Tempestade empurra preço do petróleo para baixo

(DR)

Tudo parece servir para impedir que o preço do petróleo nos mercados internacionais, suba ou mesmo para o empurrar para baixo, como acaba de suceder nos últimos dias graças ao Harvey, como foi baptizado o furacão que varreu o estado norte-americano do Texas e ameaça outros.

Para além do impacto directo na vida de milhares de pessoas desalojadas, estradas alagadas e cidades submersas, sob um rasto de mais de 30 mortos, o Harvey deixou fora de serviço quase 20 por cento da capacidade de refinação dos Estados Unidos da América, fazendo o preço dos combustíveis refinados subir e o petróleo em bruto baixar.

O outro efeito deste cenário foi fazer com que os “stocks” da maior economia do mundo deixassem de diminuir a uma velocidade de 5 a 7 milhões de barris por semana, factor que estava a ajudar na estratégia da OPEP para fazer subir os preços, depois dos cortes na produção de 1,8 milhões de barris por dia (mbpd), o que é um pesado efeito colateral da passagem do Harvey pelo Sul dos EUA em países como Angola, para quem a alta do barril é há muito esperada, como se percebe a partir das declarações do ministro do Petróleo que o Novo Jornal Online hoje reproduziu.

O barril estava ontem a negociar em Londres (Brent), que serve de referência às exportações angolanas, a 51, 69 dólares, menos 20 cêntimos de dólar, ou 0,4% que ontem, sendo que o pior cenário ocorreu no WTI (Texas), onde o barril desceu 62 cêntimos, para 45,95 USD.

No entanto, esta situação com origem nos EUA permite também por a claro o facto “psicológico” no comportamento dos mercados petrolíferos, porque os efeitos dos cortes da OPEP, nos quais Angola contribuiu com menos 78 mil bpd, e dos aliados não-membros, como a Rússia, estão a resultar na queda das reservas e da oferta no resto do mundo, não sendo, por isso, de monta o impacto a partir da quebra na capacidade de refinação nos EUA.

Más e “boas” notícias para Angola

No momento em que Angola, através do seu ministro dos Petróleos, Botelho de Vasconcelos, veio a público defender a ideia de que estão criadas as condições para que o barril de crude trepe até aos 60 USD até ao final deste ano, dos EUA chegam as notícias de que pelo menos foram cortados 3 milhões de barris refinados, o que leva a que idêntico número fique em stock e sirva para contrariar a subida do preço da matéria-prima tanto do Brent como do WTI.

Mas, no capítulo do interesse imediato dos países produtores de crude, como é o caso de Angola, país onde as exportações do “ouro negro” somam mais de 95 por cento do todo exportado, surgem algumas más notícias pelo mundo que têm resultados positivos no preço do barril.

Da Líbia surgem notícias de ataques de milícias radicais islâmicas deixaram KO os pipelines de três campos petrolíferos, levando-os à paragem de produção, na Nigéria os grupos armados do Delta do Níger voltaram a ameaçar as plataformas e os campos das multinacionais e na Colômbia, os guerrilheiros do ELN destruíram parcialmente um dos maiores pipelines do país.

Parece, todavia, escasso para os operadores financeiros do sector, que, como referem hoje as agências de notícias, começaram já a diminuir as estimativas de preços para este ano e para 2018, em me”dia de 60 para 55 USD em 2017 e de 64 dólares para 57 no próximo ano.

Estes números surgem claramente em contramão com as expectativas bastante mais optimistas do ministro Angolano dos Petróleos. (Novo Jornal Online)

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