classificada da cidade de Mbanza Kongo para se encontrar as provas arqueológicas que a UNESCO necessita e que provem que a antiga capital do reino do Kongo tem um valor universal excepcional.

Sónia António, que se encontra desde segunda-feira, em Mbanza Kongo para mais uma missão de exploração científica, acompanhada por dois professores especialistas em arqueologia da Universidade de Yaoundé 1 (Camarões), reconheceu que ainda há muito por pesquisar, mas que existem já indícios que podem sustentar a inscrição deste projecto à UNESCO.

Perspectivou que o trabalho de pesquisa arqueológica pode levar anos, o que não impede que enquanto decorrem as escavações se possa canalizar as provas já obtidas ao comité do património mundial, com sede em Paris (França).

Fez saber que a área de protecção da cidade objecto de estudo era inicialmente de 50 hectares, mas que tende alargar-se em consequência das escavações arqueológicas, porquanto desconhece-se actualmente até onde se estende a parte histórica da cidade.

Para  a celeridade dos trabalhos, a fonte disse que será necessária a utilização do método de prospecção geofísica nos próximos tempos, ao contrário da prospecção pedestre que está ser empregue até agora para a recolha dos depósitos arqueológicos.

“Vamos contar dentro de sete dias com uma empresa especializada em prospecção geofísica para identificar com radares onde estão situadas as estruturas soterradas da cidade de Mbanza Kongo”, explicou.

Segundo ela, a prospecção geofísica permite identificar com rapidez e maior precisão as estruturas existentes debaixo da terra, afirmando que a coordenação dispõe de fontes bibliográficas que provam que esta cidade tinha 12 igrejas, conventos, escolas, palácios e residências nos séculos idos e convertidos em ruínas, devendo ser facilmente identificados com o sistema de radares.

Assegurou, por outro lado, que o plano de acção do Ministério do Urbanismo e Construção, no âmbito das infra-estruturas integradas que Mbanza Kongo está  beneficiar, coaduna-se perfeitamente com o da coordenação do projecto “cidade a desenterrar”, o que permite o acompanhamento das obras de requalificação desta cidade por ambas as partes, visando salvaguardar as fontes arqueológicas.

Segundo ainda aquela responsável, a falta de quadros especializados preocupa a coordenação do projecto, garantindo que para inverter esta situação tem sido necessário o recurso aos quadros estrangeiros de universidades da Europa, África e América, porquanto Angola dispõe de apenas dois especialistas em arqueologia.

Revelou que a par dos recursos financeiros disponibilizados pelo Estado angolano, o projecto “Mbanza Kongo, cidade a desenterrar para preservar” conta também com a subvenção financeira de empresas petrolíferas (não especificadas) para custear as despesas decorrentes deste trabalho.

A arqueóloga  Sónia António augurou, entretanto, que todas as ajudas a esta ingente tarefa são bem vindas, sublinhando que a arqueologia é um ramo de ciência bastante caro, que emprega métodos novos e de alta tecnologia, facto aliado aos custos de contratação de profissionais especializados de outros países.

Lembrou, na ocasião, que caso Mbanza Kongo venha a ser declarada “património mundial”, esta cidade vai contar com um centro de pesquisa e interpretação, que servirá para o fornecimento de informações necessárias sobre o Reino do Kongo aos visitantes e não só, entre outras vantagens, sobretudo na vertente económica social e na geração de postos de trabalho.

A coordenadora mostrou-se mais uma vez optimista quanto ao desfecho positivo deste dossier, argumentando que tudo está ser feito para que o projecto de inscrição de Mbanza Kongo seja uma realidade.

“Temos a experiência de outros países e de profissionais que têm trabalhado em projectos de nomeação de sítios a património mundial, bem como de organizações consultativas ligadas à UNESCO que poderão avaliar o nosso dossier antes de ser submetido ao centro do patrimóno mundial”, garantiu.

O projecto Mbanza Kongo, cidade a desenterrar para preservar, cujo primeiro coordenador foi o falecido historiador do Ministério da Cultura, Emmanuel Esteves, foi lançado em 2007 pelo Mincult, com a realização, nesta cidade, da mesa redonda internacional.

O evento visou, entre outros objectivos, apontar valências do mundo do saber sobre o património cultural do antigo centro administrativo do Reino do Kongo, com o objectivo da sua valorização e reconhecimento universal.

Formado no século XIII, o reino do Kongo tinha seis províncias e ocupava parte dos actuais territórios de República Democrática do Congo (RDC), Congo Brazzaville, Gabão e Angola, além da existência de outros reinos vassalos que pagavam tributo ao então reino.

Mbanza Kongo ainda hoje preserva as ruinas daquela que pode ser a primeira Sé Catedral erguida ao sul do Sahara, denominada Kulumbimbi, construída no século XVI, testemunha da presença portuguesa na região e da fé cristâ.

O cemitério e o palácio dos reis, datado entre os séculos XIII e XX, o local de lavagem e embalsamento dos corpos dos soberanos(Súmbula), assim como a casa dos secretários e a árvore centenária “ Yala, a Nkuwu” são , entre outros, os patrimónios que ainda se pode encontrar nesta localidade.

Fonte: Angop

Foto: Angop

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