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Acervo dos Dembos no Património Mundial

Alexandra Aparício directora do Arquivo Nacional de Angola exibe o certificado da UNESCO

A directora do Arquivo Nacional de Angola, Alexandra Aparício, disse quarta-feira em Luanda que o acervo histórico dos Dembos entrou este ano para a “Memória Mundial” da UNESCO, onde vai fazer parte do Património Histórico da Humanidade.
Alexandra Aparício afirmou que o Arquivo Nacional de Angola recebeu com satisfação a informação de que o seu pedido para a candidatura do projecto de inscrição do arquivo dos Dembos, no Bengo, para a “Memória do Mundo”, foi aceite pela UNESCO.
Alexandra Aparício adiantou ainda que a documentação enviada à UNESCO como proposta vai ser apresentada numa mostra, a ser realizada no mês de Novembro, no Arquivo Nacional de Angola, no âmbito do programa do Executivo sobre o “Novembro Cultural”.
O Arquivo Nacional de Angola, através do Ministério da Cultura, vai trabalhar na documentação por ser um acervo “extremamente” importante para os angolanos, tendo em conta a nossa identidade, resistência e origem, disse a directora.
Esta vitória, para Alexandra Aparício, não é apenas dos homens de cultura, mas de toda a nação, porque “é a cultura nacional que vai estar espelhada, doravante, em todo o mundo”. Acrescentou que a documentação vai servir de pesquisa a especialistas nacionais e estrangeiros.
A referida documentação, disse, que trata da correspondência que o potentado dos Dembos trocou, ao longo dos anos, com as autoridades portuguesas, foi levada para Portugal por um médico e antropólogo e ficou depositada no Arquivo Histórico Ultramarino. Salientou que a documentação, que esteve em mau estado de conservação, já recebeu o devido tratamento, para se tornar legível.
A responsável afirmou que o Arquivo Nacional de Angola contou com o auxílio do Arquivo Histórico Ultramarino, de Portugal, para a candidatura do processo de inscrição do acervo dos Dembos, por aquela instituição portuguesa ter em sua posse a maioria da documentação.

Para a ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, esta vitória é de todo o país. “É sobretudo um feito histórico para as autoridades tradicionais dos Dembos.” Rosa Cruz e Silva revela a extrema importância da documentação para o conhecimento da História de Angola.
A ministra da Cultura afirmou que a documentação mostra ainda a correspondência das autoridades coloniais, quer para o interior de Angola como para a antiga metrópole. “Ela dá novas informações e perspectivas na abordagem da História de Angola. Estamos perante uma informação de extrema valia para o país, uma vez que a documentação deixa de ser pertença somente dos angolanos e passa a ser propriedade da humanidade”, justificou.
Rosa Cruz e Silva acrescentou que com a aceitação do acervo dos Dembos a responsabilidade de preservação da cultura nacional aumenta consideravelmente.

 

Mário Cohen

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Mota Ambrósio

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