Independentistas de Cabinda acusam militares angolanos de ataque com oito mortos

Vista parcial da cidade de Cabinda (DR)

As autodenominadas Forças Armadas de Cabinda (FAC) acusaram militares angolanos de terem atacado uma base dos independentistas naquele enclave e provocado oito mortos.

Em comunicado enviado à Lusa, o braço armado da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) refere que o ataque terá ocorrido na madrugada e manhã do último domingo, em Buco Zau, naquele enclave, provocando a morte a cinco militares das Forças Armadas Angolanas (FAA) e três guerrilheiros.

Na mesma informação, os independentistas acusam as FAA do sequestro de um membro da FLEC-FAC, alegadamente ocorrido na sexta-feira, na fronteira entre Cabinda e a República do Congo, “tendo sido encontrado o seu corpo queimado”.

Os casos denunciados pela FLEC-FAC, que por sua vez alega manter desde maio, em cativeiro, quatro agentes da Polícia Nacional, ocorreram poucos dias depois de o Presidente angolano, João Lourenço, ter presidido em Cabinda, a 08 de novembro, à primeira reunião descentralizada do conselho de ministros de Angola, no atual mandato.

“Dar o sinal de que Cabinda é importante para nós. Vamos encarar Cabinda como um caso muito particular. Eu, pessoalmente, vou seguir de perto todos os projetos de Cabinda, todos os projetos para Cabinda, no sentido de podermos, nos próximos anos, reverter o atual quadro que a província vive e que, lamentavelmente, não é dos melhores”, afirmou, na ocasião, João Lourenço.

Durante a reunião do conselho de ministros, o governador de Cabinda, general Eugénio Laborinho, pediu ao Governo angolano a revisão ao Estatuto Especial daquela província, nomeadamente através de um regime fiscal diferenciado, para captar investimento.

“Propomos, senhor Presidente, que seja analisada a possibilidade de se atribuir a Cabinda um regime fiscal que conceda atrativos, benefícios e demais incentivos às empresas que pretendam cá investir, bem como aquelas que estão aqui sediadas”, disse hoje o governador provincial.

Para Eugénio Laborinho, a situação atual daquele enclave leva à “necessidade” de dotar Cabinda “de alguma diferenciação do ponto de vista administrativo e financeiro, sem, contudo, colocar em causa os princípios da igualdade e da unidade nacional”.

“A especificidade geográfica de Cabinda, designadamente o facto de não possuir ligação terrestre com o resto do território nacional, torna a província dependente das ligações aéreas e marítimas para a entrada e saída de pessoas e bens”, recordou, durante o apelo feito diretamente ao chefe de Estado angolano.

Aquele enclave enfrenta há cerca de dois anos o recrudescimento das ações de guerrilha dos independentistas da Frente de Libertação do Estado de Cabinda – Forças Armadas Cabindenses (FLEC-FAC), que reivindicaram desde o início de 2016 dezenas de mortos em ataques a militares angolanos.

Aquela organização independentista defende que o Tratado de Simulambuco de 01 de fevereiro de 1885, que tornou aquele enclave um “protetorado português”, continua em vigor, lutando há quase 50 anos, através de várias fações, pela independência do território. (RTP)

por Lusa

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