Angola deve 500 milhões de dólares a companhias aéreas

Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro (Foto: Francisco Miúdo)

As companhias de aviação que operam em África têm retidos 1,2 mil milhões de dólares em nove países do continente, correspondentes a dividendos que não conseguem repatriar. Desse valor, quase metade está “preso” em Angola, que deve 500 milhões de dólares às transportadoras aéreas.

Angola, Argélia, Eritreia, Etiópia, Líbia, Moçambique, Nigéria, Sudão e Zimbabwe devem, em conjunto, 1,2 mil milhões de dólares às companhias aéreas que operam nos seus países, valor referente aos dividendos que as mesmas não consegue repatriar.

O maior devedor da lista é o Estado angolano, que tem bloqueados no país 500 milhões de dólares, enquanto o montante retido na Nigéria é de 221 milhões e no Sudão de 200 milhões de dólares.

Apesar de se manter no top dos devedores, a Nigéria conseguiu reduzir a verba em dívida, de 600 milhões em Outubro do ano passado, para os actuais 221 milhões. O mesmo não se pode dizer de Angola, que saltou de uma dívida de 237 milhões para 500 milhões nos últimos meses, reveladora de que o país não tem conseguido resolver o problema.

Os dados foram revelados esta segunda-feira, 14, pelo vice-presidente para África da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), Raphale Kuuchi, e por outra responsável da IATA, Adefunke Adeyemi, citados pela agência Reuters.

Segundo Raphale Kuuchi, as companhias áreas estão em negociações com alguns dos governos desses nove estados para tentar encontrar uma solução.

Raphale Kuuchi, que falava numa reunião do sector da aviação no Ruanda, não adiantou que companhias aéreas estão nessas conversações, limitando-se a indicar as nações “na berlinda”.

“Para continuarem a fazer o seu trabalho, as empresas de aviação têm de ser capazes de repatriar os seus dividendos”, lembrou o vice-presidente da IATA para África.

Já no ano passado, Tony Tyler, director-geral da IATA, sublinhava, em comunicado que “a repatriação eficiente das receitas é fundamental para que as companhias aéreas sejam capazes de desempenhar seus papéis como um catalisador para a actividade económica”, acrescentando que “não é razoável esperar que as companhias aéreas invistam e operem em países onde não podem colectar eficientemente o pagamento pelos seus serviços”.

Apesar de reconhecer tratar-se de um problema provocado particularmente pela quebra das receitas petrolíferas, Tony Tyler avisou os países com mais verbas retidas que é “do interesse de todos garantir que as companhias aéreas sejam pagas no prazo e com taxas de câmbio justas”. (Novo Jornal Online)

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