Trabalhadores angolanos explorados: 26% não recebem qualquer pagamento

(DR)

O Relatório sobre Emprego 2015/2016, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), indica que 26% das pessoas empregadas no país não recebem qualquer tipo de pagamento, seja em dinheiro ou espécie.

Trabalhar sem qualquer tipo de contrapartida é uma realidade para 26% da população empregada em Angola, revela o Relatório sobre Emprego 2015/2016, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo o estudo, que envolveu os ministérios da Saúde e do Planeamento e Desenvolvimento Territorial, apenas 74% dos trabalhadores do país são remunerados, seja em dinheiro ou em espécie.

O relatório, citado pela agência Lusa, não esclarece as circunstâncias por detrás dos números, mas a leitura crua dos dados remete para a existência de situações no mínimo de exploração, e, no limite, a roçar a escravatura.

Os números do INE indicam ainda que seis em cada 10 pessoas empregadas (61%) têm um vínculo laboral de regime permanente, 28% são trabalhadores temporários, 7% trabalham em regime de sazonalidade e 4% trabalham apenas ocasionalmente.

O Relatório sobre Emprego 2015/2016 assinala também que 19% da população activa – grupo que inclui os cidadãos entre os 15 e os 64 anos e representa 87% da população total – não tem qualquer nível de escolaridade, enquanto 20% está no desemprego.

A falta de emprego é mais alta no meio urbano (25%), quase triplicando o valor do meio rural (9%), situação que reflecte a maior empregabilidade dos sectores da Agricultura e das Pescas, responsáveis pela absorção de 30% da população empregada.

Já o comércio por grosso e a retalho ou a reparação de veículos automóveis e motociclos empregam 20% da população activa, os serviços domésticos 12%, a administração pública e defesa 9% e indústria apenas 3%.

O Relatório sobre Emprego 2015/2016 foi financiado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Banco Mundial, UNICEF e Governo angolano. Partiu de uma base de referência de 16.000 agregados familiares econtou com a assistência técnica do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da ICF International. (Novo Jornal Online)

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