Cientistas descobrem câmara escondida na Grande Pirâmide

(DW)

Pesquisadores encontram câmara de 30 metros de comprimento na maior pirâmide de Gizé, no Egito. Estrutura pode ajudar a desvendar como o Patrimônio Mundial foi construído, há cerca de 4.500 anos.

Um grupo internacional de cientistas descobriu uma grande câmara vazia no interior da estrutura da Grande Pirâmide de Quéops, em Gizé, no Egito, revela um estudo publicado nesta quinta-feira (02/11) na revista Nature.

A pesquisa liderada por especialistas do Japão, França e Egito pode ajudar a explicar como o monumento foi erguido há cerca de 4.500 anos atrás. A Grande Pirâmide, a mais importante construção do Reino Antigo, foi construída durante o reinado de Khufu (por volta de 2550 a.C. – 2527 a.C.), o segundo faraó da 4ª Dinastia, a quem Heródoto chamou de Quéops.

Cientistas divergem quanto às técnicas utilizadas na construção das pirâmides de Gizé, que ficam nos arredores do Cairo e são Património Mundial da Unesco. A função da nova câmara descoberta ainda é desconhecida, mas a estrutura pode ajudar a entender como foi o processo de construção da maior das pirâmides.

Os resultados representam um “grande avanço” para se conheçam mais detalhes sobre a Grande Pirâmide e a sua estrutura interna, afirmaram os cientistas.

A grande câmara vazia tem cerca de 30 metros de comprimento e apresenta uma seção transversal similar à da Grande Galeria, por onde visitantes podem caminhar e que se localiza justamente debaixo da nova cavidade.

Física de partículas moderna

Para explorar o interior do monumento, os especialistas analisaram as imagens geradas por uma partícula cósmica conhecida como muon. Esta apresenta diferentes trajetórias quando penetra a pedra ou atravessa o ar, o que permite aos pesquisadores detectar cavidades em estruturas sólidas.

A câmara vazia foi batizada de “ScanPyramids Big Void”. Ela foi observada pela primeira vez com o uso de “filmes de emulsão nuclear instalados na Câmara da Rainha”. O material foi analisado na Universidade de Nagoia, no Japão.

A existência da cavidade foi confirmada por especialistas da Organização de Pesquisa do Acelerador de Alta Energia KEK, em Tsukuba, no Japão, com o uso de um detector de raios cósmicos instalado na Câmara da Rainha.

A descoberta foi confirmada por detectores de gases instalados no exterior da pirâmide pela Comissão Francesa de Energia Atômica (CEA) da Universidade Paris Saclay.

“Essa grande cavidade foi detectada com um alto grau de confiabilidade por três tecnologias de muon diferentes e três análises independentes”, destacam os autores.

“Ainda que não haja informação sobre a função dessa cavidade, as descobertas demonstram que a física de partículas moderna pode lançar luz sobre o património arqueológico mundial”, acrescentaram.

“[A câmara] estava escondida, acredito, desde a construção da pirâmide”, disse Mehdi Tayoubi, cofundador do projeto ScanPyramids. “A boa notícia é que o vazio está ali, e ele é bem grande.” (DW)

KG/efe/ap

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