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Manifestação de jovens resulta em feridos, detenções e agressões

Cerca de 300 manifestantes desfilaram pela Avenida Joaquim Kapango, em direcção ao Palácio Presidencial. A polícia conseguiu travar os manifestantes já perto de mil e quinhentos metros do local de onde partiu, em parte graças a intervenção de homens à civil fisicamente bem constituídos que se supõe pertencerem as forças especiais.

Várias pessoas ficaram feridas, outras detidas e alguns jornalistas agredidos em consequência da manifestação que hoje um grupo de jovens angolanos  realizou em Luanda para exigir a destituição do presidente José Eduardo dos Santos.
A polícia nacional reprimiu violentamente a marcha de centenas de manifestantes que se dirigiam para o palácio presidencial, na cidade Alta.

Pelo menos dois feridos foram registados durante as investidas protagonizadas pela   polícia que teve de pedir reforços em homens e meios.

A VOA não pode avaliar com que gravidade foram feridas as vítimas, sendo que todos eles fazem parte da organização segundo pudemos presenciar no terreno.

A refrega tomou contornos de violência pura, nas imediações do hospital militar nas Ingombotas e prosseguiu ao longo da Joaquim Kapango, quando os reforços policiais que vinham de várias direcções, cruzaram com os manifestantes.

Tudo que se podia perceber, era o colossal esforço dos homens, no sentido de  o mais distante do palácio  travar a marcha.Talvez o fracasso nesse sentido, equivaleria a sobrevivência no cargo de um dos comandantes de Luanda.

A refrega prosseguiu ao longo da rua Joaquim Kapango na direcção da baixa de Luanda, nas cercanias da igreja Sagrada Família.

Esta saída para o palácio não fazia parte do itinerário inicial. Mas as coisas ter-se-ão agudizado e os jovens resolveram partir depois que terminou um prazo por eles próprios fixado, exigindo o regresso à liberdade de Pandita Nehru detido, e até então em parte incerta.

Lembro que Pandita Nehru foi raptado pouco antes das 12:00, hora marcada para o início da manifestação na praça da Independência. Ele e um companheiro que responde pelo nome de Ramalhete faziam parte dum grupo avançado da organização que seguia para o reconhecimento do local.

Contou-nos Ramalhete que a cerca de 100 metros da praça, vindo do S. Paulo, nas imediações de uma estação de serviço da petrolífera nacional, homens á civil em número de seis, armados com metralhadora kalashnikov desembarcaram de duas viaturas, com matrícula normal, e os abordaram em conversas críticas sobre a situação social actual… no que aparentava ser uma conversa normal.

Instantes depois forçaram Nehru a subir para uma das viaturas. Tentaram arrastá-lo também (Ramalhete) mas não conseguiram, em parte devido a  solidariedade dalguns presentes no local que queriam saber o que se estava a passar.

A polícia conseguiu travar os manifestantes já perto de mil e quinhentos metros do local de onde partiu, em parte graças a intervenção de homens à civil fisicamente bem constituídos que se supõe pertencerem as forças especiais.

Os jornalistas sobretudo da imprensa internacional não foram poupados.

Meios e haveres, como documentos, ficaram em posse destes numerosos carrascos, um deles e de grande protagonismo, trajando T-Shrt esverdeada, todos eles agindo indiscretamente e no que se podia verificar, com cobertura da polícia.

A VOA presenciou o momento em que  alguns dos organizadores foram transportados pela polícia, para parte que não conseguimos assegurar qual. Destaque-se os nomes de   Alexandre Dias dos Santos e um outro que responde pelo nome de Carbono.

A marcha d’hoje que concentrou centenas de pessoas na praça da independência  diferiu das demais até hoje conhecidas, pela contundência da polícia, bem trajada e também bem comportada no início, com um uniforme que não era o de campanha mas em perfeita coordenação com indivíduos de boa compleição física à civil, na língua kimbundu kahinchas que se encarregaram de desferir os socos.

 

 

 

 

Alexandre Neto | Luanda, VOA News

Foto: (VOA News)

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