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Novos hospitais nos municípios

Centros de saúde a nível de cada município possuem condições de atendimento à população

Muitos são os populares em Luanda que se dirigem de pronto às denominadas unidades hospitalares de referência, evitando os centros e postos de saúde próximos aos locais em que residem. O fenómeno tem criado constrangimentos no funcionamento das instituições hos­pitalares, algumas das quais de carácter provincial ou nacional. As autoridades de saúde ensaiam o funcionamento para breve de quatro hospitais municipais, que podem mudar a situação dos utentes.
A cidadã Amélia Vunge, moradora do município do Cazenga, disse que sempre que é acometida por uma enfermidade, por mais simples que seja, recorre ao Hospital Américo Boavida.
Amélia Vunge afirmou que a opção é motivada por escassez de médicos nos centros municipais, sobretudo no período nocturno.
“Muitas vezes recorri ao Américo Boavida e sempre fui bem atendida. Tenho um familiar que lá trabalha e isso tem ajudado no atendimento”, sublinhou  Amélia Vunge.
Mas nem todos têm a mesma sorte de Amélia Vunge. Quarta-feira, quando a reportagem do Jornal de Angola chegou àquele hospital, era visível o desconforto no rosto de alguns pacientes. Por exemplo, Edmar Salomão, 28 anos, queixou-se da longa espera.
“Cheguei aqui às sete horas da manhã, fiz a triagem e depois pediram-me para aguardar. Os técnicos de saúde alegam que os casos graves estão em primeiro, mas já se passaram mais de cinco horas.”
Tal como ele, dezenas de pessoas entre pacientes e familiares encontravam-se concentrados próximo do banco de urgência. De tanto esperar alguns pacientes a­bandonaram o hospital sem serem atendidos. Na Maternidade Augusto N­gangula, a história pouco difere e muitos cidadãos chegam a dormir à porta da mesma. Helena Sangombe é uma entre várias pessoas que lá encontrámos.

Ela vive em Cacuaco e disse que procedia desta forma para acudir às necessidades de familiares próximos. Lembrou que a primeira vez aconteceu com uma sobrinha e agora revive a experiência para atender a filha que está internada.
“Eu mesma quando vim ter o parto fiquei com a saúde prejudicada por na época não ter alguém da família por perto para me apoiar”, salientou.
Anteriormente, somente as mulheres passavam a noite à porta dos hospitais, mas ultimamente, os homens fazem-lhes companhia. Helena Sangombe acredita que o fenómeno se liga às condições de atendimento perante um fluxo grande de utentes.

Falta de confiança

A falta de confiança nas unidades sanitárias que se localizam na periferia e a eventual escassez de médicos foram apontadas pelo directora provincial de saúde de Luanda como as prováveis causas que levam os utentes a evitar os serviços municipais.
Isabel Massocolo, especialista em saúde pública, garantiu que, na generalidade, os centros hospitalares a nível de cada município possuem condições de atendimento à população e adiantou que as autoridades sanitárias estão empenhadas no melhoramento das condições actuais.
A maior parte das unidades da periferia, realçou, dispõe de ambulâncias e aparelhos de rádios de inter-comunicação para atender situações de emergência que fogem do seu âmbito de resposta.
Isabel Massocolo manifestou o empenho na reorganização da assistência pediátrica e materna na província de Luanda, capital de Angola, e solicitou o bom senso e colaboração dos utentes de saúde com vista à reorganização do sistema de saúde na periferia.
“A reorganização nos centros vai permitir reorganizar também o sistema de funcionamento dos serviços nos hospitais de referência”, disse a médica angolana.
A directora provincial de saúde de Luanda, Isabel Massocolo, informou também que existem centros na periferia com um médico de serviço a funcionar 24 horas por dia para atender casos de pediatria e de mulheres grávidas.
“Era bom que a nossa população aderisse a esses serviços e não se acumulassem todos nos grandes hospitais. Os nossos colegas que lá trabalham são seres humanos e naturalmente ficam sem capacidade de resposta.”

Passos a ter em conta

Um dos passos a seguir antes de procurar auxílio nos hospitais de âmbito provincial ou nacional é a busca de auxílio nos centros de saúde.
O conselho é da doutora Isabel Massocolo, que garantiu a existência na província de Luanda de 104 centros e postos de saúde nos nove municípios.
Além de se manifestar preocupada com as constantes enchentes nos hospitais de Luanda, insistiu no bom senso da população para a resolução do problema e ressaltou que a nível da periferia tudo tem vindo a ser feito para a abertura de novas unidades. Apontou a recente inauguração do hospital municipal da Samba como um ganho com frutos visíveis.
A unidade da Samba, adiantou, tem vindo a prestar auxílio na resolução de alguns casos vindos dos hospitais de grande referência em Luanda e lamentou que a opção maciça por esse hospital complique o atendimento.
A carência de médicos vem de longe e Isabel Massocolo tem esperança de que o problema pode ficar resolvido em breve com a chegada de novo pessoal, particularmente, jovens que estão em fim de formação no exterior do país.
“Nós próprios é que temos de nos organizar para que a população tenha confiança e esperança no trabalho que está em curso”, disse.

Capacidade de  internamento

Nos próximos tempos, quatro municípios de Luanda podem conhecer outro rumo em função das opções no atendimento. A directora provincial de saúde de Luanda revelou ao Jornal de Angola que ainda este ano vão ser inaugurados os hospitais municipais de Viana, Cazenga, Cacuaco e Sambizanga. Vão receber as transferências das unidades de referência. Isabel Massocolo disse que cada unidade hospitalar tem capacidade de 75 camas para internamento.
Por hora, foram criadas comissões instaladoras, enquanto técnicos estão a tratar dos pormenores inerentes à inauguração.
“Estamos na fase de reestruturação, que inclui processo de equipamento e experiência, transferência do pessoal médico e auxiliar”.
Em relação às pessoas que dormem à porta dos hospitais, Isabel Massocolo apelou à mudança de comportamento e de atitude e considera que é um problema conjuntural e cultural que pode ser invertido na relação entre pessoal médico, pacientes e munícipes.
A directora provincial de saúde de Luanda revela que o governo provincial tem em curso medidas de melhoria dos acessos aos novos hospitais, um trabalho que está a ser feito de forma integrada.
Isabel Massocolo mostra-se também preocupada com as condições precárias de algumas vias rodoviárias de acesso e considera preocupante a situação do município do Cazenga, um dos mais populosos de Luanda.
“O nosso objectivo é evitar os constrangimentos no atendimento médico e facilitar a vida, fundamentalmente daquelas pessoas com poucos recursos e para isso a sociedade deve prestar o seu contributo”, disse Isabel Massocolo.

 

Adalberto Ceita

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Kindala Manuel

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