Íntegra do discurso do Presidente da República

Presidente da República durante discurso na data da independência (Foto: Angop)

Matala, Huíla, 11 de Novembro de 2017

Sua Excelência Senhor Presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos;

Sua Excelência Governador da Província da Huíla;

Líderes de partidos Políticos com assento parlamentar;

– Senhores membros do Executivo Central e do Governo da Provincial;

– Senhores Representantes das Autoridades Eclesiásticas e das Autoridades Tradicionais;

– Ilustres convidados;

– Angolanas e angolanos;

– Minhas Senhoras e Meus Senhores;

– Povo da Matala;

Comemoramos nesta data o 42º aniversário da Independência Nacional num clima de paz e harmonia e passados pouco mais de dois meses após a realização das eleições gerais de 23 de Agosto que nos levou a protagonizar uma transição política geracional muito responsável e estável como se recomenda nas democracias.

Numa data como esta recordamos a figura e obra do Presidente Agostinho Neto, fundador da Nação, que num dia 11 de Novembro como hoje, no longuíquo ano de 1975, proclamou perante a África e o mundo a Independência Nacional de Angola após cinco longos séculos de ocupação colonial portuguesa.

O colonialismo oprimiu e humilhou o povo angolano, delapidou nossas riquezas e por isso tinha de cair como resultado da gloriosa luta de libertação do povo que unido de Cabinda ao Cunene deu continuidade e concluiu a obra levada a cabo pelos nossos ancestrais encabeçados pelos reis Ngola Kiluange, Rainha Nginga Mbandi, Ekuiki, Mandumde ya Ndemofayo e outros.

Inúmeros foram os desafios e obstáculos que enfrentamos para chegar aos dias de hoje.

Inúmeras foram também as conquistas alcançadas em todos os domínios da vida nacional com destaque para a preservação da independência, da soberania nacional, da paz e da reconciliação entre os angolanos na vigência dos governos liderados pelo Presidente José Eduardo dos Santos, o arquitecto da paz, premissas fundamentais para enfrentarmos e vencermos o grande desafio do desenvolvimento económico e social do país pelo bem-estar e prosperidade dos angolanos.

Minhas Senhoras, Meus Senhores,

Coincidentemente foi nesta província da Huíla onde iniciamos a caminhada que nos levou à conquista do coração do angolanos e consequentemente à cadeira presidencial.

Agradeço terem correspondido aos apelos por mim feitos durante a campanha eleitoral, dando-me com grande maioria, o direito e dever de conduzir os destinos da Nação angolana durante os próximos cinco anos, em conformidade com o Programa de Governo 2017-2022, previamente anunciado pelo partido vencedor das eleições.

Tive a ocasião de referir que junto construiremos um futuro melhor para Angola. Para tal, conto com o apoio de todos, sem exclusão de ninguém e sem distinções de origem, género, etnia, credo religioso ou filiação partidária.

O país é de todos nós e temos de ser nós a esforçarmo-nos por servi-lo da melhor maneira, cada um na sua área de actuação para que possamos desenvolver todas as sua enormes potencialidades económicas e garantir o progresso social e bem-estar para o povo angolano.

Caros compatriotas,

As metas traçadas durante a campanha eleitoral e as anunciadas no acto da minha investidura como Presidente da República e na mensagem sobre o Estado da nação, que proferi diante dos deputados dos diferentes partidos que o povo escolheu para o representar na Assembleia Nacional, são para ser encaradas com a devida seriedade e responsabilidade.

Sei que existem inúmeros obstáculos no caminho que pretendemos percorrer, mas temos de reagir e mobilizar todas as energias para que este cumprimento se efective nos prazos definidos.

O país não pode continuar a esperar por dias melhores sem se empenhar seriamente nas acções que conduzam a esse resultado.

Depois da conquista da nossa independência política e salvaguarda da integridade territorial do país, da unidade nacional, da democracia, da paz e da reconciliação nacional à custa da determinação, coragem e sacrifícios do nosso povo, falta agora a conquista da nossa independência económica. Sem esta se concretizar a independência política, que hoje celebramos, ainda não está completa.

A grande batalha que temos agora pela frente é a do desenvolvimento da nossa economia, melhorar a distribuição da renda nacional, e que será igualmente árdua e merecerá por isso muita inteligência, dedicação ao estudo e ao trabalho, disciplina, mas sobretudo, coragem para se tomarem as medidas de reformas que se impõem.

É imprescindível pensarmos em abrir e diversificar a nossa economia e sem abdicar de manter o petróleo no lugar importante que lhe cabe, explorarmos a o máximo os enormes e variados recursos naturais de que o país dispõe: como a água, terrenos férteis, florestais, fauna terrestre, marítima e fluvial, minerais e rochas ornamentais, paisagens e encantos turísticos, entre outros.

