Segunda-feira, Fevereiro 6, 2023
10.6 C
Lisboa

MPLA tem medo da alternância política

presidente do Partido Popular, David Mendes,

O PAÍS ouviu alguns dos dirigentes de partidos políticos da Oposição acusados de encabeçarem uma conjura com o fim último de derrubar o Presidente da República, que, além de rebateremas acusações, questionam a “postura incorrecta” de instituições que deveriam estar “ao serviço do Estado e não do partido do poder”.
O presidente do Partido Popular, David Mendes, sobre a polémica, menciona a posse de informações confidenciais de que o MPLA diz ter conhecimento que só poderiam ser obtidas a partir dos serviços de segurança.
Do ponto de vista do conteúdo da intervenção de Bento Bento, o político oposicionista considera que “Bento Bento baixou muito, porque não sabe viver em democracia. Na democracia há alternância e retirar o regime ou governo que está no poder é um elemento básico em democracia”. No entender do político, esta atitude do primeiro secretário de Luanda do MPLA denota um certo medo à alternância, deixando claro que este partido não é democrata.
Para o político chegou o momento de pôr termo à teoria da “insubstituibilidade” do Presidente da República, lembrando que enquanto cidadão este cumpre uma missão, porém é um cargo que pode ser ocupado por qualquer pessoa que reúna os requisitos e aspire a chegar à presidência.
“Porquê que não. É uma profissão. É uma ocupação temporária e qualquer cidadão tem legitimidade de concorrer para aquele posto”, frisou o também advogado.

Executivo não saber lidar com a alternância

No actual contexto, o líder do Partido Popular considera que o Executivo não sabe lidar com a alternância diante ou não da pressão das manifestações, por temer a perda do poder, lembrando que estar no poder ou na Oposição faz parte do jogo democrático. “Quando um dito líder que não é líder, é um bajulador, vem a público dizer que o seu partido é constituído por milhões, é mau. Só os partidos ditatoriais do tipo comunista são os que têm milhões de seguidores ou milhões de membros. As pessoas não precisam ser membros do partido”, alegou o advogado para quem o seu partido não precisa de ter milhões de membros, mas votantes que confiem no programa eleitoral e liderança.
“Você hoje no mundo, por exemplo, em países civilizados, você não encontra sedes de partidos iguais ao ‘Kremlin’ de Angola. Não encontra funcionários públicos a ser obrigados a ter o cartão de um dito partido”, referiu o advogado, que conclui serem atitudes que não fazem parte do mundo civilizado, razão pela qual apela ao partido no poder a adoptar atitudes civilizadas.

Poder pode ser derrubado na rua

Para o advogado, a forma ideal para derrubar o poder é a via das urnas, porém sustenta que o derrube “pode acontecer na rua”, aconselhando que a forma de o MPLA afastar este receio passa por uma boa governação. “Diante deste facto ninguém iria pretender apeá-los do poder pura e simplesmente”, disse.
“Enquanto continuarem a tratar os angolanos como indivíduos de segunda, enquanto tivemos um governo corrupto, ou saem pela via das eleições ou saem por via de manifestações na rua ”, afirmou.

Sou presidenciável

O advogado David Mendes interpreta a sua inclusão no chamado “eixo do mal” por ser um cidadão com quesito presidenciável, uma vontade que, aliás, voltou a reiterar;
“já disse isto e repito, eu vou candidatar-me às eleições presidenciais. José Eduardo dos Santos é um cidadão como eu, e tenho legitimidade de concorrer à Presidência da República. Porquê que eu não posso? O que José Eduardo tem que eu não tenho? Ter mais dinheiro isto não importa. Ter contas com grande volume de dinheiro no estrangeiro, como alguém tem provas que apresentemos. Eu tenho provas e posso apresentar estas provas. Se vocês quiserem mostro-vos estas provas”.

