Fernando Medina: “Falhar não é o problema, não arriscar é que é o problema”

(DR)

Balanços, riscos e o futuro do Web Summit em Lisboa. Fernando Medina conversou com o SAPO 24 em jeito de balanço do presente e de previsão para o futuro e mostrou a estratégia bem definida: aos jovens pede que arrisquem – “falhar não é o problema, não arriscar é que é o problema”. Sobre Lisboa e o futuro do ‘casamento’ com a cimeira a resposta é simples: “em equipa que ganha não se mexe”.

“Mais gente, mais oradores, mais investidores, mais empreendedores, mais contactos, mais ideias a surgir e a serem trocadas, a serem ampliadas, mais negócios a surgirem a partir daqui. Está a correr muito bem, francamente bem”, confessa Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, ao SAPO 24.

Para o presidente do executivo camarário o objetivo de ter trazido a Web Summit para Lisboa está a ser alcançado: “criar mais oportunidades para todos na cidade de Lisboa e também na Europa e no mundo”. E é de Portugal para o mundo que Medina diferencia o ecossistema empreendedor dos dias de hoje com o de há uns anos. Agora, na era da economia digital, “rapidamente parte-se do local para o global”.

No final do #Pitcher, um programa de ‘encontros às cegas’ promovido pelo SAPO 24 que coloca à conversa um mentor ou empreendedor com uma startup, Fernando Medina realçou que vivemos “num momento de viragem, de mudança na sociedade portuguesa, em que pela primeira vez um conjunto de jovens qualificados está a surgir das nossas universidade, dos nossos institutos politécnicos, de todo o lado”. “Estão a assumir muito as rédeas do seu futuro, do seu destino e a apostar neste empreendedorismo qualificado”, acrescenta.

Do local para o global há que estar ciente de duas coisas, apesar de atualmente existir a possibilidade de que, em pouco tempo uma empresa passa de pequena a grande, “muitas não o serão”. Isso, por outro lado, não deve ser impedimento de tentar. E é no tentar que se descobre o “arriscar”, a palavra de ordem que Fernando Medina não quer deixar cair, seja à primeira, à segunda, à terceira ou à quarta tentativa.

E Lisboa? Arrisca? Arrisca, pois claro

“O que é importante para um ecossistema e para uma cidade é manter isto vivo, darmos sempre força a todos para que tentem, para que invistam, para que criem a sua oportunidade, para que arrisquem, para que queiram criar o seu sonho”, salientou o presidente da Câmara de Lisboa numa altura em que, paralelamente à Web Summit decorrem vários eventos ligados a este ecossistema na cidade de Lisboa, de zonas tão distintas como o Beato – onde o futuro Hub Criativo do Beato, a contar o tempo para a inauguração, é, até ao dia 10 de novembro, o BEATO Art & Social Club – a ambientes de networking inovadores como o promovido pela Startup Braga, que organiza um jantar no dia 8 de novembro, no restaurante D’Bacalhau, no Parque das Nações, onde será não só possível conhecer os outros participantes como trocar ideias com três especialistas em tecnologia 3D.

À conversa com o SAPO 24, o socialista transmitiu a mensagem de que a cidade de Lisboa apoia aqueles que “apostam, que arriscam que investem, que querem criar a sua oportunidade”.

“Falhar não é o problema, não arriscar é que é o problema. Falhar faz parte da vida. O importante é que arrisquem, façam, inventem, criem, prossigam os seus sonhos. Se não der uma primeira, vamos tentar uma segunda. Se não der uma segunda tentaremos uma terceira e, porventura, à quarta conseguirão. O importante é não desistir, persistir e aproveitar esta incrível energia e talento das novas gerações portuguesas que não fica atrás de nenhum deste mundo fora para criar mais bem-estar para todos”, sublinha Medina.

Web Summit em Lisboa até 2020? “Em equipa que ganha não se mexe”

Pelo segundo ano consecutivo, a Web Summit realiza-se em Lisboa. Entre os dias 6 e 9 de novembro no Altice Arena e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), mais de 60 mil pessoas, cerca de 20 mil empresas e mais de 1500 startups, provenientes de 170 países, vão colocar a capital portuguesa no centro das atenções no que toca ao mundo da tecnologia e inovação.

Tudo isto significa, num olhar a curto prazo, que 2018 será o último ano, certo, da Web Summit em Portugal. A cimeira tecnológica, que nasceu em 2010 na Irlanda, mudou-se para Lisboa por três anos, com possibilidade de mais dois – ou seja, até 2020. Mas ainda não é oficial se o evento se manterá por terras lusas, apesar das boas indicações de ambas as partes.

“Nós estamos muito satisfeitos, com esta parceria, com este grande evento, com esta grande energia aqui. O Paddy Cosgrave também já o disse publicamente, está muito satisfeito com este casamento e por isso em equipa que ganha não se mexe, vamos trabalhar em conjunto para que a Web Summit aqui continue”, remata Fernando Medina.

Fundada por Paddy Cosgrave e os cofundadores Daire Hickey e David Kelly, a conferência é um dos maiores eventos de tecnologia, inovação e empreendedorismo do mundo e evoluiu em menos de seis anos de uma equipa de apenas três pessoas para uma empresa com mais de 150 colaboradores.

Em Portugal o crescimento do impacto do evento no país também se tem feito notar. Em entrevista à TSF/Dinheiro Vivo, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, salientou que este ano o impacto direto esteja entre os 250 milhões de euros e os 300 milhões. Acima de 2016 em que o impacto foi na ordem dos 200 milhões de euros. (Diário de Notícias)

por Lusa

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