Tunezas: 15 anos de humor

Grupo de humor, Tunezas (DR)

Os Tuneza assumem-se como uma “referência obrigatória” quando o assunto é fazer rir. O quinteto, composto por Costa, Tigre, Ceslaty, Orlando e Gilmário, não tem dúvidas de que fazer humor em Angola é “rentável”. Prova disso, são os 15 anos de carreira que carregam a viver exclusivamente da arte de fazer rir.

Apesar de considerar que “não é ético” revelar quanto é que se ganha por cada espectáculo, Cesalty Paulo, que conquistou o público com a personagem ‘Mana Madó’, nas entrelinhas, revela que o rendimento do grupo garante a sustentabilidade do conjunto para os próximos anos. “Preferimos não abordar assuntos monetários, porque só interessam ao grupo e a quem queira negociar connosco”, explica o humorista, garantindo que o grupo ganha a vida a ‘alegrar o coração e o rosto das pessoas’. “Nós, os Tuneza, vivemos única e exclusivamente do humor”.

O sucesso que o grupo regista actualmente leva-os a fazer muitas actuações em Angola e no exterior. Por exemplo, em 2015, o grupo quase ‘rebentou pelas costuras’ o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, Portugal, com um espectáculo que resultou num DVD.

A viver momentos de “graça”, os Tuneza têm estado “muito felizes” com os resultados do trabalho que têm feito e implementado para o desenvolvimento e expansão da arte. “Pretendemos revolucionar o humor angolano a cada dia que passa”, almeja Cesalty, o porta-voz do grupo.

Tal como acontece entre casais, com os Tuneza ‘nem tudo são flores’. O grupo também vive momentos de acesas “discussões”, mas acredita que, quando se tem objectivos comuns e se sabe aonde se pretende chegar com o trabalho, as pequenas brigas não servem para os separar, mas sim de “alento para ultrapassar e caminhar com mais foco”.

Cesalty Daniel, de 38 anos, garante que o grupo nunca pensou em desistir pois tem sempre contratos “muito sólidos” e um “compromisso” com os fãs. “Por isso mesmo, os trabalhos individuais que alguns membros do grupo fazem (nomeadamente o Costa e o Gilmario) não interferem na relação do elenco”.

Pelo contrário, acrescenta, “servem de experiência” e são sempre feitos nos momentos em que o grupo se encontra de pausa de modo a não chocar com a agenda. Atendendo à situação política que o país atravessa, o grupo espera que “o novo Governo consiga manter o que está bem e que consiga alcançar aquilo que as pessoas esperam”, desejando essencialmente que “se criem politicas para desenvolver a cultura, para que se multiplique o número de fazedores de arte.

Para o grupo, o humor é das actividades que “mais espectáculos realiza e por isso mesmo, justifica o porta-voz do grupo, os artistas têm o prazer de acompanhar espectáculos dos outros colegas “para terem uma maior atenção de tudo o que se faz, como está a ser feito e, sobretudo, o que deve melhor”. Apelam, portanto, que os novos humoristas “cheguem devagar” para poderem alcançar o que os outros artistas “levaram anos a conseguir”.

15 anos de humor

Foi em 2003 que ‘Os Tuneza’ resolveram assumir a responsabilidade de fazer rir. Inicialmente, apareceram como um grupo teatral, constituído por integrantes do extinto Colectivo de Artes Tuneza, criado em 1999. Os humoristas passaram a apresentar-se em vários restaurantes e espaços públicos de Luanda.

Na TPA, o grupo apresenta o programa ‘Fora de Série’. Em 2006, passam a apresentar o programa ‘Kialumingo’, na Rádio Luanda. No ano seguinte, o primeiro álbum musical do quinteto é publicado, intitulado ‘Humor ao Domicílio’. Em 2008, lançam o DVD ‘Fora de Série’, contendo as dez primeiras edições do programa de mesmo nome.

Em Dezembro de 2009, o grupo estreia o programa ‘Coisa Doida’, na TV Zimbo. Em 2016, estreiam, no ‘Mundo Fox’ da DStv ‘Os Tropas D’os Tuneza’, um programa de humor com humoristas de todo o país e passam a fazer parte de uma ‘batalha de humor’ da qual saem vencedores. (Valor Económico)

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