A situação no Lesoto considerada inconstante

Membro das forças de segurança do Leshoto (EPA/STR SOUTH AFRICA OUT)

A situação política e militar no Lesoto trouxe a Luanda o ministro dos Negócios Estrangeiros daquele país, Lesogo Makgothi, que teve ontem um encontro com o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto.

À saída do encontro, Lesogo Makgothi considerou “inconstante” a situação política e militar no seu país. O chefe da diplomacia do Lesotho, Lesego Makgothi, que se encontra desde quinta-feira em Luanda, admitiu que a situação está a gerar desconforto e muitos países auguram que tropas militares não sejam enviadas para aquele país. Durante o encontro com Manuel Augusto, disse, ficou marcada a decisão de levar-se a informação à presidência da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), para saber que medidas devem ser tomadas a nível da subcomissão de Defesa.

Makgothi informou que as expectativas apontam para que as tropas da SADC sejam enviadas até Novembro deste ano. “Pretendemos ouvir e seguir as orientações que saíem da SADC”, disse.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Lesotho encontra-se no país desde quinta-feira e faz-se acompanhar do titular da pasta dos Recursos Hídricos. O regresso de ambos para Maseru está agendado para hoje.

O subcomité de Defesa da SADC, presidido pelo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, Geraldo Sachipengo Nunda, analisou no princípio deste mês, em Luanda, a composição, métodos de desdobramento e preparação da força em estado de alerta da organização, a ser enviada para o Lesoto. O envio da força foi decidido pela cimeira da troika da SADC, realizada no dia 15 de Setembro, em Pretória, África do Sul, na sequência do assassinato, no dia 5 do mesmo mês, do comandante das Forças de Defesa, tenente-general
Khoantlhe Motsomotso, o que levou à degradação da situação de segurança no Lesoto.

A cimeira decidiu o envio imediato de uma força em estado de alerta da SADC, integrada pelas três componentes: militar, policial e civil, para garantir a normalidade de uma situação favorável à implementação das reformas necessárias, principalmente no sector da defesa e segurança. No encontro de Luanda, o general Geraldo Sachipengo Nunda elogiou a acção imediata e pronta da SADC, que enviou ao Lesotho uma missão ministerial de constatação do órgão para avaliação, e lembrou que os resultados foram submetidos à cimeira da troika realizada no dia 15 de Setembro último, em Pretória.

O chefe do Estado-Maior General das FAA garantiu que Angola fará tudo o que estiver ao seu alcance para que se produzam medidas adequadas às exigências do momento vigente no Lesotho. Geraldo Sachipengo Nunda disse esperar que os passos dados em conjunto, no quadro da presidência angolana, conservem a paz e a segurança necessárias para garantir o desenvolvimento económico e social e o bem-estar dos povos da região austral do continente. Angola assumiu, em Agosto último, a presidência do Órgão de Política, Defesa e Segurança da SADC, em substituição da República Unida da Tanzânia. O director do Gabinete para a SADC do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Sandro de Oliveira, afirmou recentemente que Angola vai priorizar o acompanhamento da situação política no Lesotho e na República Democrática do Congo.

O diplomata indicou que Angola tem acompanhado a implementação da Unidade de Mediação, Prevenção e Resolução de Conflitos da SADC, um instrumento que tem como objectivo evitar crises políticas.

Lesoto é um pequeno país da África Austral, um enclave incrustado na África do Sul, montanhoso e sem saída para o mar. O país é o antigo reino da Basutolândia, um dos países etnicamente mais homogéneos da África. De acordo com dados do Wikipédia, 99 por cento da sua população é da etnia basotho.

O país vive da agricultura e criação de ovelhas na cordilheira do Drakensberg, que domina a maior parte do território e atinge mais de três mil metros de altitude. É muito dependente da África do Sul. O dinheiro enviado pelos seus cidadãos empregados nas minas e fábricas sul-africanas representa 26 por cento do PIB. (Jornal de Angola)

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