Oposição denuncia repressão fortemente armada das forças governamentais no Togo

Manifestantes sofrem repressão por soldados fortemente armados, segundo a oposição no Togo. Amnistia Internacional confirma informação (DPA)

Oposição volta às ruas no Togo para protestar contra o Presidente Faure Gnassingbé e exigir reformas constitucionais. Manifestantes acusam as forças de segurança do país de reprimir os protestos de forma “selvagem”.

Milhares de manifestantes voltaram às ruas nesta quinta-feira (09.11) na capital togolesa, Lomé, contra o Presidente togolês, Faure Gnassingbe, herdeiro de uma família no poder há mais de 50 anos. A oposição voltou às ruas também para pedir reformas constitucionais.

Este é o terceiro e último dia de uma onda de manifestações nesta semana organizadas pelos opositores ao Governo do Togo.

“Estamos determinados a acabar com esse regime que durou muito e que não quer dar lugar a outras pessoas”, disse o costureiro Kodjovi à agência de notícias France-Presse (AFP).

O cidadão togolês fechou seu estúdio desde terça-feira (07.11.) para poder manifestar-se. “Eu vou sair sempre que houver novas caminhadas de protesto”, completou.

A mobilização lançada por uma coligação de 14 partidos de oposição não se enfraqueceu desde o final de agosto, com marchas organizadas quase todas as semanas que reúnem multidões na capital, mas também em todo o Togo e especialmente nas regiões no norte do país, antes reconhecidas por apoiarem o Governo.

Violência física contra manifestantes

Os manifestantes acusaram as forças de segurança do país de reprimir de forma “selvagem” os protestos, na quarta-feira (08.11).

Segundo os partidos da oposição, cerca de 20 pessoas ficaram feridas durante o primeiro dia de manifestações, na terça-feira (07.11). Os cidadãos foram impedidos de tomar as ruas de duas cidades no norte do país, Sokode e Bafilo, apesar da permissão do Governo. A repressão foi protagonizada por soldados fortemente armados e com rostos cobertos, acusa a oposição.

Representantes da Amnistia Internacional no país confirmaram que pelo menos dez feridos estão internados no hospital de Sokode, onde um deles foi baleado e agora está a receber cuidados intensivos. Ainda segundo a Amnistia Internacional, em entrevista à AFP, é difícil precisar o número exato de feridos porque alguns se recuperam em casa.

É possível dialogar com Governo?

No início da semana, o Governo disse que está aberto ao diálogo com os opositores e anunciou a libertação de 42 pessoas detidas em manifestações anteriores. Os partidos da oposição afirmam que também estão dispostos a dialogar. A líder oposicionista Brigitte Johnson diz que a oposição nunca se recusou a discutir.

“Discutiremos para encontrar soluções para as legítimas exigências dos cidadãos”, pontuou. A oposição togolesa diz aguardar esse diálogo com ou sem um mediador.

“O único capaz de assumir as suas responsabilidades neste país, entendemos, é o Presidente da República, o ideal seria discutir entre os togoleses, mas obviamente ele está relutante. Se um mediador puder ajudar, não estaremos contra ele se tivermos certeza de que é um mediador imparcial”, disse Johnson.

Apoio internacional

Numa declaração conjunta, a União Europeia, as Nações Unidas e as embaixadas francesa, norte-americana e alemã saudaram as medidas do Governo para acalmar a situação política no país. E também apelaram para que as manifestações aconteçam de forma pacífica.

Desde que os primeiros protestos começaram no final de agosto, com a participação de milhares de cidadãos em todo o país, pelo menos 16 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas.

Limite de dois mandatos

A oposição quer a demissão do Presidente e pede a introdução de um limite de dois mandatos presidenciais, aplicado de forma retroativa para evitar que Faure Gnassingbé se perpetue no poder.

Faure Gnassingbé governa o Togo desde 2005 e ganhou três eleições. Antes dele, o seu pai, Gnassingbé Eyadéma, esteve no poder durante 38 anos. (DW)

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