Cabinda: Nota de Repúdio ao executivo Angolano

Vista parcial da cidade de Cabinda (Foto: Angop)

Fazemos saber através desta nota a exclusão institucional pelo que passa Cabinda no programa real da governação do MPLA, tendo em conta o momento actual e demais circunstâncias vigentes.

Vimos repúdiar energéticamente todas as tentativas de ludibriar a opinião pública angolana e internacional que visam passar uma imagem não real da verdade factual de cabinda.

Desde a implementação do Multipartidarismo em angola, foi sempre desejo unánime da maioria dos cabindas que angola fosse governada por um outro partido responsável, com sentido de Estado; que tendo em conta a configuração geográfica de cabinda que se criasse profundas reflexões sobre a concepcão de políticas públicas e implementação das mesmas que impulsionassem um desenvolvimento sustentável, na criação de bases sólidas e um programa vasto de investimentos que atenuaria a actual crise profunda e pobreza generalizada do povo Cabindês, fruto dos despedimentos massivos no sector petrolífero.

ü O que seria de cabinda e o seu povo sem as empresas petrolíferas?

Porém, em 1975, ano da ocupação militar do território, mesmo sendo oitenta por cento do petróleo que suportava o Orçamento Geral do Estado angolano explorado no território supra referido (Cabinda), o que foi confirmado pelo Ex-presidente da república de Angola e actual presidente do MPLA Engenheiro José Eduardo dos Santos nas Lundas no âmbito da campanha eleitoral de 2012, este facto irrefutável traduz a ideia que o desenvolvimento de angola foi e é sustentado por Cabinda e os Cabindas foram entregues a sua sorte. Fruto desta triste realidade a população activa que estava no campo petrolífero hoje no desemprego, enfrentam inúmeras dificuldades, sem políticas sociais para a sua protecção por facto de serem cabindas.

Em 2006, foi feito um exercício similar com varios ministros, embaixadores e outros membros do executivo angolano que culminou numa autêntica peça teatral com lançamentos de primeiras pedras de projectos amplamente publicitados pela imprensa e que muitos destes projectos constituem tabú falar deles nos dias de hoje.

A possível vinda do pelouro central de angola a cabinda, cria cepticismo ao povo binda que não crê na boa fé dos projectos que o governo angolano (MPLA) possa aprovar para Cabinda, porque ao longo dos quarenta e dois anos da governação, Cabinda quase não se fez absolutamente nada por falta de vontade política. A realidade nos prova que para Cabinda o governo angolano jamais teve verbas para implementação de projectos, mesmo com o lançamento de “primeiras e segundas pedras”.

É essencial dedicar uma atenção particular ao direito do desenvolvimento, no qual os direitos civis e políticos são indissociáveis dos direitos económicos, sociais e culturais, tanto na sua concepção como na sua universalidade e, que a satisfação desses direitos garantem o gozo dos direitos civis e políticos.

O limite da paciência dos cabindas manifesto nas eleições de agosto de 2017 está a esgotar os seus resquícios para com os teatros mal montados da governação do MPLA em relacção a Cabinda. Eis alguns exemplos práticos que provam a má fé dos dirigentes deste partido:

Pólo Indústrial do Fútila

Projecto de Aproveitramento do vale de yabi (Agro-pecuária)

Projecto de construção da centralidade do yabi

Projecto de construção da cidade satélite de Cabinda com a requalificação do morro do Tchizo e Gika no âmbito da urbanização e
ordenamento da cidade de Cabinda

A construção da marginal de Cabinda

Atribuição dos dez porcento (10%) das receitas fiscais da exportação do petróleo à Cabinda

O regime especial aduaneiro e portuário de Cabinda

A construção definitiva da média-teca de Cabinda

O projecto de construção da centralidade do Chibodo 2 e da centralidade do Chiazi

O projecto de fornecimento de energia para Cabinda a partir da barragem do Inga (RDC)

O projecto de construção de hospital geral de Cabinda no Chibodo

O projecto de construção do porto pesqueiro de Cabinda

O projecto de construção da ponte que ligaria Cabinda à Soyo passando pela RDC

Projecto de infra-estruturas integradas para cabinda no âmbito de requalificação urbana dos bairros que previa melhorar as condições da
cidade até 2015, com intervenções em todas redes técnicas, nomeadamente água, electrecidade, telecomunicações, estradas e saneamento
básico.

A exclusão de Cabinda nos projectos da linha de crédito da China

A construção do aeroporto internacional de Cabinda e que já não será de dimensão internacional

A exploração irracional dos recursos florestais no Mayombe criando assim um desastre ambiental e ecológico.

Obras intermináveis:

Hospital central (2003)
Campos universitário (2009)

Desafiamos ao MPLA, do seu presidente ao último militante de base, a provar o contrário dos factos aqui narrados.

“Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se se enganar alguns por todo o tempo; mais não se pode enganar a todos todo o tempo” – Abraham Lincoln

Condenamos veementemente a usurpação, a desvirtualização e a desvalorização do patrimonio histórico de cabinda, destruindo assim a memória colectiva deste povo, bem como a transformação da data incontornável da história dos cabindas, 1 de Fevereiro, data da assinatura do tratado do Simulambuco, ligando-a ao 4 de Fevereiro de 1961 inicio da luta armada em Angola, uma data nula para a nação Cabindesa.

Firmemente convencidos do seu dever de assegurar a promoção e a protecção dos direitos e liberdades do homem e dos povos, em conformidade com o direito à autodeterminação dos povos, universalmente reconhecido, os activistas da sociedade civil de cabinda, em nome do povo de cabinda, portanto, reconhecemos a legitimidade do Estado Catalão e encorajamos o seu povo a manter-se firme e sereno na defesa dos interesses solenes da pátria Catalã e que não se deixem intimidar pelos argumentos da força, por si só, este ato abre mais uma vez a janela de esperânça para com o povo oprimido e sofredor de Cabinda. Estendemos a nossa mais que profunda solidariedade à todo povo da Catalunha.

Feito em cabinda ao 03 de Novembro de 2017

Os subscritores

André Sebastião

Nelinho Tuma

Massinga de Cabinda

Egídio Conde

Carlos Vemba Vemba

José das Neves Lanzi

José da Costa Lembe

Sebastião Macaia

José André Chiânica Bras

Filipe Macaia

LeoTon Geologist

(Artigo enviado a nossa redacção com pedido de publicação)

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