Serviços de Inteligência estão ao serviço do MPLA

O Partido Popular exige explicações por parte dos responsáveis dos Serviços de Inteligência Interna ou Externa, vindo publicamente esgrimir as razões que levam estes dois órgãos do Estado angolano a municiar o partido no poder com informações só possível de obter por via confidencial. Esta preocupação consta de um dossier que o Partido Popular preparou e brevemente deverá submeter à Procuradoria-Geral da República, segundo o seu presidente, com o intuito de apurar estas denúncias.
“Os serviços de inteligência estão ao serviço do Estado e não de partido político”, disse o político que alega ser esta a prova evidente de que o MPLA instrumentaliza as instituições públicas ao seu serviço, facto que assinala ser muito grave em democracia, porque demonstra que se está diante de um partido-Estado.
“Isto mostrou a baixeza do próprio 1.o secretário do provincial de Luanda do MPLA, que veio falar em nome do Bureau Político,quer dizer em nome de José Eduardo dos Santos, a dizer que o MPLA recebe informações dos serviços de inteligência. Isto é muito grave e ele não tem noção do que disse”, sublinhou David Mendes.
“Quando nós dizemos que os serviços de informação andam a nossa trás, faz acompanhamento visual das nossas pessoas, que os nossos telefones e emails estão sob escuta e by-pass”, disse o político que entende que as declarações de Bento Bento para os líder do PP veio da pior forma provar num órgão público uma antiga suspeita. Chamado a comentar a última medida do Governador Interino da Província de Luanda, sobre a proibição de manifestações no largo da independência, David Mendes disse que é uma atitude própria dos regimes autoritários que não abrem espaços mas que vai ser contrariada pela Oposição que saberá conquistar o seu espaço.

PARTIDOS PRESSIONAM UNITA A FORMAR COLIGAÇÃO

O líder do Partido Popular, David Mendes, anunciou para breve a formação de uma coligação eleitoral com o intuito de evitar a dispersão de votos nas eleições gerais a realizar-se no próximo ano.
A futura coligação eleitoral, cujo processo de formação disse estar bem avançado, está a finalizar as estratégias e poderá ser integrada pelo Partido Popular, PDP-ANA e PUP, entre outras formações partidárias.
Os precursores desta coligação aguardam por uma definição do maior partido da Oposição, a UNITA, que foi convidada a fazer parte da agrupação política.
“Gostaríamos que a UNITA integrasse a coligação, mas sem os seus símbolos. Nós vamos fazer a coligação, porque não vamos permitir dispersão de votos ”, manifestou.
Esta exigência feita ao maior partido da Oposição entrar mas sem os símbolos é defendida com o argumento da necessidade de todos serem vistos numa perspectiva horizontal, “porque há pessoas que não se revêem na UNITA, porém acreditam no projecto”, explicou. Pretende-se, para tal, um único
símbolo que deverá ser levado pela futura coligação de partidos, por forma a atingir o objectivo de evitar a dispersão de votos e concentrá-los numa só força.
“O MPLA tem medo disso, eles sabem que nós unidos não seremos vencidos. Eles dizem que somos milhões e contra milhões não se combate, isto só acontece se os milhões estiverem unidos, dispersos serão derrotados”, vincou. De acordo com David Mendes,    os subscritores desta plataforma continuam a persuadir a UNITA a ingressar na coligação, porque não obstante ser o maior partido da Oposição,deve estar convicta que    sozinha não conseguirá derrubar o MPLA.
Uma eventual vitória da UNITA passa pela adesão ao projecto que está aberto também afiguras independentes da sociedade civil que não integrem nenhum partido político.

 

Fonte: O País

Fotografia: O País

 

POSTAR COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

- Publicidade -spot_img

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Beyoncé está perto de se tornar artista com maior número de Grammys

Beyoncé conquistou dois Grammys na tarde deste domingo, na pré-gala da premiação mais prestigiada da indústria da música, onde...

Artigos Relacionados

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
  • https://spaudio.servers.pt/8004/stream
  • Radio Calema
  • Radio Calema