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Costa do Marfim Viver em Yamoussoukro como quem está em casa

Yamoussoukro

Yamoussoukro, capital política e administrativa da Costa do Marfim, acorda tarde e dorme até mais tarde ainda. Estive lá sete dias e tive a sensação de estar em casa. De manhã cedo, a cidade fica sem movimento de pessoas e carros na zona urbana. Mas começa a ganhar vida por volta das oito da manhã com a ida dos alunos para as escolas, zungueiras para os mercados, a abertura das lojas e as buzinas dos táxis e carros ligeiros.Em Yamoussoukro os táxis são Toyota Corolla brancos com barras verdes e vermelhas. Os taxistas não determinam a rota como em Luanda: São Paulo/Cuca ou S.Paulo/Mutamba. Quem determina a rota é o primeiro passageiro a entrar. Se pedir que o deixem no Grande Mercado, o taxista só deve transportar pessoas que vão para esse destino. Seja qual for a distância, cada corrida custa 250 francos CFA, moeda usada na África Ocidental. O câmbio é de um euro para 655.656 francos. Vejam só como é muito mais barato do que em Luanda.

Cidade adormece tarde

Yamoussourkro adormece tarde. Às duas horas da manhã ainda há multidões nos cabrités e barracas de comes e bebes. Ouve-se também música com o volume no máximo. Quem quer dormir que aguente. É tal e qual, certas zonas de Luanda.
Mas há outros aspectos em que a capital da Costa do Marfim parece a nossa cidade da Kianda. À frente do hotel, os miúdos improvisam balizas e jogam futebol de manhã, à tarde e à noite, sem preocupações. Durante o “trumunu” os automobilistas, como em Luanda, buzinam insistentemente para que os “sucessores” de Drogba, Salomon Kalou e outros grandes jogadores da selecção da Costa do Marfim parem o jogo.
Em Yamoussoukro há também quem ande com carros de mão feitos de madeira, transportando mercadorias a troco de umas moedas. Na sua maioria são jovens que se dedicam à actividade. A diferença para Luanda é que os nossos roboteiros cobram muito mais.

No final do mês de Agosto comemorou-se em Yamoussoukro o Dia da Medicina Tradicional. A OMS reuniu especialistas na matéria à volta de um debate sobre “Conservação das Plantas Tradicionais – O Património de África”. Nesse dia um dos mercados de Yamoussurkro encheu-se de vendedores e compradores, na sua maioria árabes. Na feira estavam expostos medicamentos tradicionais para a cura de todas as doenças e mais alguma, menos para a falta de dinheiro. Muitos clientes estrangeiros andam à procura de Viagra natural. Nos tempos que correm a natureza é madrasta para os que têm esta doença.
Durante os trabalhos da OMS, o médico angolano Luís Gomes Sambo, director regional para África, pediu aos governos africanos que dêem uma especial atenção à medicina tradicional. Gomes Sambo aconselhou a concessão de incentivos ao sector privado para a investigação e formação na medicina tradicional e defendeu o cultivo e conservação das plantas tradicionais.

Rumo a Abidjan

A viagem de Yamoussoukro a Abidjan, num sábado ameno, apesar de longa, faz-se bem quando se parte muito cedo. A nossa foi feita num mini autocarro. Por causa da instabilidade que ainda se vive no país, a viatura é escoltada por um jeep das Nações Unidas.
O motorista levou quatro horas a fazer os 240 quilómetros entre as duas cidades. Ao longo do percurso de terra batida vêem-se também as praças improvisadas. Umas zungueiras comercializam frutas e legumes, outras frescos, peixe seco e roupas africanas. Outras ainda vendem mobílias.
A estrada é atravessada também por camiões que transportam madeira de Yamoussoukro para Adidjan. A viagem é feita sem nenhuma paragem, por razões de segurança. A entrada em Abidjan é feita às dez da noite.

Engarrafamento monumental

Depois de tanto tempo de viagem, continuamos a sentir-nos em casa, porque mal entrámos em Abidjan fomos saudados por um engarrafamento monumental, igualzinho aos de Luanda.
Os vendedores ambulantes e ardinas estão espalhados pelas ruas, fazendo nos passeios publicidade aos seus artigos. Os armazéns, lojas e mercados estão cheios de gente e de produtos. E nos “restaurantes” e bares improvisados, também estão lá os vendedores ambulantes a assediar o visitante.
Nas ruas de Abidjan há muitos militares armados. Aqui a cidade destoa e muito de Luanda. Nós, felizmente, já há muitos anos que banimos essa imagem das nossas cidades.
Na reunião da OMS, a ministra da Saúde e da Luta Contra a Sida da Costa do Marfim, Thérèse N’Di Yoman, garantiu que o seu país está a recuperar, e pediu o apoio de todos os irmãos africanos para se consolidar a reconciliação.

 

Pereira Dinis | Yamoussoukro

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Google

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