Protestos prosseguem contra prisão de membros do governo na Catalunha

Manifestantes pedem em Barcelona a libertação dos oito membros presos do governo catalão (Afp)

Grupos de manifestantes bloquearam várias estradas da Catalunha e várias partes de Barcelona, em protesto contra a ordem da Justiça espanhola de prisão provisória de oito membros do governo catalão, todos destituídos sob a acusação de sedição e rebelião, por seu papel na tentativa de secessão.

A Justiça espanhola também poderá ditar nesta sexta uma ordem europeia de prisão contra o presidente regional deposto Carles Puigdemont e os quatro conselheiros que se encontram com ele atualmente na Bélgica.

O Serviço Catalão de Trânsito, o órgão do governo catalão encarregado do tráfego, anunciou em seu Twitter bloqueios em quatro estradas

A Ferrovia da Generalitat, o serviço ferroviário catalão, informou, por sua parte, a ocupação das vias na estação de Sant Cugat, perto de Barcelona. Apesar dos atrasados, o serviço foi normalizado duas horas depois.

O grupo Universitários pela República bloqueou a grande avenida Diagonal de Barcelona e convocou que os estudantes abandonassem as aulas.

Além disso, um sindicato independentista, o CSC, convocou uma greve geral para o dia 8 de novembro, apesar de o motivo original ser o “empobrecimento da classe trabalhadora” e o decreto governamental que facilita a saída das empresas da Catalunha.

As empresas continuam a abandonar a região em resposta à grave crise política: 2.066 já se foram desde o início de outubro, segundo dados do Colégio de Registadores.

Após a notícia da prisão provisória dos parlamentares catalães, aos gritos de “não é Justiça, é ditadura” e “vergonha para a Europa”, cerca de 20.000 pessoas – segundo a guarda urbana – se reuniram em frente ao Parlamento em Barcelona, convocadas pela Assembleia Nacional Catalã (ANC).

Para justificar a prisão à espera do julgamento, a juíza alegou que existe risco de fuga, recordando a viagem para Bélgica de Puigdemont e de parte do seu governo, assim como de reincidência e destruição de provas.

Todos foram citados na qualidade de investigados por rebelião, sedição e malversação de fundos por seu papel na proclamação da República catalã em 27 de outubro, com base em um referendo de autodeterminação considerado inconstitucional em 1º de outubro, vencido pelo sim, mas sem contar com garantias.

O governo central de Rajoy respondeu com a destituição do Executivo catalão e a dissolução do Parlamento.

Tratam-se de crimes muito graves que podem resultar em até 30 anos de prisão.

Se Puigdemont for preso na Bélgica, ele será objeto de um processo de extradição que, dependendo da duração, pode impedir seu retorno antes das eleições catalãs de 21 de dezembro.

Embora estas eleições tenham sido convocadas pelo governo de Mariano Rajoy, após assumir o controle da administração catalã, os principais partidos separatistas aceitaram participar. (Afp)

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