Cuba qualifica sanções dos EUA de ‘retrocesso sério’

(DR)

Cuba afirmou nesta quarta-feira que as novas restrições ao comércio e às viagens à ilha anunciadas pela administração de Donald Trump representam um “recrudescimento” do embargo americano e um “retrocesso sério” nas relações bilaterais.

“As medidas confirmam o sério retrocesso que tem ocorrido nas relações bilaterais, como resultado das decisões adotadas pelo governo do presidente Donald Trump”, disse em entrevista coletiva a diretora para os Estados Unidos da chancelaria cubana, Josefina Vidal.

A funcionária destacou que as novas medidas, que entrarão em vigor nesta quinta-feira, “implicam no recrudescimento do bloqueio (embargo)” que Washington aplica contra a Ilha desde 1962 e “da proibição de viajar a Cuba para americanos”.

“Estas medidas prejudicarão a economia cubana e seus setores estatal e não estatal”, além dos “cidadãos americanos, cujo direito de viajar a Cuba, único país no mundo que não podem visitar livremente, se verá ainda mais restringido”.
“Isto também afetará os empresários dos Estados Unidos, que perderão interessantes oportunidades de negócios em Cuba para seus concorrentes”.

Washington anunciou nesta quarta-feira a adoção novas sanções contra Cuba, centradas nos setores do turismo e militar.
A nova política basicamente reinstala sanções que estiveram em vigor durante décadas antes de serem parcialmente suspensas pelo governo anterior de Barack Obama.

O pacote inclui uma extensa lista de empresas cubanas com as quais os cidadãos americanos não poderão realizar transações comerciais e que impacta especialmente o setor turístico, já que inclui hotéis de toda a ilha.
A nova normativa “estabelece uma regra geral de negar licenças para exportar itens para uso das entidades da lista”, segundo o departamento do Tesouro.

A lista de entidades sancionadas inclui os ministérios cubanos das Forças Armadas Revolucionárias e do Interior, assim como três holdings do setor de turismo, a Corporação Cimex (importadora com uma cadeia de lojas) e a União da Indústria Militar.
Também estão listados 84 hotéis em Havana, Santiago, Varadero, Pinar del Río, Baracoa, Cayos de Villa Clara e Holguín, além de duas agências de turismo e mais de trinta empresas relacionadas pelas Forças Armadas e de Segurança.

As viagens de americanos a Cuba para visitas pessoais ou por razões de estudo são mantidas, mas deverão ter o apoio de “uma organização patrocinadora”.

No entanto, para que essas viagens sejam autorizadas, a normativa determina que os viajantes terão de ser “acompanhados por uma pessoa sob jurisdição dos Estados Unidos que seja representante da organização patrocinadora”.

“As viagens individuais sem razões educativas ou acadêmicas não serão mais autorizadas, como anunciou o presidente”, explicou o Tesouro.
O anúncio acontece em meio à pior crise na relação bilateral desde que os dois países restabeleceram os laços diplomáticos em 2015, devido aos supostos “ataques acústicos” contra diplomatas americanos em Havana. (AFP)

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