Ré reconhece em tribunal desvio de fundos da malária

Sala cheia durante abertura do julgamento de funcionários do Ministério da Saúde (Fotografia: Alberto Julião | Angop)

A arguida Sónia Carla de Oliveira Neves, acusada de desviar fundos destinados ao combate à malária, reconheceu ontem perante o juiz da causa José Sequeira Lopes, do Tribunal Provincial de Luanda, que utilizou para benefício próprio 125 milhões de kwanzas.

Sónia Neves, 44 anos, que era na altura directora administrativa e financeira da Unidade Técnica de Gestão do Fundo Global, disse ter transferido para a conta da sua empresa Socopress 125 milhões de kwanzas, que utilizou na construção de duas vivendas de 35 milhões e 38 milhões de kwanzas e na compra de uma carrinha no valor de sete milhões de kwanzas.

Outros 7,4 milhões de kwanzas disse terem sido utilizados na compra de um terreno vedado para a filha e pelos serviços prestados pagou a José Manuel Tavares 900 mil kwanzas. Sónia Neves e o marido, o co-arguido Mauro Filipe Gomes Gonçalves, 31 anos, gastaram ainda o dinheiro para o combate à malária em viagens para a Florida (Estados Unidos ), ficando hospedados em hotéis de luxo. Dos gastos pessoais, Sónia Neves revelou ainda o pagamento de avultadas somas aos colégios Colina do Sol e Emirais e pagamentos aos armazéns Continental e Imporáfrica para aquisição de mobília e material de escritório.

Na sessão, que decorreu por aproximadamente cinco horas e após três anteriores adiamentos, o Ministério Público procedeu à leitura da acusação, num processo em que, além de Sónia Carla de Oliveira Neves e Mauro Filipe Gomes Gonçalves, é réu Nilton Saraiva.

Em causa está o desvio, em 2013, de quase 400 milhões de kwanzas do Programa de Combate à Malária, um financiamento da organização não-governamental internacional “The Global Fund”, destinados ao Programa de Controlo da Malária.

No interrogatório, a antiga directora administrativa e financeira da Unidade Técnica de Gestão do Fundo Global, criada pelo Ministério da Saúde para a gestão do referido financiamento, disse que foram disponibilizados pelo fundo aproximadamente seis milhões de dólares, cujo destino era a aquisição de material publicitário no âmbito de uma campanha nacional de combate à malária.

Nos autos, os réus são acusados de procederem a várias transferências para pagamentos não autorizados, a três empresas – Soccopress e Gestinfortec – pertencentes ao casal, Sónia Neves e Mauro Gomes, o que foi confirmado pela ré durante o interrogatório, bem como para a NC&NN, empresa supostamente pertencente ao réu Nilton Saraiva.

Questionada pelo seu advogado sobre quem eram os gestores da conta na qual eram alocados os financiamentos pelo Fundo Global, Sónia Neves referiu que a conta, em nome do Ministério da Saúde, tinha como gestores o à data ministro da Saúde, José Van-Dúnem, o secretário-geral do Ministério da Saúde, Caetano da Silva, o director do Gabinete de Estudos e Planeamento (GEP) do Ministério, Daniel António, e a coordenadora da Unidade Técnica de Gestão do Fundo Global, Fátima Saiundo. O Tribunal retoma o julgamento na segunda-feira com a audição dos réus. (Jornal de Angola)

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