Conselheira de Assad diz que forças dos EUA e Turquia são “invasoras ilegais” na Síria

Bouthaina Shaaban durante entrevista em Pequim 15/8/2012 REUTERS/Stringer (reuters_tickers)

Tropas dos Estados Unidos e Turquia são forças “invasoras ilegais” em território sírio e a Síria irá “lidar com” elas, disse nesta terça-feira uma conselheira sénior do presidente Bashar al-Assad.

Bouthaina Shaaban também afirmou em entrevista televisiva que Damasco não irá desistir da cidade de Raqqa, no norte do país e que foi libertada do Estado Islâmico no mês passado pelas Forças Democráticas Sírias (SDF), lideradas pelos curdos e apoiadas pelos EUA.

“A Turquia hoje é um país colonizador, suas forças em nosso solo são ilegais, assim como as forças americanas estão em nosso solo ilegalmente”, disse ela à emissora libanesa al-Mayadeen.

“Nós iremos lidar com esta questão como lidamos com qualquer força invasora ilegal em nossas terras” declarou, sem dar mais detalhes.
As forças de Assad, auxiliadas por poder aéreo russo e milícias apoiadas pelo Irã, conseguiram restabelecer controle sobre a maior parte da Síria durante os últimos dois anos.

Os Estados Unidos e a Turquia estão apoiando diversos grupos rebeldes opostos a Assad e ao Estado Islâmico. A Turquia começou a estabelecer pontos de observação na província de Idlib, no noroeste da Síria, sob um acordo com os aliados de Assad, Rússia e Irã.
A coligação liderada pelos Estados Unidos lutando contra o Estado Islâmico na Síria informou repetidamente que não busca lutar contra as forças de Assad, apesar de Washington e Ancara quererem que o presidente renuncie.

As Forças Democráticas Sírias informaram que Raqqa será parte de uma “Síria federal” descentralizada e esperam por uma nova fase de negociações que irá reforçar autonomia curda no norte da Síria, mas na sexta-feira uma autoridade sénior iraniana disse que forças do governo sírio irão avançar em breve para tomar a cidade.

“Tudo depende dos sírios e de discussões entre sírios, e não pode haver discussão sobre a divisão ou corte de uma parte do país ou um chamado federalismo”, disse Shaaban.

Ela acrescentou que o que aconteceu no Curdistão iraquiano “deveria ser uma lição” às SDF, se referindo aos líderes curdos iraquianos que sofreram um grande golpe quando o governo central em Bagdad – apoiado por Irão e Turquia – retaliou contra eles por realizarem um referendo de independência no mês passado.

Shaaban também disse que comentários do ministro das Relações Exteriores sírio em setembro, quando ele disse que Damasco está aberta a negociações com os curdos sobre as exigências por autonomia dentro das fronteiras da Síria, foram mal interpretados.
“Eu não acho que nenhum governo possa discutir com algum grupo quando é sobre o tópico de unidade do país”, disse.

Anteriormente nesta terça-feira, Assad disse que o Exército e seus aliados irão continuar lutando na Síria após terem afastado militantes do Estado Islâmico de seu último reduto significativo no país, na província de Deir al-Zor. (Reuters)

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