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Criação de infra-estruturas transfronteiriças é o caminho para as relações com a RDC

O analista de relações internacionais Francisco Ramos da Cruz

Luanda – O desenvolvimento de infra-estruturas internas que beneficiem os estados fronteiriços é um caminho apontado hoje (terça-feira), pelo analista de relações internacionais Francisco Ramos da Cruz, para o incremento da cooperação política e económica entre Angola e a República Democrática do Congo.

Em entrevista à Angop, Ramos da Cruz disse que o futuro é de integração, por isso, ambos estados devem viver em harmonia, independentemente do Governo que estiver num ou noutro lado, porque as populações têm um relacionamento muito próximo, há séculos.
O docente universitário asseverou que os angolanos e os congoleses democráticos já poderiam estar a beneficiar do estatuto de populações transfronteiriças, se não houvesse alguma instabilidade económica em muitas áreas do Congo.
Sustentou que se forem criados em Angola caminhos-de-ferro para beneficiar as exportações da RDC, que possui apenas o Porto de Matadi, o que iria também favorecer Angola, isto concorria para a criação de uma região muito mais rica, forte e coesa.
Salientou que existe, neste momento, uma intenção de se aprofundar as relações políticas, diplomáticas e económicas para o bem das populações de ambos estados membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Disse que as relações entre Angola e a RD Congo têm evoluído positivamente, nos últimos tempos, superada que está a fase da presidência de Mobutu Sesse Seko que influenciava muito a situação interna no país vizinho pela guarida que dava não só a então rebelião da UNITA, mas também apoiava a FNLA.
Com a saída de Mobutu e ascensão de Laurent Desiré Kabila ao poder, o relacionamento entre os dois estados conheceu uma melhoria, pelo facto dele ter beneficiado do apoio de Angola, da Namíbia e do Zimbabwe para a estabilidade do seu país.
“Kabila beneficiou da solidariedade dos angolanos, porque a SADC enviou os exércitos de Angola, Namíbia e do Zimbabwe que intervieram em defesa do seu território” na guerra que o opunha ao Rwanda e o Uganda, disse.
Sublinhou que há um grande interesse dos angolanos de ver o Congo estabilizado porque os dois países partilham uma longa fronteira, cujas populações convivem há muitos séculos.
“Por isso, não adianta os angolanos e congoleses-democratas viverem em quezilas. Apesar dos governos dizerem que está muito bem, mas não está tão como se queria”, enfatizou.
Frisou que em Outubro de 2010 foram expulsos pelo menos 60 mil angolanas da RDC sem aviso prévio, além disso, ambos países têm uma disputa territorial, sob a localização de marcos, que está sob auspícios das Nações Unidas.
Acrescentou ainda que existe igualmente um diferendo na questão do petróleo na zona da fronteira comum, instigada por potências mundiais com a França à cabeça, tendo apontado também um pequeno incidente com a barragem do Inga.
Afirmou que o Congo Democrático tinha permitido a execução de um projecto que deveria beneficiar outros países da região, designadamente, Angola, tendo as autoridades congolesas inviabilizado a sua materialização.
Fonte: Angop
Fotografia: Angop

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