Votos reclamados atribuídos às formações concorrentes

PORMENOR DE UMA SESSÃO DO PLENÁRIO DA CNE (FOTO: HENRI CELSO)

A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) concluiu ontem a reapreciação dos votos reclamados num total de 1.718 votos em cinco círculos provinciais nas eleições de 23 de Agosto e atribuiu-os às formações políticas correspondentes.

O trabalho feito pelos comissários eleitorais, na presença do presidente da CNE, André da Silva Neto, iniciou-se no sábado com a abertura dos sacos invioláveis com os votos reclamados de Cabinda, Huambo, Moxico, Uíge e Luanda.
Após a análise dos votos reclamados, 1.026 foram considerados nulos. O MPLA é o partido que mais votos ganhou, com 120 votos, seguido da UNITA com 17 e do PRS com 12. A CASA-CE e a FNLA obtiveram mais 10 votos e a APN recebeu mais sete.

Pelos círculos provinciais, em Cabinda, onde foram reclamados 84 votos, a UNITA recebeu cinco, o MPLA 35, a CASA-CE seis, a FNLA e a APN um cada. Deste total, 36 votos foram considerados nulos.
No círculo provincial do Moxico, onde foram reclamados 141 votos, o PRS obteve dois, a UNITA três, o MPLA 19 votos e a APN um voto. 116 votos foram considerados nulos.

Em Luanda, todos os votos foram considerados nulos. No Uíge, onde foram reclamados 720 votos, a CNE atribuiu 29 ao MPLA, oito à FNLA, cinco à APN, três à CASA-CE, sete à UNITA e cinco ao PRS. Do total, 663 foram considerados nulos. No Huambo, dos 225 reclamados, um foi atribuído à FNLA, um à CASA-CE, dois à UNITA, 37 votos foram para o MPLA e cinco ao PRS. 179 votos foram considerados nulos pela CNE.

O processo de análise dos votos reclamados é um dos passos para o apuramento definitivo nacional, que se iniciou igualmente no sábado e continua hoje. A porta-voz da CNE, Júlia Ferreira explicou que o apuramento nacional vai permitir à CNE converter os votos em mandatos na Assembleia Nacional.

Após o apuramento nacional, os resultados definitivos vão ser divulgados até quarta-feira e afixados à porta da Comissão Nacional Eleitoral. Posteriormente é lavrada uma acta onde vão constar os resultados apurados, sendo que um exemplar vai ser enviado até quinta-feira ao Presidente da República em funções e outra ao presidente do Tribunal Constitucional. Cópias do mesmo documento deve ser entregue às formações políticas concorrentes, disse.

A Comissão Nacional Eleitoral vai também elaborar o mapa oficial das eleições, a
ser publicado no Diário da República, no prazo de 72 horas (até domingo), no qual deve constar o número total de eleitores inscritos, número total dos votantes, números de votos brancos e os votos nulos. A tomada de posse do novo Presidente da República e o Vice-Presidente ocorre até ao dia 25 de Setembro.

As eleições de 23 de Agosto contaram com a participação do MPLA, UNITA, CASA-CE, FNLA, PRS e APN e os resultados provisórios nacionais actualizados, disponibilizados pela Comissão Nacional Eleitoral colocam o MPLA em primeiro lugar, com 61,05 por cento dos votos.

Com maioria qualificada, o MPLA elege os seus candidatos a Presidente e Vice-Presidente da República, João Lourenço e Bornito de Sousa, respectivamente, bem como 150 dos 220 deputados à Assembleia Nacional. Na segunda posição, surge o partido liderado por Isaías Samakuva, a UNITA, com 26,72 por cento dos votos escrutinados, o que lhe confere 51 deputados. A CASA-CE, de Abel Chivukuvuku, ficou com 9,5 por cento dos votos, o que o permite eleger 16 deputados.

Declarações difamatórias

O plenário da Comissão Nacional Eleitoral considerou “levianas e difamatórias” as acusações da UNITA, CASA-CE, PRS e FNLA sobre o processo de apuramento dos resultados definitivos provincial das eleições de 23 de Agosto.
A porta-voz da CNE afirmou que as acusações são “destituídas de pendor de verdade” e que o presidente da Comissão Nacional Eleitoral vai se pronunciar hoje sobre o assunto, em conferência de imprensa. (Jornal de Angola)

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