Bretas interroga Cabral em nova audiência após discussão e transferência negada

Sérgio Cabral condenado a 14 anos e dois meses por corrupção e lavagem de dinheiro. (FOTO: NF NOTÍCIAS)

Duas semanas após as discussões entre o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) e o juiz Marcelo Bretas, os dois ficarão novamente frente à frente em outro interrogatório na 7ª Vara Federal Criminal nesta quarta-feira (8).

Na ocasião, o Ministério Público Federal (MPF) pediu e o magistrado acolheu o pedido de transferência de Cabral a um presídio federal. A mudança só não ocorreu porque Cabral recorreu e o ministro do STF Gilmar Mendes determinou a permanência no Rio.
Na mesma semana, o Ministério Público descobriu que um “cinema particular” seria instalado na Cadeia Pública José Frederico Marques, onde o ex-governador está preso. Os equipamentos – inclusive um televisor de mais de 60 polegadas – foram doados.
‘Ameaça velada?’, questionou Bretas

A transferência de Cabral foi acolhida depois que o ex-governador citou negócios da família do juiz. “Será que representa alguma ameaça velada? Não sei, mas fato é que é inusual”, rebateu Bretas.
De acordo com a defesa do ex-governador, a informação já constava em uma entrevista do magistrado ao “Estadão” em setembro. Para o MPF, o réu pode interferir no processo.

“Durante o interrogatório do senhor Sérgio Cabral, ele mencionou expressamente que, na prisão, recebe informações inclusive da família desse magistrado, o que denota que prisão no Rio não tem sido suficiente para afastar o réu de situações que possam impactar nesse processo”, afirmou o procurador Sérgio Pinel.

Já Bretas disse que a informação era inusitada e se sentiu incomodado por sua família ter a rotina acompanhada.
“Deixa a informação de que apesar de toda a rigidez (do presídio no Rio), que imagino que haja, aparentemente tem acesso privilegiado a informações que talvez não devesse ter”, disse Marcelo Bretas. A frase é anterior à descoberta do “cinema”.

Audiência teve discussão: ‘Calvário’

O último encontro de Bretas e Cabral, no dia 23 do mês passado, foi marcado por discussões ásperas. O ex-governador disse que a denúncia era “um roteiro mal feito de corta e cola”.

“Eu estou sendo injustiçado. O senhor está encontrando em mim uma possibilidade de gerar uma projeção pessoal, e me fazendo um calvário, claramente”, reclamou o ex-governador.

Já Bretas sugeriu que o embate poderia ser uma estratégia de defesa, provocando um confronto para depois pedir a suspeição do juiz. Ao advogado Rodrigo Roca, que defende Cabral, o magistrado disse:

– Espero que não seja orientação sua.

A defesa também entrou na discussão.

– O senhor me ofende dizendo isso.

E pediu a suspensão da sessão por cinco minutos.

O interrogatório desta quarta é sobre a Operação Fatura Exposta, que apura desvios na Saúde. Além de Sérgio Cabral serão ouvidos seus operadores financeiros Carlos Miranda e Luiz Carlos Bezerra, seu ex-subsecretário Cesar Romero Vianna Junior e seu ex-secretário Sérgio Côrtes.

Também vão ser ouvidos os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita. Fornecedores de próteses, os dois teriam sido beneficiados em contratos de dinheiro público que foi desviado. De 2006 a 2017, grupo teria desviado R$ 300 milhões. (G1)

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