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Cabo-verdianos a viver no exterior preservam a sua identidade cultural

O governante afirmou que a globalização baralhou as coisas fazendo de todos os países simultaneamente hóspedes e hospedeiros

O primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, sublinhou o facto de nas comunidades cabo-verdianas residentes no exterior se assistir a uma “resistência” na preservação da herança cultural, tanto na língua como na música, literatura, culinária e nos hábitos e costumes.
José Maria Neves falava na sexta-feira, em Ponta Delgada, no arquipélago português dos Açores, no encerramento da 16ª Conferência Internacional Metropolis, o maior fórum mundial sobre migrações. O encontro, que decorreu entre os dias 12 e 16 de Setembro, juntou cerca de 600 investigadores, decisores políticos e membros de Organizações Não-Governamentais nacionais e internacionais, numa reflexão conjunta sobre diferentes questões que as migrações e a diversidade cultural levantam.
O primeiro-ministro cabo-verdiano fechou a sessão plenária do último dia do evento para falar sobre o tema “Manutenção das Relações com as Diásporas”, sublinhando, na sua intervenção, que a globalização “baralhou as coisas” em matéria de migrações, fazendo de todos, “simultaneamente, hóspedes e hospedeiros” e acabando com a ideia de um mundo “bem arrumado”. Para o chefe do governo cabo-verdiano, sejam quais forem as causas das mudanças registadas, “todos estamos perante o discreto embaraço de ver surgir nos nossos espaços, ainda ontem homogéneos e quase provincianos, templos de outras religiões” ou crianças “nas nossas escolas primárias com outras línguas maternas e outros hábitos”.
“Há bem pouco tempo, o mundo, no que se refere às migrações, era bem arrumado. Havia, de um lado, as sociedades de partida e, do outro, as sociedades de chegada”, realçou, reconhecendo que a nova realidade é também vivida no seu país, tradicionalmente caracterizado pela saída de residentes para o estrangeiro.
José Maria Neves admitiu que as remessas dos emigrantes constituem a “parcela mais significativa das transferências externas”, acrescentando que a sua aplicação permitiu ao país criar condições para começar a receber senegaleses, guineenses, nigerianos, italianos, chineses, brasileiros e ucranianos. Devido ao seu elevado número e à sua dispersão por 40 países do mundo, especialmente pela América e Europa, os emigrantes garantem a Cabo Verde o estatuto de “nação global”.
O fórum, sob o tema “O Futuro das Migrações: Perspectivas em Mudanças Globais”, incluiu, além de especialista na matéria de Cabo Verde, peritos do Brasil, Alemanha, Índia, Turquia, Estados Unidos, Áustria, Holanda, Reino Unido, Nova Zelândia, Jamaica, México, Filipinas, Japão, Quénia, Canadá, Itália e China.
O Projecto Internacional Metropolis é um fórum criado para unir pesquisas, políticas e práticas sobre migração e diversidade, visando melhorar a capacidade de pesquisa académica, encorajar a pesquisa sobre temas de relevância política relacionados com migração e diversidade e facilitar a utilização dessa mesma pesquisa por parte de governos e ONG.

Dez anos após a sua criação, o projecto tem crescido e inclui investigadores, políticos, ONG nacionais e internacionais da América do Norte e da Europa, e uma presença crescente em África, na América Latina e em grande parte da região Ásia/Pacífico.

 

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: AFP

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