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DNIC descobre buraco milionário na Sonangol

Sonangol

Investigações desencadeadas por agentes da Direcção Nacional de Investigação Criminal ao mais alto nível detectaram e desarticularam, há cerca de três semanas, uma rede de desvio de combustíveis para o mercado negro a partir do Centro de Distribuição de Combustíveis da Sonangol, soube O PAÍS de uma fonte que acompanha o processo.

Segundo a fonte, a prática já vem de há muito tempo e envolve funcionários da Sonangol-Distribuidora colocados naquele centro, e não só, assim como trabalhadores da Empresa Nacional de Electricidade.

Os trabalhadores da empresa pública do sector eléctrico, mencionados pela fonte, atendem a área dos grupos geradores de electricidade instalados nas oficinas centrais dos Caminhos de Ferro de Luanda, na estação dos Musseques, onde estão montados seis geradores e mais dois grupos na área do quartel da Polícia de Intervenção Rápida no interior do bairro Rocha Pinto, e no aquartelamento do Regimento de Transmissões do Estado-Maior das Forças Armadas Angolanas, respectivamente.

A fonte adiantou que fornecimentos feitos a unidades militares, que não precisou, também caíram na alçada do descaminho de combustíveis para o mercado negro, que já dura vários anos.

Funcionamento do esquema A fonte explicou que as cisternas de combustível, de 35 mil litros cada uma, saíam da base do Centro de Distribuição de Combustíveis da Boavista, concretamente dos reservatórios BV-1 e BV-5, com notas de entrega aos postos indicados. Chegados ao local de entrega, o funcionário da ENE certificava a entrada do combustível em conluio com os funcionários da Sonangol, mas era de seguida desviado para o circuito de comércio ilegal, onde cada cisterna era vendida ao preço de 12 mil dólares americanos.

Disse a fonte que há clientes de todas as esferas mas, adiantou, “os chineses também estão metidos na negociata e são os principais compradores da gasolina e gasóleo”, acrescentando que a área onde preferencialmente era comercializado o produto é a extensão da via-expressa Benfica-Cacuaco.

“Nessa via prendemos um cidadão chinês que receptava o combustível desviado do circuito legal”, afirmou a fonte deste jornal.

Por via deste expediente, o transbordo de combustível pode ser visto em qualquer bairro à luz do dia a partir de carros cisternas com o logótipo da concessionária nacional de combustíveis, tal como se vê a venda fraccionada por pessoas comuns.

UM CLIMA DE ANSIEDADE INSTALA-SE NA SONANGOL

Funcionários desta concessionária de combustíveis estão tomados de verdadeiros sentimentos de ansiedade quanto ao desfecho das investigações da sua actividade realizada por peritos pouco habituais nas suas instalações.

A descoberta dos primeiros sinais da trama que a fonte reputou de “crime organizado de natureza económica” levou a Polícia de Investigação Criminal a destacar os melhores oficiais, prescindindo mesmo dos habituais agentes da Polícia de Inspecção e Investigação das Actividades Económicas.

Descoberta a trama, por se saber está o valor total dos danos causados ao Estado através desta prática dolosa contra a economia nacional, até aqui.

UM TORPEDO CONTRA A SUBVENÇÃO DOS COMBUSTÍVEIS

Esta prática criminosa redunda, certamente, num golpe devastador aos esforços de subvenção dos combustíveis ao consumidor por parte do Estado angolano, que se priva de uma importante fonte de receitas para o seu orçamento geral, no afã de desagravar o custo de vida da população com menos posses financeiras para a suportar no caso de uma subida do seu preço.

Noutra linha, entretanto, os beneficiários dos fundos desta actividade ilegal acumularam lucros fabulosos em proveito próprio, exibindo sinais de riqueza incompatíveis com os salários que auferem.

“Vimos funcionários de nível razoável a conduzirem carros de luxo como “tubarões” no Centro de Distribuição de Combustível”, disse a fonte de O PAÍS com alguma admiração.

Uma fonte de O PAÍS na ENE confirmou a informação e atribui as causas do descaminho do combustível para fazer funcionar os grupos geradores a um “sistema de controlo frágil”.

“Eu também já ouvi esta informação. A rede é muito antiga. Sabemos que só assinavam os papéis mas não deixavam o combustível”, corroborou a fonte.

 

Fonte: O Pais

Fotografia: O Pais

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