ONU considera desumana cooperação UE/Líbia para conter fluxo

(Arquivo) Emigrantes no litoral da Líbia (Foto: Globo)

O Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al-Hussein, criticou hoje a deterioração das condições de detenção dos migrantes na Líbia, considerando desumana a cooperação da União Europeia (UE) com este país.

“A comunidade internacional não pode continuar a fechar os olhos aos horrores inimagináveis sofridos pelos migrantes na Líbia e afirmar que a situação só pode ser resolvida melhorando as condições de detenção”, declarou o responsável da ONU num comunicado.

O responsável considerou ser “desumana a política da UE que consiste em ajudar os guardas costeiros líbios a intercetarem e fazerem regressar os migrantes”.

“O sofrimento dos migrantes detidos na Líbia é um ultraje para a consciência da humanidade”, disse ainda Al-Hussein, considerando que a situação se “tornou catastrófica”.

O apelo surge um dia depois de o grupo de contacto sobre a rota migratória no Mediterrâneo central — que integra 13 países europeus e africanos, entre os quais a Líbia — ter decidido melhorar as condições dos migrantes nos centros de detenção na Líbia, promovendo alternativas a esta solução.

No comunicado, o Alto-Comissário denuncia a ajuda dada pela UE e por Itália aos guardas costeiros líbios para deterem os migrantes no mar, “apesar das preocupações dos grupos de defesa dos direitos humanos”.

“As intervenções crescentes da UE e dos seus Estados-membros não serviram até agora para reduzir o número de abusos sofridos pelos migrantes”, assinala Al-Hussein, adiantando que o sistema de vigilância do Alto-Comissariado “mostra uma deterioração rápida” da situação dos migrantes na Líbia.

Segundo Al-Hussein, observadores dos direitos humanos estiveram de 1 a 6 de novembro em Trípoli para visitar centros de detenção e falar com migrantes detidos.

“Os observadores ficaram chocados com o que viram: milhares de homens, de mulheres e de crianças macilentos, amontoados e fechados em hangares (…) despojados da sua dignidade”, disse. (Notícias ao Minuto)

por Lusa

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