Lista de coligação independentista catalã ‘derrotada’ antes das eleições

(DR)

Os partidos que são a favor da separação de Espanha não conseguiram vencer os obstáculos políticos que os separam. Agora, trocam acusações sobre quem é o culpado pela falta de unidade. Um mau sinal para 21 de dezembro.

Dando de algum modo razão aos que sempre acharam que a coligação Juntos pelo Sim – que governou a Catalunha até há poucos dias – era um agregado com uma geometria demasiado instável, que contava ainda por cima com os votos da Candidatura de Unidade Popular (CUP), uma nova lista de unidade que agregasse os independentistas de todos os quadrantes políticos não vai apresenta-se aos eleitores no próximo dia 21 de dezembro.

O porta-voz da Esquerda Rrepublicana (ERC), Sergi Sabrià, revelou ontem à noite que as negociações para fechar uma candidatura de unidade não foram bem-sucedidas, embora haja um acordo para “criar uma frente comum” programática, que possa vir a governar a Generalitat.

Segundo a imprensa espanhola, o dia de ontem era o último que a legislação previa para que coligações de vários partidos se inscrevessem para as eleições, o que não sucedeu. A ERC argumentou que a decisão da CUP de não se incluir na lista unitária impediu o acordo. “Como anunciámos, acreditamos que a fórmula de Junts pel Sim era pequena [coligação entre a ERC e o PDeCAT de Carles Puigdemont] e, portanto, se não há possibilidade de incorporar a CUP, a melhor opção é a coordenação das listas”, explicou Sabrià, citados por vários jornais on line.

Recorde-se que a ERC assumiu como condição para a criação de uma lista unitária que todas as formações independentistas dela fizessem parte, o que incluía a CUP e o movimento Catalunha Comum, de Ada Colau – alcaide de Barcelona apoiada pelo Podemos – que já tinha declinado a proposta e também não tinha apoiado a declaração de independência promovida por Puigdemont.

Entretanto, a confusão está lançada. Depois das declarações de Sabriá, fonte do CUP citada pelo jornal ‘El Pais’ negou as acusações da ERC de ser responsável pela impossibilidade da criação de uma lista unitária. Segundo a CUP, o partido tinha em cima da mesa todos os cenários, que incluíam a lista comum, tendo proposto à ERC um pré-acordo que permitisse a inscrição da coligação em tempo útil, coisa que os republicanos de esquerda não aceitaram.

Por seu turno o PDeCAT também nunca conseguiu alinhar um discurso coerente em relação à possibilidade de uma lista conjunta dos independentistas às próximas eleições, pelo que a sua eventual formação estava cada vez mais comprometida.

Para todos os efeitos, a não existência de uma lista comum não é um bom indicador para os independentistas. A incapacidade de formação dessa lista comum deixa evidente que os motivos que levaram a essa impossibilidade manter-se-ão no dia 22 de dezembro, mesmo que o bloco separatista venha a ter a maioria no próximo parlamento catalão.

Para já, prevê-se assim que os partidos independentistas concorram separadamente ao ato eleitoral – apesar da CUP ter em cima da mesa outros cenários, entre os quais a não participação e não intervenção nas eleições ou a não participação acompanhada do apelo ao voto em um dos outros partidos independentistas. (Jornal Económico)

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