Todos esses recursos são a base para o desenvolvimento da agricultura, da exploração mineira, da silvicultura, da pecuária, da pesca, do comércio, da indústria, da construção, do turismo e de tudo o que permite combater a pobreza, promover emprego e garantir o consumo interno e a exportação.

Essa aposta no desenvolvimento implica também o aumento da capacidade de geração e distribuição de energia eléctrica e do abastecimento de água nas cidades e no campo; a melhoria dos transportes rodoviários, ferroviários e aéreos; o arranjo e manutenção de pontes e estradas, incluindo as secundárias e terciárias; a instalação de uma rede de telecomunicações eficiente.

Para tal, temos de recolher aos nossos melhores quadros, atendendo apenas ao seu desejo de bem servir o país e à sua honestidade e competência e estimular o dinamismo e espírito de iniciativa de todas as forças vivas que contribuem para a produção da riqueza nacional.

Precisamos ao mesmo tempo de neutralizar ou reduzir a influência nefasta dos que apenas se preocupam em se servir a si mesmo e descurando a necessidade da defesa do bem comum.

Com o completamento do Executivo, e as mexidas recentemente efectuadas no Banco Nacional de Angola (BNA), na banca pública e em algumas importantes empresas públicas dos sector produtivo, pretendemos ter o melhor domínio de alguns dos instrumentos de governação que podem ser decisivos neste momento difícil da nossa economia.

Este exercício vai continuar, porque só organizando e moralizando a actuação do sector público da economia teremos moral de exigir a mesma atitude e comportamento do sector privado da economia.

Angolanas e Angolanos;

Minhas Senhoras, Meus Senhores,

Os desafios que teremos de superar são imensos, mas estão ao alcance de um povo que já demonstrou de forma clara que não recua perante as adversidades e que sempre se reinventa e se mobiliza para a acção quando estão em jogo a sua sobrevivência, o seu bem-estar ou o seu futuro.

A província da Huíla, concretamente, tem um elevado potencial agrícola, industrial e turístico e dispõe de uma classe empresarial dinâmica, experiente e empreendedora que pode muito bem alavancar a desejada diversificação da economia e reduzir a nossa excessiva dependência do petróleo.

A agricultura tem aqui condições excelentes para se desenvolver, a exploração mineira e a indústria de rochas ornamentais já possui boas bases e a infraestrutura hoteleira e as belezas naturais da região são uma garantia de que a província poderá atrair em breve muitos turistas nacionais e estrangeiros.

Com o caminho-de-ferro reconstruído e alongado até à província do Cuando-Cubango, com um aeroporto funcional e as estradas e pontes em fase de reabilitação, a província da Huíla poderá dar um importante contributo para a circulação de pessoas e bens para o desenvolvimento económico e social do país.

O slogan da minha campanha foi “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem” , e esta passou também a ser também a divisa do meu mandato presidencial. Ela traduz por um lado, o reconhecimento de que a necessidade de rever e tentar solucionar problemas antes mal resolvidos, mas implica também admitir que mesmo que foi bem feito pode ainda ser melhorado.

Esta é a terceira visita que faço à uma província na qualidade de Presidente da República depois da minha presença na abertura do ano agrícola em Cachingo, no Huambo e mais recentemente em Cabinda onde realizamos uma reunião da Comissão Económica dedicada sobretudo aos progressos de infraestruturas públicas daquela província.

Durante o meu consulado, é minha intenção deslocar-me com regularidade ao interior do país.

Pretendo pois, desenvolver uma presidência aberta, que torne mais próxima a relação entre governantes e governados, pois só esta proximidade permite sentir e auscultar no terreno de maneira mais profunda as necessidades e aspirações das nossas populações.

Reitero pois, o meu desejo de construirmos junto um futuro melhor para Angola, nossa Pátria comum.

Esta é a minha aposta e o meu compromisso, que renovo solenemente nesta data em que Angola celebra o quadragésimo segundo aniversário como Nação Independente. Para a sua materialização, conto com a participação de todas angolanas e angolanos amantes do país e que acreditam que é possível construir uma Pátria moderna, democrática e desenvolvida, capaz de se inscrever com dignidade e identidade própria no concerto das nações de todo o mundo.

– VIVA O 42º ANIVERSÁRIO DA INDEPENDÊNCIA NACIONAL!

– VIVA O POVO ANGOLANO!

– VIVA O POVO DA MATALA!

– VIVA O POVO DA HUÍLA

– VIVA ANGOLA!

MUITO OBRIGADO! (Angop)

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