Expressa, a via assassina

(Foto: Osmar Edgar)

Reina um clima de insegurança entre os utilizadores da via Expressa, em Luanda, devido aos sucessivos raptos e assassinatos. Grande parte das vezes, a polícia não consegue prender os sequestradores e os assassinos que actuam nesta via já rotulada como “avenida de raptos”.

Com três faixas de rodagem em cada sentido, a via expressa Cabolombo-Viana-Cacuaco é uma das principais estradas do país, permitindo escoar o trânsito ao longo dos municípios de Belas, Viana e Cacuaco.

Sebastião Cabanga é guarda de um armazém próximo da fábrica da Refriango. Assistiu ao sequestro de uma jovem num posto de abastecimento de combustível.

“Foi de manhã quando passou uma viatura onde estava uma jovem a falar ao telefone. Abasteceu o carro e, depois de terminar de falar, os bandidos pegaram nela e algemaram-na. Colocaram-na na cabina da carrinha, trancaram as portas do carro e seguiram”, contou.

A via é apontada como a mais perigosa em Luanda devido ao maior número de sequestros, assassinatos e acidentes.

“Trabalho aqui como guarda há três anos e Já testemunhei o sequestro de três pessoas e ao assassinato de duas”, revela ao Novo Jornal Online Sebastião Cabanga.

Fazer uma viagem na via Expressa, sobretudo no período da noite, é um perigo. “Se esta via estiver no seu roteiro, é melhor pensar duas vezes antes de partir”, avisa Anita Kilombo, que vende legumes perto do estádio 11 de Novembro.

Amed Koli, proprietário de um armazém na via Expressa, reconhece que, em média, quase 20 assaltos acontecem diariamente nesta via.

“Os assaltos são constantes e assustam. Os bandidos estão cada vez mais violentos”, comenta Amed Koli, maliano de nacionalidade.

Passar aqui tem deixado os passageiros apreensivos. A maioria dos assaltos é à noite. “Eles chegam de forma violenta, a coagir os motoristas, mandam os motoristas parar, entram e começam a assaltar”, relata Domingos Abreu, que mora centralidade de Kilamba.

Apesar de a polícia ter intensificado a fiscalização na via para impedir este tipo de crime, a situação ainda inspira cuidados.

“Frequentar a via durante a noite é muito perigoso. Você não sabe se volta para casa”, desabafou o taxista Carlos Bulo.

Se não bastassem os riscos de acidentes de trânsito, os motoristas ainda precisam de se proteger de assaltos, que são frequentes.

“A via Expressa fica completamente às escuras durante a noite, devido ao furto de transformadores de energia eléctrica da rede de iluminação pública, e isso faz com os assaltantes e assassinos tenham êxito nas suas acções”, notou um agente da polícia que não quis ser identificado.

“A falta de iluminação pública e outros factores têm contribuído para o aumento da sinistralidade rodoviária na via expresso”, acrescentou.

A Via expressa Cabolombo/Viana e Cacuaco, em Luanda, designada Comandante em Chefe da revolução Cubana Fidel de Castro Ruz, é frequentado diariamente por um médico cubano que não quis ser identificado.

“Já fui assaltado três vezes nesta via que tem o nome do meu ex-presidente. Espero que a polícia aumente o patrulhamento neste percurso”, apelou.

Na opinião deste médico, os perigos em transitar pela via Expressa são inúmeros e colocam, a todo o momento, a vida de motoristas e passageiros em risco.

Após a morte de um motorista recentemente, António Mawete, que trabalha numa empresa petrolífera estrangeira, pensa mesmo em deixar o emprego. “Assisti ao assassinato de um taxista pelos bandidos. Estou preocupado, porque eu trabalho à noite e frequento diariamente esta via”, referiu.

A violência em Luanda tem aumentado a cada dia e os assaltos na via Expressa, infelizmente, são cada vez mais comuns.

“Os assaltos nas estradas a veículos de todo o tipo seguem um determinado padrão. Uma das razões é que os assaltantes utilizam lugares isolados e locais inapropriados para actuar”, conta o enfermeiro Almeida Pingo.

“Os assaltantes aproveitam a redução de velocidade dos motoristas nos quebra-molas, principalmente à noite”, alertou.

O reformado António Panda entende que o Governo devia combater o desemprego e a falta de ocupação da juventude como forma de diminuir a criminalidade.

“Enquanto não houver emprego, a situação não vai mudar. Teremos sempre assaltos e outras más práticas”, alerta António Panda.

Recorde-se que o comandante-geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos, disse, no sábado, que a corporação vai reforçar a presença policial em Luanda para coibir casos de raptos, furtos e assassinatos.

Ambrósio de Lemos afirmou que a acção vai ser concretizada com presença policial, permitindo que a população tenha próximo de si um local para reportar qualquer movimentação suspeita.

“Não se trata de aumento de recursos humanos, mas de uma estratégia que permita que pelo menos nas horas e locais mais conflituosos exista a presença policial”, esclareceu.
Quanto à onda de raptos, o comandante-geral disse existirem indícios de que se trata de uma rede composta por elementos estrangeiros que esporadicamente realizam estas acções.

Segundo ele, a investigação criminal está a trabalhar para desmantelar o grupo, sendo que alguns já estão detidos e poderão ser apresentados nos próximos dias.

O último caso que chocou a sociedade foi a da apresentadora da Televisão Pública de Angola, Beatriz Fernandes, encontrada morta, em Luanda, depois de ter sido raptada recentemente, juntamente com os seus dois filhos. (Novo Jornal Online)

por David Filipe

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