Ministra reafirma apoio aos refugiados da RDC

Ministra de Acção Social e Promoção da Mulher foi ver como estão os refugiados no Lóvua (Fotografia: Benjamim Cândido | Edições Novembro-Lunda-Norte)

A ministra de Acção Social e Promoção da Mulher, Vitória Francisco Correia, em visita, no sábado, aos refugiados da RDC na Lunda-Norte, reiterou a continuidade de apoio institucional e moral a esta franja social, principalmente nesta época chuvosa.

Victória Correia visitou o Campo de Assentamento dos Refugiados no município do Lóvua, incentivou a perspectiva da distribuição de um hectare de terra para cada família produzir o auto-sustento, após ter auscultado as suas preocupações.

A ministra fazia-se acompanhar pelo governador provincial da Lunda-Norte, Ernesto Muangala, e disse ser de opinião que as famílias criem também outras iniciativas em proveito próprio.

Na ocasião a ministra procedeu à entrega simbólica de uma tenda de um lote de 400 que chegam em breve a Lunda Norte. Por outro lado, as autoridade humanitárias deram a conhecer a abertura de furos para abastecimento de água potável ao acampamento que alberga três mil 462 refugiados e povoação circunvizinha.

A ministra recebeu da responsável do ACNUR, Philippa Candler, informações sobre abrandamento dos conflitos na República Democrática do Congo (RDC), mas que a situação humanitária ainda é desfavorável.

No entanto, 5.338 refugiados dos 31.241 registados desde Março que se encontram ainda no Centro provisório da Cacanda, nas imediações da cidade do Dundo aguardam transferência para o referido Campo, supervisionado pelas Nações Unidas. Da cifra global 9.975 refugiados já regressaram de forma voluntária ao país de origem (RDC), e os restantes encontram-se nas comunidades locais acomodados por familiares. Segundo dados oficiais, durante o período de acolhimento nasceram no território angolano 366 crianças das quais 14 faleceram.

Recentemente, em Genebra, Angola apelou à comunidade internacional a reforçar as contribuições a favor dos refugiados da República Democrática do Congo (RDC) no país. O apelo foi feito na quarta-feira pelo embaixador Apolinário Jorge Correia, representante permanente junto do Escritório das Nações Unidas em Genebra, Suíça.

Um comunicado da Missão Permanente de Angola em Genebra indica que Apolinário Correia sublinhou que dos 65 milhões de dólares norte-americanos solicitados, já foram entregues mais de 21 milhões, valor correspondente a 33 por cento do necessário para a assistência aos refugiados da RDC em Angola. O valor, esclareceu, serve para a criação de condições de instalação dos refugiados no centro de acolhimento do município do Lóvua, na província da Lunda Norte. Apolinário Correia reiterou a gratidão do Governo angolano pelo apoio da comunidade internacional, através do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e outras organizações do sistema da ONU, na acção a favor dos refugiados e requerentes de asilo que vivem no território angolano.

“Apesar das dificuldades económicas e financeiras que Angola enfrenta, o país não deixou de prestar a assistência de emergência e humanitária aos refugiados da RDC, tendo inclusive alocado parcelas de terras aráveis para que os refugiados produzam alimentos para a sua auto-suficiência”, salientou.
Na abertura do evento, Filippo Grandi, alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, fez uma análise global sobre a situação dos refugiados no Mundo, destacando a violência na região de Kasai, na RDC, que desencadeou o deslocamento interno de três milhões de pessoas e o refúgio de 30 mil em Angola.

Desde Março deste ano, milhares de congoleses fugiram da violência e das tensões étnicas na região do Kasai para o Norte de Angola. Enquanto a situação de segurança na região do Kasai permanecer volátil, as autoridades angolanas, o ACNUR e os parceiros estarão prontos para fornecer protecção e assistência a 50 mil refugiados congoleses até ao final de 2017, no Lóvua.

O Governo, apesar das dificuldades financeiras por que passa o país, disponibilizou até Agosto deste ano 1.647.036.998 kwanzas. Com o dinheiro, foi possível garantir a protecção e o transporte dos refugiados desde os pontos de entrada até aos centros de acolhimento, disponibilizar 113,5 toneladas de bens alimentares e não alimentares, dez toneladas de medicamentos, suplementos nutricionais, material de laboratório e testes rápidos de malária. (Jornal de Angola)

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