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Christiane Schulte fala de bom cinema

Todas as terças-feiras, o Goethe-Institut Angola realiza uma sessão de cinema, aberta ao público, no terraço da Universidade Lusíada de Angola, em Luanda. Os filmes são exibidos a partir das 19 horas e estão inseridos no projecto “Cinema no Telhado”.
Para explicar os critérios de selecção dos filmes, que não se limitam à cinematografia alemã, a directora do Goethe-Institut Angola, Christiane Schulte, concedeu ontem uma entrevista ao Jornal de Angola.
Christiane Schulte pronunciou-se também sobre o interesse ou não de se divulgar filmes angolanos, a participação do público e as razões que levaram à criação do “Cinema no Terraço”, que teve o seu arranque em Junho. Informou, ainda, que o projecto constitui um espaço cultural alternativo, para divulgação de novos conteúdos, criação de novos públicos e edificação de pontes culturais.

Jornal de Angola – Dois meses depois do arranque do “Cinema no Telhado”, qual é o balanço?

Christiane Schulte – Um balanço positivo. Os filmes têm sido bem recebidos pelo público, que tem assistido às exibições em grande número. Por outro lado, temos recebido críticas muito favoráveis e encorajadoras.

JA – As sessões de cinema têm  público dirigido?

CS – Não, pois o ciclo foi pensado para cinéfilos, em geral, e para todos os amantes da Sétima Arte.

JA – Por que não existe debate   após a exibição?

CS – Foi uma das ideias iniciais criar um espaço de debate, principalmente para os filmes  documentários, pois estes possibilitam a reflexão de ideias que não necessitam de um entendimento especializado na linguagem cinematográfica. Por razões de ordem técnica e logística tivemos que, momentaneamente, adiar esta intenção.
Para os filmes de ficção, seria necessária a presença de um dos intervenientes criativos da obra para debater algum ponto de vista estético ou técnico do mesmo.
Tendo em conta a programação passada, cujos filmes foram todos realizados por equipas internacionais, seria oneroso fazê-lo.

JA -Os filmes não se limitam às produções alemãs. Sobre África, quais são as preferências?

CS – Sendo um dos objectivos desta iniciativa exibir filmes de autor e produções independentes, ou encontrar um contra-ponto para o cinema comercial, seriam este tipo de produções africanas a serem escolhidas para uma programação desta índole.

JA – Têm interesse por filmes  angolanos?

CS – Sim. Atendendo ao princípio do Goethe-Institut de apoiar a cena artística local, claro está que o cinema angolano fará parte de uma das programações futuras.

JA – Em Angola existem duas linhagens: uma amadora e outra profissional. Qual desses segmentos vos interessa?

CS – Defendendo a qualidade acima de tudo, querendo divulgar estéticas reflectidas e artisticamente coerentes e consistentes, teríamos que nos inclinar para as produções profissionais, pois acho que divulgar esta arte só fará sentido defendendo a excelência.

JA – A afluência do público é  satisfatória?

CS – Estamos muito satisfeitos com a afluência do público que se tem apresentado de forma numerosa e heterogénea, tanto no que diz respeito à idade como ao extracto social ou académico. A numerosa presença dos estudantes da Universidade Lusíada de Angola tem-nos agradado especialmente.

JA – O acesso ao espaço  obriga  a subida de muitas escadas, não é motivo de barreiras?

CS – Pelo contrário, pensamos que a localização deste ciclo tem um efeito de atracção, provado pela numerosa assistência em todas as sessões.
Podemos, no entanto, contar com o elevador que pode ajudar a deslocação até ao penúltimo andar.

JA – Como é feita a selecção dos filmes?

CS – O critério da escolha dos filmes prende-se igualmente com os direitos de exibição que o Goethe-Institut detém e da existência de legendas em português. Depois de cumpridas estas obrigações, os filmes são agrupados por temáticas que tanto podem ser geográficas, estéticas ou de género.

JA – Por que decidiram criar o “Cinema no Telhado”?

CS – Por seu um espaço cultural alternativo, para divulgação de novos conteúdos, colaboração com entidades académicas de prestígio e reconhecido mérito, criação de novos públicos, edificação de pontes culturais, nomeadamente a ponte entre Angola/Alemanha e África/Europa/Mundo, respectivamente. E, claro está, a colocação do cinema no lugar que lhe pertence por direito.
Foram estas as razões principais desta aventura no telhado. Quem quiser estar actualizado, semanalmente, sobre a programação do “Cinema no Telhado”, pode consultar o Goethe-Institut Angola na internet, através do facebook ou solicitar a nossa “Newsletter”, contactando para o efeito o “site” info@luanda.goethe.org.

Fonte: Jornal de Angola

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