Presidente ameaça processar oposição por crimes contra soldados no Togo

Presidente do Togo (DR)

O chefe de Estado togolês, Faure Gnassingbé, criticou fortemente a oposição pelo seu comportamento nas manifestações sobre a questão das reformas, ameaçando-a de perseguições judiciais pelos soldados mortos.

“Os seus assassinos são ativamente procurados, e tudo será feito para os encontrar, onde quer que se encontrem, julgá-los e puní-los em conformidade com as leis da nossa República”, prometeu o Presidente Faure Gnassingbé, durante uma visita ao campo militar de Témédja, na região de Plateaux.

De acordo com o Presidente, aqueles que organizam estas manifestações “têm a pesada responsabilidade pelas vítimas que os participantes fizeram e pelos danos que causaram”, enquanto as Forças Armadas devem proteger o país, renovando-lhe a sua “confiança total”.

“Sob a condução dos vossos chefes, tenho a convicção de que vocês vão comportar-se como soldados responsáveis face às provocações e às ameaças de quaisquer tipos. Sei que posso contar com a vossa coragem e o vosso sentido do dever para enfrentar todos os desafios que serão lançados e que, sem fraqueza, estarão juntos para responder a qualquer ameaça ou ação terrorista que possa afetar a nossa nação”, afirmou.

Por seu turno, a oposição, em vários comunicados divulgados na semana passada, denunciou a repressão dos manifestantes, incluindo crianças, acusando as forças de segurança e soldados de crimes, e apelando para um inquérito nacional independente para situar as responsabilidades.

O partido dos Democratas, o único a reagir até ao momento às declarações do chefe de Estado togolês, fala de “maquiavelismo” de Faure Gnassingbé e de instrumentalização das FAT (Forças Armadas Togolesas).

Desde o inicío das manifestações da oposição por reformas institucionais e constitucionais, foram registados 15 mortos, incluindo soldados na cidade de Sokodé, considerada como um bastião da oposição, no centro e na região setentrional do país.

Antes da execução das ameaças do chefe de Estado, a Justiça togolesa já leva a cabo algumas ações nesse sentido.

A 16 de outubro passado, por requisição judicial, foi detido Djobo Mohamed Alassani, um imame duma mesquita da cidade de Sokodé e conselheiro do presidente do Partido Nacional Panafricano (PNP), Tchikpi Atchadam, acusado de “incitação e apelos repetitivos à violência, ao assassinato e à sedição”.

Ele é acusado de ter feito “apelos para a morte de soldados e de cidadãos togoleses”, no seu sermão de 13 de outubro.

Esta detenção levou os militantes do partido e fiéis, em sinal de represálias, a destruir edifícios públicos e privados. Dois soldados afetados à casa de personalidades políticas foram linchados e executados, e as suas munições roubadas.

A cidade está quase em estado de sítio, os soldados bloqueiam os bairros e impedem qualquer manifestação. (Panapress)

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