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Jantar ao lado de Amália ou Aquilino? Partidos trocam acusações
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Jantar ao lado de Amália ou Aquilino? Partidos trocam acusações

Despacho aprovado em 2014 permite que eventos festivos sejam realizados em museus ou monumentos. Governo decidiu cortar o mal pela raiz e, a partir de agora, não será possível realizar jantares no Panteão. Polémica está instalada e partidos trocam acusações.

Durante quatro dias, Portugal esteve no centro da Europa devido à realização do Web Summit, um encontro em que uma série de empresas do mundo da tecnologia (e não só) estiveram presentes no país. Cerca de 60 mil pessoas oriundas de 170 países passaram por Lisboa, entre as quais mais de mil oradores, cerca de 1400 investidores e 2500 jornalistas, por Lisboa.

No entanto, o final do evento ficou marcado pela polémica. Um jantar exclusivo da Web Summit realizou-se nada mais nada menos do que no Panteão Nacional, onde estão sepultadas figuras da história portuguesa como Sophia de Mello Breyner Andresen, Aquilino Ribeiro, Amália Rodrigues ou Eusébio.

A polémica começou depois da divulgação de uma fotografia, nas redes sociais, pelo ex-diplomata Francisco Seixas da Costa. Horas depois, o Governo português reagiu ao caso, com António Costa a afirmar que a “utilização do Panteão para eventos festivos é absolutamente indigna”.

Mais, o primeiro-ministro, em comunicado, decidiu mesmo proibir eventos semelhantes no futuro. O Ministério da Cultura, liderado por Luís Filipe Castro Mendes, anulou um despacho aprovado pelo anterior governo de forma a proibir a “realização de eventos de natureza festiva no Corpo Central do Panteão Nacional”.

Marcelo Rebelo de Sousa colocou-se ao lado do Governo, considerando a decisão tomada como “muito sensata”, que “corresponde àquilo que qualquer pessoa com algum bom senso faria”.

Devido à dimensão que a polémica assumiu Paddy Cosgrave veio pedir desculpa aos portugueses. “Amo este país como uma segunda casa e nunca faria nada para ofender os grandes heróis do passado português”, afirmou o fundador da Web Summit, fazendo ainda referência ao facto de Irlanda e Portugal terem uma “abordagem muito diferente em relação à morte”. “Nós [irlandeses] celebramo-la”, disse.

O despacho da polémica

Com esta polémica a vir ao de cima, ficámos a saber que a utilização de museus e monumentos está regulada. Aliás, tem mesmo uma tabela de preços.

Ou seja, devido a um regulamento aprovado em 2014 pelo anterior governo, liderado por Pedro Passos Coelho e que tinha Jorge Barreto Xavier como secretário de Estado da Cultura, é possível realizar, por exemplo, atos solenes e banquetes no Panteão Nacional, desde que os eventos em causa respeitem o “posicionamento associado ao prestígio histórico e cultural do espaço cedido”.

Foi precisamente este despacho que mereceu as críticas do Bloco de Esquerda. “Meteram o país à venda. Tudo se privatiza, vende ou aluga porque não vale a pena manter o que não dá lucro. Depois indignam-se porque uns poderosos do empreendedorismo compram o Panteão para jantar com vista para a Amália e Sophia”, escreveu a deputada bloquista Joana Mortágua no Facebook. “Sim, é uma vergonha. Mas a direita que não se faça desentendida”, acrescentou.

Horas antes, na mesma rede social, o social-democrata José Eduardo Martins teceu fortes críticas ao Governo por permitir que o jantar se tivesse realizado. “Há limites meus amigos, mesmo para o nosso Governo de cão e flauta. Isto obviamente não aconteceu”, afirmou Eduardo Martins, que partilhou uma fotografia do jantar. “Evidentemente uma montagem”, disse ironicamente.

Também do PSD, uma outra voz apontou o dedo ao Executivo. Em declarações à agência Lusa, Sérgio Azevedo criticou as justificações apresentadas pelo Governo para terminar com eventos no Panteão Nacional, considerando que o polémico jantar é da responsabilidade do Governo. “Não vale a pena tapar o sol com a peneira e dizer que isto é responsabilidade do governo anterior. Não é verdade. É mentira. Responsabilidade do governo anterior foi a regulamentação da utilização dos espaços culturais. Responsabilidade do senhor primeiro-ministro e do seu Governo foi a autorização concedida à organização do Web Summit para realizar um jantar no Panteão Nacional”, reiterou o vice-presidente do grupo parlamentar do PSD.

Por seu lado, o CDS, pela voz de Adolfo Mesquita Nunes, criticou o Governo por puxar para si os louros do que é “positivo” da Web Summit, enquanto o que corre mal é “responsabilidade do governo anterior”.

“O que é curioso constatar é que este Web Summit em tudo aquilo que é positivo, em tudo aquilo que é popular, é sempre mérito deste Governo e nunca do governo anterior. Já quando o Web Summit está envolvido em alguma polémica, a responsabilidade é do governo anterior”, afirmou Mesquita Nunes à Lusa. (Noticias ao Minuto)

por Lusa

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