Espanha vê interferência da Rússia em referendo de independência da Catalunha

(DR)

Madri acredita que grupos sediados na Rússia usaram redes sociais para defender enfaticamente o referendo de independência realizado pela Catalunha no mês passado na tentativa de desestabilizar a Espanha, disseram ministros espanhóis nesta segunda-feira.

Os titulares da Defesa e das Relações Exteriores disseram ter indícios de que grupos russos dos sectores estatal e privado, além de grupos da Venezuela, usaram Twitter, Facebook e outros sites da internet para divulgar maciçamente a causa separatista e influenciar a opinião pública por trás desta na véspera da votação de 1o de Outubro.

Os líderes separatistas catalães negaram que uma interferência da Rússia os tenha ajudado na eleição.

“O que sabemos hoje é que muito disto veio do território russo”, disse a ministra da Defesa espanhola, Maria Dolores de Cospedal, sobre o apoio vindo da Rússia através da Internet.

“Estes são grupos que, pública e privada(mente), estão tentando influenciar a situação e criar instabilidade na Europa”, disse ela aos repórteres após uma reunião de chanceleres e ministros da Defesa da União Europeia em Bruxelas.

Indagado se Madrid está certa das acusações, o chanceler espanhol, Alfonso Dastis, também presente ao encontro, respondeu: “Sim, temos provas”.

Dastis disse que a Espanha detectou contas falsas em redes sociais, metade das quais foram rastreadas na Rússia e outras 30 por cento na Venezuela, criadas para amplificar os benefícios da causa separatista republicando mensagens e postagens.

Ramon Tremosa, parlamentar do PDeCat, partido do líder separatista catalão, Carles Puigdemont, na UE, repetiu nesta segunda-feira que a interferência russa não teve nenhum papel no referendo.

“Aqueles que dizem que a Rússia está ajudando a Catalunha são aqueles que ajudaram a frota russa nos últimos anos, apesar do boicote da UE”, tuitou Tremosa em referência a reportagens da média espanhola segundo as quais a Espanha está permitindo que navios de guerra russos reabasteçam em seus portos. Aqueles que votaram no referendo optaram na sua maioria pela independência, mas o comparecimento foi só de cerca de 43 por cento, já que grande parte dos catalães favoráveis à permanência da região na Espanha boicotou a consulta.

Dastis afirmou ter abordado o assunto com o Kremlin. Moscovo negou várias vezes qualquer interferência do tipo e acusa o Ocidente de uma campanha para desacreditar a Rússia. (Reuters)

Por Robin Emmott

(Reportagem adicional de Angus Berwick na Espanha)

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