Chefe do Programa Alimentar Mundial planeia visitar Coreia do Norte

(DR)

O chefe do Programa Alimentar Mundial da ONU disse que planeia visitar a Coreia do Norte, que enfrenta uma seca e onde “muita gente passa fome”, de acordo com uma entrevista à agência Associated Press, na segunda-feira.

“Queremos argumentar de forma muito clara que crianças inocentes não devem morrer à fome”, disse David Beasley.

Apesar de o Programa Alimentar Mundial da ONU já ter uma equipa na Coreia do Norte, Beasley disse que a agência está a pedir mais acesso ao Governo norte-coreano, de modo a garantir que os mais necessitados conseguem obter o apoio de que precisam.

“Não queremos acesso para espiar. Queremos acesso para garantir que as pessoas que precisam de comida conseguem receber comida”, frisou.

O Governo de Kim Jong-un tem sido acusado de desviar dinheiro de programas alimentares, destinados a ajudar civis, para o programa de armas nucleares e mísseis balísticos.

A malnutrição é um problema significativo na Coreia do Norte, onde muitas pessoas estão cronicamente malnutridas devido a uma dieta onde faltam vitaminas, minerais, proteínas e gordura, segundo o Programa Alimentar Mundial.

A ONU lançou um apelo para angariar 52 milhões de dólares para a Coreia do Norte em 2017, mas apenas conseguiu 15 milhões. Sem pelo menos mais 10 milhões, o Programa Alimentar Mundial poderá ter de suspender a assistência a algumas áreas.

“Acho que o Governo da Coreia do Norte compreende, já que fui muito claro, que os doadores ocidentais não se sentem confortáveis a dar, porque o dinheiro que acham que será para ajudar crianças está a ser usado para construir um programa nuclear”, disse Beasley.

O responsável não indicou quando pensa realizar esta visita.

A agência da ONU disponibiliza apoio nutricional a 650 mil pessoas mais vulneráveis: grávidas, novas mães e crianças, para quem a malnutrição é mais perigosa. A ajuda é encaminhada através de infantários, hospitais e orfanatos em nove das 11 províncias.

Devido à falta de fundos, o Programa Alimentar Mundial terá de reduzir as porções em fevereiro. Deste modo, mães e crianças vão receber apenas 66% de uma porção regular.

Devido à malnutrição crónica, 28% das crianças com menos de cinco anos são demasiado pequenas para a idade, já que os seus corpos não tiveram acesso a todos os nutrientes e proteína necessários para se desenvolverem e crescerem, indicou a agência. (Notícias ao Minuto)

por Lusa

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