Charlie Hebdo apresenta queixa por ameaça de morte

(DR)

O semanário francês Charlie Hebdo, que foi alvo de um ataque terrorista em 2015, apresentou uma queixa por ameaça de morte, realizada nas redes sociais, após a publicação de um desenho satírico sobre o académico islâmico Tariq Ramadan.

Na sua mais recente edição, publicada na quarta-feira, o jornal mostra o teólogo suíço, visado em duas queixas de violação, a vestir umas calças distorcidas por um enorme pénis ereto e proclamando: “Eu sou o sexto pilar do Islão”.

“Violação – A defesa de Tariq Ramadan”, lê-se por acima do desenho.

Interrogado sobre as mensagens de ódio e as ameaças dirigidas ao Charlie Hebdo, o cartoonista Riss, diretor da publicação, declarou à radio Europe 1 que “jamais” irão parar de publicar o jornal satírico.

“Às vezes, existem picos em que recebemos ameaças de morte explícitas nas redes sociais: este é o caso, mais uma vez. É sempre difícil saber se são ameaças graves ou não, mas, em princípio, nós levamos a sério e apresentamos uma queixa”, afirmou.

O intelectual suíço Tariq Ramadan, visado desde o início de outubro por duas queixas de violação sexual, acredita na existência de uma “campanha caluniosa” contra si, provocada pelos seus “inimigos de sempre”.

Ramadan, que é professor de Estudos Islâmicos Contemporâneos na Universidade de Oxford, é neto do fundador da Irmandade Muçulmana, o egípcio Hassan El-Banna, e goza de elevada popularidade junto dos muçulmanos conservadores. No entanto, também é altamente controverso, sobretudo nas esferas laicas, que o veem como promotor de um Islão político.

O jornal Charlie Hebdo foi alvo de um ataque em janeiro de 2015, reivindicado pela Al-Qaida na Península Arábica (AQPA), que provocou a morte de 12 pessoas.

Os terroristas pretendiam punir o jornal, abertamente ateu e provocador, por ter publicado caricaturas do profeta Maomé.

Desde este ataque, a França já sofreu uma série de ataques terroristas, particularmente na região de Paris (130 mortos em novembro de 2015) e Nice (em julho de 2016, com 86 mortos). (Jornal Económico)

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