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Famílias khoi-san têm vários apoios

Apoio do governo provincial e da sociedade civil visa a integração das populações khoi-san habituadas a uma vida nómada

As rugas no rosto de Joaquim Tchincapi revelam o longo tempo vivido na povoação de Derruba, sua terra natal, localizada nos arredores do município de Quipungo, na província da Huíla.
Com 82 anos, Joaquim Tchincapi é uma das autoridades tradicionais da comunidade khoi-san. Com a bengala, o mais velho consegue levantar-se, manter-se de pé, caminhar lentamente e afugentar cães, gatos, ratos e outras espécies que perturbam a sua tranquilidade.
Sobre a bengala, avô Tchincapi, como é conhecido, liga o objecto à época juvenil em que começou a caçar animais selvagens perigosos, com destaque para jibóias, jacarés, onças, javalis, hienas, entre outros.
“Este pau é de muito tempo. Eu ainda era jovem quando o arranjei por medo e perigo dos animais da mata”, sublinhou a autoridade tradicional.Quanto às dificuldades que a zona enfrenta, o soba disse que as questões que têm a ver com as crianças são as mais preocupantes, uma vez que os meninos trocam os estudos pela caça de pequenos animais do mato, como coelhos e perdizes.
A autoridade tradicional regozija-se com o permanente apoio alimentar, vestuário e assistência medicamentosa por parte do Executivo, através das direcções provinciais da Assistência e Reinserção Social, da Saúde e Educação.

“As pessoas que estão a cultivar, mas ainda sem sucesso, e aquelas que ainda preferem a caça e a recolecção de frutos silvestres recebem constantemente muitos apoios do Executivo”, reforçou.
Joaquim Tchincapi afirmou que já existem terrenos para serem trabalhados, animais para criação, sementes, fertilizantes e instrumentos de trabalho. Contam ainda com o apoio técnico de especialistas do sector da Agricultura que ensinam estes cidadãos a trabalhar a terra e cuidar dos animais.
Joaquim Tchincapi revelou que a cesta básica distribuída, a cada dois meses, pelo Ministério de Assistência e Reinserção Social (MINARS) está a salvar vidas humanas nas zonas onde habitam, devido à insuficiência de animais e outros alimentos.
“Recebemos fuba, feijão, óleo, arroz e vestuário diverso. O Executivo dá ainda sementes, enxadas, catanas, gado para criação e tracção animal”, reforçou.
Em Nonguelengue (Chibia), afirmou, há quem consumiu, além da cesta básica, os animais para reprodução e as sementes. “Os do Quipungo estão a produzir bem o milho, massango, massambala, feijão e hortaliças.”
Os khoi-san são povos que habitam maioritariamente alguns pontos dos municípios do Quipungo e Chibia (Huíla), Virei e Camucuio (Namibe), Cuvelai e Cahama (Cunene), sul do Kuando- Kubango, norte da República da Namíbia e na África do Sul.

Entrega de terras

O primeiro título de concessão de terra, no âmbito do Direito Consuetudinário, foi oficialmente entregue, há quatro anos, à comunidade khoi-san residente na povoação de Mutimbake, arredores do município de Quipungo.
A entrega ocorreu aquando da realização da I Conferência Regional das Comunidades, decorrida sob o lema “Angola, os San e o Desenvolvimento”.
O director da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pesca da Huíla, Lutero Campos, revelou que os khoi-san recebem do Estado, entre outros apoios, inputes agrícolas e sementes, fornecimento de gado, repovoamento florestal, sobretudo nas famílias que habitam no Lubango, Cacula, Chibia e Quipungo.

Assistência permanente

A direcção provincial do MINARS presta assistência alimentar e outros bens com regularidade a um número considerável de famílias necessitadas de vários pontos da Huíla, com destaque dos khoi-san, contribuindo deste modo para o bem-estar de crianças, jovens e adultos.  A directora local do MINARS, Catarina Manuel, confirmou que a cesta básica, composta por farinha de milho, óleo vegetal, feijão, sabão e roupa usada é entregue de dois em dois meses às famílias.
As 500 famílias khoi-san de povoações localizadas nos municípios da Chibia e Quipungo fazem parte do programa de inserção em acções úteis. “A maioria das pessoas abrangidas aderiu com facilidade à prática da agricultura, manufactura de vários objectos, criação de animais, como gado bovino, caprino e aves.”
Catarina Manuel disse que a caça e recolha de frutos selvagens já não tem dado resultados positivos, com vista à sobrevivência. Salientou que foram também construídas, em várias povoações, casas típicas da preferência dos khoi-san.
A iniciativa está a facilitar a integração dos populares, acções de sensibilização e mobilização para adesão ao cultivo e reprodução de animais.  Catarina Manuel considerou importante a reintegração dos khoi-san nas actividades agro-pecuárias nas localidades onde habitam, com vista à diversificação de alimentos.

 

ESTANISLAU COSTA  | Lubango

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Estanislau Costa

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