Polícia da Ucrânia chega ao hotel onde está ex-Presidente Saakashvili

Mikheil Saakashvili (DR)

A polícia e guardas fronteiriços da Ucrânica chegaram hoje ao hotel de Lviv onde se encontra alojado o ex-Presidente georgiano Mikheil Saakashvili, que no domingo forçou a entrada na Ucrânia desde a Polónia.

Imagens captadas hoje mostram as autoridades ucranianas na receção do hotel Leopolis, mas não é claro se a sua intenção é deter o antigo Presidente da Geórgia e ex-governador da região ucraniana de Odessa.

O Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, ameaçou na segunda-feira levar à justiça Saakashvili por ter entrado à força no país.

Poroshenko retirou em julho a cidadania ucraniana a Saakashvili, deixando-o apátrida por ter sido forçado a abdicar da sua cidadania georgiana quando recebeu a nacionalidade ucraniana.

O ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, alertou que Saakashvili tinha cometido um grave crime e “um ataque às principais instituições do Estado” ao entrar à força no país, pelo que as autoridades iniciaram um processo penal.

Saakashvili insiste que se encontra legalmente na Ucrânia, apesar de não ter um passaporte válido e de ter cruzado a fronteira à força, na companhia de um grupo de políticos ucranianos, entre os quais a ex-primeira-ministra Iulia Timoshenko, depois de as autoridades o terem impedido de entrar no país, primeiro de comboio e depois de autocarro.

O político assegura que o seu advogado já apresentou um pedido junto do serviço de migrações e lançou um desafio ao Governo de Poroshenko ao anunciar uma ronda por todas as regiões do país.

Após ter dirigido a Geórgia durante uma década, Shaakashvili, criticado pelo seu estilo autoritário e pela desastrosa guerra com a Rússia em 2008, adquiriu a nacionalidade ucraniana em 2015 e foi nomeado governador da região ucraniana de Odessa (sul).

As suas relações com o poder de Kiev deterioraram-se após a sua demissão em 2016, justificada pelas dificuldades com que se deparou no combate à corrupção.

Saakashvili, 49 anos, que disse pretender participar nas eleições na Ucrânia, promover reformas e combater a corrupção, ficou privado da sua nacionalidade ucraniana em julho por decisão do Presidente Poroshenko. Em paralelo, é objeto de um pedido de extradição por “abuso de poder” emitido pela Geórgia, que já lhe retirou a sua cidadania georgiana.

O político lidera um pequeno partido político ucraniano, chamado Movimento das Novas Forças e prometeu agitar a política na Ucrânia.

Numa entrevista à Associated Press na segunda-feira, Saakashvili considerou trágica a atual situação da Ucrânia e prometeu dedicar-se a ajudar a criar uma “nova classe política para uma Ucrânia emergente”.

“Precisamos de pessoas novas. A Ucrânia está farta da antiga classe política corrupta. Querem pessoas novas, uma energia nova, caras novas, ideias novas”, disse.

A Geórgia, onde Saakashvili é acusado de abuso de poder e apropriação indevida de propriedade, enviou à Ucrânia um pedido de extradição do político, mas não é claro se Kiev pretende cumprir esse pedido. (Notícias ao Minuto)

por Lusa

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