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EPAL toma medidas para abastecer Luanda de água

Albertino Viegas diz que a EPAL reconhece que a sua capacidade instalada já não consegue responder à procura pela população da capital do país do precioso líquido

A Empresa Pública de Águas de Luanda tem vindo a enfrentar um conjunto de dificuldades, entre as quais se destaca o défice de produção para abastecer a população de Luanda, admitiu o seu director-geral adjunto para a área de Projectos e Investimentos. Em entrevista ao Jornal de Angola, Albertino Viegas revelou que, dentro de dois a três anos, a questão fica resolvida com a cons­trução das Estações de Tratamento de Água do Bita e da Quilonga Grande. A extensão das redes domiciliares constitui igualmente uma das prioridades.

Jornal de Angola – Por que razão a distribuição de água potável na cidade de Luanda ainda é deficiente?
Albertino Viegas – São várias as razões, mas a de maior peso é o défice na produção de água potável. Neste momento, a nossa capacidade instalada já não consegue responder à procura.

JA – Que estratégias estão em curso pela empresa  para pôr fim a essa situação?


AV – A EPAL tem vindo a implementar uma série de projectos. Estamos a lançar dois concursos que visam a construção de dois grandes sistemas que, em princípio, vão reduzir consideravelmente, senão mesmo resolver, o problema de abastecimento de água à cidade de Luanda. Falo das Estações de Tratamento de Água do Bita e do Quilonga Grande.

JA – Qual é a situação pontual dos dois projectos?

AV – Ainda não passámos para a fase de construção, mas o concurso que lançámos engloba estudos, projectos e execução, porque o tempo já não está a nosso favor e pensamos, a curto prazo, ultrapassar esse problema e, rapidamente, passar à construção das duas novas estações de tratamento de água.

JA – Quais são as vantagens imediatas destes investimentos?

AV – Se hoje existem áreas que não conseguimos abastecer 24 horas por dia, com esses investimentos essa condição deixa de existir. As duas estações vão ser construídas nas margens do rio Kwanza. Basicamente, o Bita deve abastecer as áreas do Benfica, Ramiros, a Cidade do Kilamba e reforçar a parte central da cidade de Luanda, especificamente o Centro de Distribuição da Maianga, Palanca e Talatona. Em relação ao Quilonga Grande, perspectivamos o abastecimento do novo Aeroporto, a Catete, Quilómetro 44 e Kapalanga.  Com a Estação de Tratamento de Água do Quilonga Grande, o abastecimento de água a Viana e à centralidade do Sequele vai ser reforçado.

JA – Já existe um horizonte temporal para o surgimento das novas estruturas?

AV – Creio que isso pode levar dois a três anos. Tratando-se de mega projectos, devem ser faseados e acredito que hão-de arrancar de forma paralela. Portanto, as nossas perspectivas são óptimas.

JA – Qual é a actual capacidade de produção de água e o que esperam produzir com as novas estações do Bita e do Quilonga Grande?

AV – Actualmente, salvo erro, a nossa produção ronda qualquer coisa como cinco metros cúbicos por segundo de água. Se adicionarmos a este valor os seis metros cúbicos por segundo que prevemos produzir em cada uma das estações em projecto, estamos em condições de triplicar a produção. E significa que podemos ter o nosso problema resolvido. Mas, a questão passa também pela dinâmica do próprio desenvolvimento da cidade de Luanda que, a longo prazo, pode tornar insuficiente a capacidade actualmente projectada.

JA – Quais os critérios que a EPAL utiliza para a implantação dos seus projectos?

AV – Existe um plano director da cidade de Luanda, do qual somos parte integrante. Em função disso, a empresa analisa, entre vários itens, os défices, o eixo de desenvolvimento e as previsões de crescimento habitacional, e é com base nessas premissas que projectamos as nossas acções.

JA – Que alternativas foram colocadas à disposição da população de Luanda para fazer face à carência de água?

AV – Temos em carteira alguns projectos a curto prazo. Estamos a falar do funcionamento de 400 fontanários nas zonas do Cacuaco, Benfica, Sapú, enfim, que entram em funcionamento como alternativa imediata.

JA – Até lá, o que podem esperar as populações que ainda não beneficiam de água da EPAL?

AV – Nesse aspecto, aquilo que é a nossa prioridade é expandir a rede domiciliar. Mas cada situação é uma situação, pois existem populações a viver em zonas urbanizadas e outras em zonas por urbanizar, e esta última condição torna difícil a nossa actuação. Exemplo disso é o recurso aos chafarizes que já não podia ser vista como uma situação normal. Vamos continuar a trabalhar em conjunto com o Governo Provincial de Luanda e o Ministério do Urbanismo e Construção para que possamos ter condições de levar água às populações dentro daquilo que é o âmbito dos nossos serviços.

 

Adalberto Ceita

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Maria Augusta

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