Portugal reforça pagamento antecipado ao FMI em mil milhões

(DR)

Em vez de quatro, o governo vai amortizar cinco mil milhões de euros durante o ano que vem.

O Estado vai reforçar o pagamento antecipado ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em mais mil milhões de euros. Assim, o Governo subiu a fasquia para pagar cinco mil milhões de euros, e não quatro mil milhões, como projetado anteriormente, escreve esta terça-feira o Diário de Notícias.

O objectivo é chegar ao final deste ano com 7,4 mil milhões de euros em depósitos, o que vai permitir, já no âmbito do próximo Orçamento de Estado (OE18), pagar antecipadamente igual montante ao FMI, refere a agência que gere a dívida pública – a agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP).

No entanto este valor não é definitivo: pode ser reforçado. Porquê? Quanto mais depressa for pago a dívida ao FMI, menos juros. O empréstimo cedido pela instituição hoje liderada por Christine Lagarde cobra uma taxa de juro média que ronda os 4,5%, ao passo que o fundo da zona euro (ESM) cobra uma taxa final de 1,9%.

Para 2017 Portugal já cumpriu todos os reembolsos ao Fundo. “Em julho, o IGCP fez mais um antecipado no valor de 1763 milhões de euros e em agosto mais 795 milhões, o que eleva as amortizações totais deste ano para 5,3 mil milhões de euros”, escreve o DN.

“A percentagem paga do empréstimo total inicial do FMI subiu para 63%”, segundo a agência da dívida. Os últimos reembolsos antecipados feitos “correspondem a amortizações de capital que originalmente eram devidas em março e abril de 2020”. E a ideia é “prosseguir com esta estratégia”, disse ao DN Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado adjunto e das Finanças.

“Muitos dizem que ter este dinheiro em depósitos, em cash, custa juros e aumenta a dívida, mas o que nós dizemos é que este dinheiro ajuda a pagar ao FMI, cujo empréstimo é muito mais caro”, logo diminuindo a fatura dos juros.

Portugal deve ainda o equivalente a 37% do empréstimo contraído junto do FMI, ou seja, cerca de 10 265 milhões de euros, ou 5,4% do produto interno bruto (PIB), e ainda outros dois empréstimos concedidos durante o programa de ajustamento e de resgate. (Jornal Económico)

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