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Manuel Pinto da Costa promete estabilidade

Depois de ser anunciado o resultado da vitória, Pinto da Costa rompeu um silêncio de 20 anos e concedeu a sua primeira entrevista ao Jornal de Angola, agradecendo a forma como foram divulgadas no nosso país as eleições em São Tomé e Príncipe. Afirmando que, durante o seu mandato, vão certamente ser reforçados os laços de cooperação com Angola, recordou que as relações entre os dois países vêm de muito longe.

Jornal de Angola – Como se sente depois de ter ganho as eleições?

Pinto da Costa – Quero agradecer o facto de a primeira entrevista que concedo, depois de ter ganho as eleições, ser ao Jornal de Angola. Angola é um país amigo que temos no coração. Temos uma história comum, onde se cruzaram ideias, pensamentos, sangue e, por isso, sinto-me feliz por o Jornal de Angola ser o primeiro órgão ao qual dou uma entrevista depois da minha vitória.

JA – O que se espera de Pinto da Costa, agora que é um Presidente eleito?

PC – Pinto da Costa, é bom que se diga, ainda não é o Presidente da República. Ainda não houve uma declaração oficial do Tribunal Constitucional e nem tomei posse. Vou considerar-me Presidente quando tomar posse.

JA – Como vai cumprir o seu programa eleitoral?

PC – Vou fazer aquilo que disse durante toda a campanha. São Tomé e Príncipe é um país com dificuldades de todo o tipo e torna-se necessário criar um clima que seja favorável ao desenvolvimento nacional. É importante que os homens não façam política em função dos interesses partidários, mas sim em função dos interesses nacionais, que vão ao encontro das pessoas e das suas aspirações.

JA – Acha que a excessiva partidarização da vida política prejudica os são-tomenses?

PC – Isso leva os dirigentes a realizarem e fazerem coisas que muitas vezes pensam que vão ao encontro das aspirações fundamentais das populações, quando é o contrário. É preciso haver diálogo entre as forças políticas de São Tomé e Príncipe, que têm que discutir a situação do país.

JA – Como pensa acabar com a instabilidade e a corrupção, uma vez que foram esses os problemas mais focados na campanha?

PC – É preciso deixar o governo a trabalhar e ajudá-lo a cumprir o seu programa. O Presidente deve agir para que o governo cumpra rigorosamente aquilo que está no seu programa e colocar o diálogo entre as forças políticas e os interesses nacionais acima dos partidários. Vamos encontrar sempre um denominador comum.

JA – A  cooperação com  Angola vai sofrer alterações?

PC – Somos um país pequeno e pertencemos às organizações dos países da África central. Mas também contamos com o grande apoio que virá dos PALOP, o que vai permitir que joguem um papel mais activo. Mesmo no quadro da CPLP, a nossa cooperação especial com Angola é e será sempre feita na base dos interesses estratégicos conjuntos.

JA – O que o levou a retomar a política após mais de 20 anos?

PC – Eu não sei o que as pessoas entendem por deixar a política. Em 1998 e até 2004 fui presidente do MSLTP, que venceu, em 1998, as eleições legislativas por maioria absoluta. Isso é estar na política. As pessoas pensam que fazer política é estar no governo ou ser presidente. Nunca abandonei o meu partido. Sempre estive a trabalhar e o meu conceito de estar na política vai para além do que as pessoas definem o que é política.

JA – Por que razão apresentou a sua candidatura depois de três membros do seu partido se terem candidatado?

PC – Aquilo que os candidatos disseram não é verídico, porque nunca disse a ninguém que não seria candidato. Muitas pessoas queriam que me candidatasse. E como não quero ser presidente só por mim mesmo, era importante saber se o povo queria que eu o fosse. Foi depois de uma auscultação feita que decidi fazer a vontade ao povo e ajudar os são-tomenses a melhor se entenderem e a ultrapassarem as dificuldades actuais do ponto de vista económico, social e cultural.

JA – Qual foi a reacção depois de apresentar a sua candidatura?

PC – O resultado foi expresso nas urnas. O povo quis e o povo escolheu. Durante a campanha sempre disse que, depois de ganhar, todos ajudariam a levar São Tomé e Príncipe a um bom porto.

JA – Está convicto de contar com o apoio da juventude para o desenvolvimento do seu país?

PC – Sempre apoiei a juventude. Tanto assim é que nos nossos discursos sempre o manifestei. A juventude é o motor da nação e é nela que estão concentradas as motivações, ideias e disponibilidades. Por isso, precisamos de criar condições, em termos de organização e mobilização, para tirarmos o potencial máximo de mais de 50 por cento da população, que é jovem.

JA – Há quem diga que Pinto da Costa tem demasiada idade para resolver os grandes problemas que o país enfrenta. Que tem a dizer quanto a isso?

PC – Tenho a sorte de envelhecer fisicamente mas não mentalmente. Ainda bem. Porque estou em condições de dirigir São Tomé e Príncipe e levar os políticos ao diálogo para acabar com a instabilidade. Não quero simplesmente liderar, mas sim mudar a vida do povo que me elegeu.

JA – Não considera cinco anos curto demais para estabilizar São Tomé e Príncipe?

PC – Quando se tem esperança tudo é possível. Podemos não fazer tudo, mas muita coisa se vai fazer para o crescimento e desenvolvimento do país. O importante neste momento é que estou pronto para fazer o que for necessário.

JA – Como vai salvaguardar a  emocracia?

PC – A salvaguarda da democracia não pode ser feita com a concentração de poderes, não é com um só partido que se garante a tão necessária estabilidade de que o país carece. Antes pelo contrário. Essa concentração de poderes num só partido acabará inevitavelmente por se transformar por si só num factor gerador de instabilidade, por várias razões, muito simples, que passo a enunciar. Perante o cenário actual, só um Presidente da República independente e equidistante dos partidos pode assegurar o clima de diálogo e de cooperação institucional necessário para vencer a instabilidade, vencer a corrupção, vencer a pobreza e ganhar o futuro.

JA – O que o motivou a candidatar-se?

PC – A instabilidade política e governativa que se gerou nos últimos 20 anos, chamados de Anos de Mudança, e transformou São Tomé e Príncipe num autêntico cemitério de governos. Por tudo isso e mais razões avancei com a mesma determinação e empenho de Julho de 1975, quando assumi a responsabilidade de dirigir o jovem Estado independente.

JA – Durante a campanha condenou todos os actos de corrupção e referiu alguns casos de que teve conhecimento. Esses casos estão na sua lista de preocupações?

PC – Considero que a corrupção no país tem sido uma das principais causas para o aumento da pobreza, uma vez que, dessa forma, alguns desviam para os seus bolsos recursos que podiam ser aproveitados para melhorar as condições de vida de todos. Contra esses vamos tomar medidas no momento certo. Precisamos pensar primeiro no povo e não nos nossos bolsos.

Fonte: Jornal de Angola

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