Cabinda alerta PR para saída de 8.000 trabalhadores do sector petrolífero

(Foto: Quintiliano dos Santos)

O Presidente da República (PR) lamentou hoje, em Cabinda, os atrasos na conclusão de várias obras públicas lançadas nos últimos anos naquela província, tendo ouvido as preocupações do governador local perante o despedimento de 8.000 trabalhadores do sector petrolífero no enclave.

As posições foram transmitidas esta manhã, na abertura da reunião da comissão económica do Conselho de Ministros, a primeira fora de Luanda desde a eleição, em Agosto, de João Lourenço como novo PR.

“Pretendemos dar um outro impulso à execução desses mesmos projectos. São projectos importantes para a vida da província, em praticamente todos os domínios da vida, nomeadamente projectos que têm a ver com o aumento da produção e distribuição da energia eléctrica”, apontou o chefe de Estado.

Em causa estão obras públicas que envolvem ainda a protecção e contenção de encostas, que ameaçam centenas de casas em Cabinda, mas também ao nível da educação e da saúde. Neste último caso, João Lourenço referiu as obras de reabilitação do hospital da província de Cabinda, “que lamentavelmente duram há bastante tempo”.

Ao intervir nesta reunião, o novo governador provincial de Cabinda, general Eugénio Laborinho, nomeado para aquele cargo em Setembro último, sublinhou “muita preocupação” com a “acentuada pobreza dos cidadãos” daquele enclave – onde é produzido, no “onshore’ e “offshore’, a maior quantidade do petróleo angolano -, mas que “grande parte não têm emprego”.

“A agravar a situação, algumas empresas petrolíferas situadas no complexo petrolífero do Malombo, deram início a um processo de despedimento em massa devido à crise que se vive no sector, que colocou no desemprego cerca de 8.000 trabalhadores, prevendo que outros venham a ter o mesmo destino nos próximos tempos”, alertou Eugénio Laborinho.

Em cima da mesa, nesta reunião da comissão económica do Conselho de Ministros, orientada pelo Presidente da República, está ainda uma proposta para baixar a tarifa da ligação aérea para Cabinda, atualmente o único acesso directo desde o restante território angolano.

Contudo, João Lourenço atribuiu igualmente prioridade à conclusão do projecto, em curso, de construção do terminal de passageiros e cargas em Cabinda, “que vai garantir a ligação fácil entre o território de Cabinda, a cidade do Soyo [província do Zaire] e a cidade de Luanda”, através do serviço de ferryboat, com início previsto para 2018.

João Lourenço chegou na terça-feira ao enclave de Cabinda, tendo visitado várias obras públicas que decorrem no território, nomeadamente a reabilitação e ampliação do aeroporto, do centro político-administrativo do governo provincial, de tratamento de águas e da universidade estatal, entre outras.

Esta é a segunda visita oficial de João Lourenço às províncias desde que foi empossado nas funções, depois de ter presidido à abertura do ano agrícola, em Outubro, no Huambo. (Novo Jornal Online)

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